Os incêndios florestais continuam a marcar este verão no sul da Europa, com Espanha e França entre os países mais afetados. As temperaturas muito altas, a vegetação extremamente seca, e o vento ocasionalmente forte, têm favorecido a rápida propagação de vários incêndios, obrigando à mobilização de milhares de operacionais e meios aéreos para combater as chamas, e à ativação do plano de emergência nacional
Em Espanha, a situação tem sido particularmente complicada nos últimos dias, com vários incêndios de grande dimensão a consumirem milhares de hectares e a provocarem fortes impactos na qualidade do ar em diversas regiões, com particular destaque para a região de Ávila-Madrid. Apesar de continuarem ativos alguns focos, a evolução mais recente é mais favorável e, felizmente, a maioria dos grandes incêndios parece encontrar-se mais controlada. Contudo, com as condições previstas, reativações intensas são, infelizmente, prováveis
Até ao momento, Portugal tem escapado ao fumo proveniente destes incêndios. A circulação predominante de Norte tem mantido a maior parte das partículas e gases sobre território espanhol ou a deslocarem-se para o Mediterrâneo, permitindo que a qualidade do ar em Portugal se mantenha, de forma geral, em níveis razoavelmente bons. Contudo, esta situação poderá alterar-se nos próximos dia, com a rotação do vento para o quadrante leste
Com este novo fluxo, que trará também calor, parte do fumo será transportado para Portugal, sobretudo para as regiões do Interior. Ao mesmo tempo, o calor intenso favorecerá a formação de ozono à superfície, particularmente nas áreas urbanas, agravando ainda mais a qualidade do ar. Dependendo da evolução dos incêndios em Espanha e da intensidade e direção exatas do vento, esta poderá ser uma semana marcada por episódios de qualidade do ar reduzida em várias regiões do país
Há, ainda, a probabilidade de surgimento de poeiras em suspensão ao longo da semana. Assim esta situação deverá ser acompanhada com especial atenção, sobretudo por crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares, mais vulneráveis

ONDE É ESPERADA A MAIOR CONCENTRAÇÃO DE FUMO, E QUAIS OS RISCOS?
As previsões meteorológicas apontam para que a maior concentração de fumo ocorra nas regiões do Interior, especialmente no Centro e Nordeste do território continental. Com um fluxo predominante de leste, as massas de ar provenientes de Espanha transportarão partículas diretamente para estas regiões antes de seguirem gradualmente em direção ao litoral – mas perdendo concentração
Durante a tarde de segunda-feira poderá verificar-se um ligeiro alívio temporário, sobretudo nas zonas costeiras e parte do Interior, devido à entrada da brisa marítima e à rotação do vento para Oeste. No entanto será passageiro, uma vez que durante a madrugada e manhã de terça-feira o vento deverá voltar a rodar para o quadrante leste, permitindo uma nova entrada de fumo proveniente do território espanhol – obviamente que, aí, já com maior incerteza, visto que também não sabemos a evolução dos fogos
Além das partículas finas PM2.5, consideradas pela OMS as mais prejudiciais para a saúde por conseguirem penetrar profundamente nos pulmões, poderão também verificar-se aumentos nas concentrações de gases como o monóxido de carbono (CO), dióxido de enxofre (SO₂), entre outros, resultantes da combustão da vegetação
Em simultâneo, o calor intenso previsto, e que deve permanecer ao longo de toda a semana, particularmente nas regiões do Interior, favorecerá concentrações elevadas de ozono troposférico, sobretudo durante a tarde nas áreas urbanas. Além disso Portugal terá também risco muito elevado de incêndio, pelo que, esperemos nós, o fumo que vemos nos céus seja apenas resultante dos fogos já existentes noutros países, e não surjam ignições no nosso país
A degradação da qualidade do ar poderá provocar irritação dos olhos, nariz e garganta, tosse, dificuldade respiratória e agravamento de doenças como asma ou doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC). Pessoas com doenças crónicas, crianças, idosos e grávidas deverão limitar atividades físicas intensas ao ar livre durante os períodos de maior concentração destes poluentes. Recomendamos acompanhar os índices de qualidade do ar e reduzir a exposição prolongada ao ar livre, especialmente nas regiões do Interior onde os impactos poderão ser mais significativos

CALOR NESTA SEGUNDA-FEIRA – ATÉ 42°C

Artigo escrito e previsto por Fábio Félix | Luso Meteo às 20:10h de domingo, 26 de julho
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