A atmosférica continua muito dinâmica e variável, com o anticiclone bastante móvel, e, durante a próxima semana, iremos verificar um novo bloqueio atmosférico na Gronelândia, favorecendo uma cúpula de calor sobre o Centro Europeu, estendendo-se para Norte, devido à formação de uma área de alta pressão
Continuamos ainda sem um regime atmosférico definido – algo que já tínhamos descrito que até poderia vir a caracterizar este verão, levando a mais extremos, mas menos prolongados – e, com isso, a variabilidade de estados de tempo vai dominando, com alterações bruscas. Em Portugal o calor intenso de dias 10 a 13 deve ficar para trás, pelo menos no litoral, mas, com a proximidade das massas de ar quente no Interior Europeu, será que o Interior se “safa” do calor extremo? À primeira vista sim, mas… é complexo!
Toda esta semana será marcada por maior influência marítima. no litoral, e isso, quase garantidamente, deve levar a temperaturas mais baixas – sendo mesmo provável que se formem nevoeiros. No Interior é provável que, em alguns dos dias, se possa sentir algum efeito do vento leste, e que as temperaturas subam bastante – criando ainda mais esta divisão litoral\interior, que acentua, precisamente, os nevoeiros\neblinas
Assim, sem entrar em mais detalhes, para já (continue a ler para informação mais completa!) podemos afirmar que teremos uma situação mais normal no litoral, típica de junho, uma situação de calor mais intenso no Interior, mas sem extremos demasiado “agressivos”, e será no Centro e Norte da Europa que o calor irá assentar mais a sério, com valores mais extremos, pontualmente – aproximando-se dos máximos históricos

CÚPULA DE CALOR NA EUROPA – O QUE ESPERAR?
Depois destes dias muito quentes em Portugal, o calor vai mover-se para leste, à medida que o Atlântico gera algumas perturbações que forçam o anticiclone a mover-se para a Europa Central. Estas depressões, que se podem localizar perto dos Açores, deverão propiciar a subida de massas de ar quente sobre países como França, BeNeLux, Alemanha, e até mais a Norte (Escandinávia)
Chama-se “cúpula de calor” a um anticiclone persistente sobre uma região, que permite que o ar vá aquecendo ao longo dos dias, por compressão, com a alta pressão a impedir que este ar suba. O aquecimento geralmente é progressivo, e, quanto mais dias durar uma situação deste género, mais intensos serão os extremos
Esta situação deve ter o seu início por volta de dias 16\17, entre Espanha e França, onde se registarão temperaturas entre 35 a 40ºC. Ao longo da semana o calor pode ir expandindo mais para leste, onde também se podem registar cerca de 35 a 38ºC, o que é extraordinário para meio de junho na Alemanha ou Polónia. Mais a Norte, nos países do Báltico e na Escandinávia, pelo menos no Sul, esperam-se valores a rondar 30ºC, localmente, também muito quente!
Depois de dias 21\22 há uma dúvida enorme na evolução de uma massa de ar, que estará dependente da evolução de uma (provável) perturbação isolada em altitude, mas não descartamos que esta situação se intensifique sobre França, principalmente, mas também Itália, e, quem sabe Portugal\Espanha, dependendo da evolução final. Para esses dias (última semana de junho), não descartamos valores mais próximos dos 43-45ºC nos locais historicamente mais quentes
Assim será um episódio de calor relativamente prolongado, mas atenção: pelo meio, e na transição entre o primeiro episódio (16-17 a 20-21) e o segundo (depois de dias 21\22) podem surgir trovoadas severas em alguns locais!

Se as previsões dos modelos, e principalmente do modelo Europeu ECMWF, que tem sido extremamente fiável, diga-se, se confirmarem, podemos assistir a um episódio de trovoadas severas na faixa de choque de massas de ar, ou seja no Norte dos países já referidos (França, Alemanha, BeNeLux…) por volta de dia 22
Haverá enorme energia, e, provavelmente, humidade transportada por uma perturbação do jato polar – que fará baixar as temperaturas rapidamente. Assim, para esses dias, e dependendo da evolução exata, podem surgir situações como granizo grande, inundações, e até tornados (As condições termodinâmicas previstas atualmente são impressionantes!)
Assim, resumidamente: Primeiro muito calor entre 16-17 de junho até 20-21, seguindo-se trovoadas 1\2 dias, com descida das temperaturas, e regresso do calor intenso (quem sabe ainda mais intenso) depois de dia 22. Como referimos, depois de dia 22 o calor pode afetar também Portugal – continue a ler para detalhes para o nosso país!

CALOR EM PORTUGAL – COMO IRÁ EVOLUIR?
Por cá, e como referido, tudo bem mais normal – o fim-de-semana traz descida das temperaturas, mais notável no domingo, dia em que também há instabilidade mais significativa, particularmente no Interior Norte e Centro. O início da semana não traz grandes variações, embora se note nova subida no Interior
E é precisamente esse o resumo da semana que vem: O interior vai voltar a ver o calor a aumentar, numa situação de (possível) onda de calor em algumas regiões, mas sem valores extremos – 35 a 39ºC mais prováveis. O litoral irá registar valores de 22 a 28ºC, até abaixo disso, por vezes, na faixa costeira, resultando em nevoeiros e neblinas, por vezes persistentes
Depois de dia 21\22 há ameaças de mais calor, bem presentes também nos ensambles, com a média do modelo ECMWF para o Centro do país (como exemplo) a rondar os 22ºC a 850hPA (1500m+-), o que poderia significar valores de temperatura máxima acima de 40ºC. Há dúvidas no entanto, tendo já havido previsões mais extremas para a última semana, com a temida “iso 28º” a surgir nas proximidades (o que poderia levar a temperaturas próximas dos 45ºC)
Para já mantemos que o calor vai continuar, a instabilidade surgirá mas apenas muito ocasionalmente, e o Verão prossegue dentro da “normalidade”, ou pelo menos do novo normal dos últimos anos. Estaremos muito atentos à evolução após dias 21\22, pois claramente é o período com maior potencial para extremos do mês (e já havia sido referido na previsão mensal)
Se vive nos Açores, e tendo em conta a previsão de depressões nas proximidades… prepare-se para um regresso ao tempo chuvoso, mais fresco (provavelmente)

Como tem sido Junho na sua região? Quente? Mais fresco? Já houve trovoadas? Conte-nos nos comentários abaixo!
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