O tempo em Junho, em Portugal, ficará marcado por temperaturas (geralmente) acima da média, por vezes com valores bastante acima do que é habitual, com risco de persistência da dorsal africana do anticiclone sobre Portugal Continental
Assim, e começando já na segunda semana, a temperatura irá disparar (depois de uma primeira semana de Verão muito tímido) e podemos esperar valores, desde logo, provavelmente acima de 40ºC em muitos locais do Interior (a confirmar a probabilidade de calor também no litoral). O padrão atmosférico que se pode instalar é bastante condutivo a uma situação de calor mais prolongado, mas…
… existe alguma probabilidade de, entre a segunda e a terceira semana, haver uma nova transição de regimes atmosféricos, que pode levar a uma diminuição da temperatura, talvez nortada, e, quem sabe, alguma instabilidade caso alguma depressão se consiga “intrometer” e desprender da circulação geral do jato polar. De toda a forma deverá ser temporário, sendo provável que na transição para a quarta semana do mês o calor volte em força
A última semana de junho pode mesmo ser a mais quente, com risco sério de alguma situação de calor, ou mesmo onda de calor, mais intensa, com valores que podem disparar para perto dos 45ºC. Não descartamos, também, alguma situação de instabilidade, comum com estas situações de calor mais intenso, o que pode provocar risco muito elevado de incêndio
Uma previsão mensal envolve sempre risco de falhar: afinal previsões a longo prazo estão longe de ser certezas. Ainda assim, dada a consistência entre vários modelos meteorológicos, temos poucas dúvidas em afirmar que será um mês quente em Portugal Continental (anomalia 2\3ºC), tanto nas máximas como mínimas, e provavelmente seco (anomalia -25 a -75ºC na precipitação). Os detalhes mais particulares terão de ser, obviamente, confirmados dia a dia. Continue a ler para mais informações para as Ilhas, e mais alguns detalhes, semana a semana!

O TEMPO EM JUNHO DE 2026 – O FORNO VAI LIGAR
O início de junho é enganador – algum calor a começar, mas tudo dentro do normal, e a tornar-se mais tímido a partir de dia 2, e especialmente entre dias 3\4 e 5\6, com algumas frentes próximas que podem mesmo trazer alguma chuva fraca
Depois de dias 7\8 é altamente provável que a dorsal africana surja, então, marcando assim uma viragem significativa – cenário atualmente visto por vários modelos, sendo o GFS o mais “agressivo” nesta previsão, levando os valores a extremos de 44ºC. Este modelo tende a ter um “viés” quente, pelo que é provável que sejam valores inferiores, mas muito elevados
Ainda assim, há algo a referir – este viés nem sempre se verifica – já não seria a primeira vez que o modelo Americano prevê valores mais elevados que outros modelos, e acaba por acertar. Assim, por volta de dia 10, “dia de Portugal”, e como já tínhamos referido numa previsão anterior, o calor vai, claramente, ter um pico significativo de calor, que pode mesmo atingir valores menos comuns para a primeira quinzena de Junho

Por detrás desta mudança, e deste calor, está uma reorganização atmosférica, que irá promover a formação de depressões a Norte dos Açores, circulando para Nordeste em direção à Islândia, e arrastando consigo o anticiclone sobre a Europa Ocidental, numa situação relativamente semelhante àquela que levou à vaga de calor de finais de Maio. Este calor pode chegar ao litoral, mas há tendência para ser mais frequente no Interior
Este tipo de circulação leva à persistência da alta pressão, que comprime o ar, e aquece-o, levando àquilo que muitas vezes chamamos de “cúpula de calor” – acumulação de calor ao longo dos dias, com valores muito acima do que é habitual. Em Maio tivemos já um recorde absoluto de calor em Portugal, e será fácil em junho atingir também extremos, pois, com o aquecimento global, este tipo de padrões atmosféricos, que, por si só, são normais, levam a extremos maiores
Como já referimos este padrão pode culminar em nortada e\ou instabilidade passados uns dias, com uma possível crista Atlântica, e\ou afastamento do anticiclone para Oeste, levando também a um aumento de humidade no litoral

Para a terceira semana, então, a variabilidade pode predominar – o que não significa necessariamente que não estará calor – dependerá muito de fatores que, a esta distância, é absolutamente impossível de calcular (posição exata do anticiclone, surgimento de alguma depressão isolada…)
Esta será, contudo, a semana com maior potencial para trovoadas, depois do calor intenso que se registará na segunda semana – como quase sempre, depois de situações de calor, as trovoadas são algo a considerar – há necessidade de “descarregar a energia”, e depressões térmicas e\ou isoladas em altitude são prováveis. Veremos se se irá confirmar!
Depois de uma nova “reorganização” da atmosfera, o mais certo é, então, para a quarta semana, o anticiclone voltar a surgir sobre a Europa Ocidental, e, com o pico de radiação solar, com a chegada do solstício do Verão, atingir 44\45ºC passa a ser uma possibilidade séria a considerar
De referir que, caso surja um fluxo de Sul ou Sudeste mais intenso (bastante provável), as poeiras vão surgir com frequência – algo que, por um lado, limita o aquecimento, e as trovoadas, e, por outro, piora muito a qualidade do ar…

E NAS ILHAS, COMO PODERÁ SER JUNHO?
Seco e quente? Húmido e chuvoso? Ou algo no meio? Provavelmente mais quente, mas também com alguma humidade. Nos Açores, principalmente, a primeira quinzena deverá ser marcado por um fluxo de Sudoeste, que pode levar a temperaturas acima da média, mas tempo húmido – não necessariamente chuvoso, mas com nevoeiros\elevada humidade
Na segunda quinzena do mês a tendência é semelhante, ocasionalmente com presença do anticiclone mais sobre o arquipélago (ventos de Nordeste, ocasionalmente, o que pode levar a mais sol), mudando para sudoeste, ocasionalmente, com mais humidade, de novo. É provável que surjam algumas frentes, com alguma chuva, mas não será um mês chuvoso (nem ventoso)
Na Madeira é provável a presença constante do anticiclone, da alta pressão, e também das temperaturas acima da média – com muito sol! Ainda assim, nos períodos de transição, por vezes pode surgir alguma frente fraca (chuva fraca, chuvisco…) e\ou descida de temperatura temporária
Em resumo: Um mês de temperaturas acima do normal nas Ilhas, na maioria dos dias, e com precipitação abaixo da média. Humidade acima da média nos Açores, e, por conseguinte, desagradável, com sensação térmica acima da média

ATIVIDADE TROPICAL ATLÂNTICA? PROVAVELMENTE NADA!
Nos últimos anos temos tido alguns “furacões” precoces, em Maio e\ou Junho, mas, este ano, as previsões de atividade tropical mostram, claramente, um sinal de anomalia negativa – menos situações de génese tropical que a média
Assim, e durante o mês de Junho, tendo em conta os regimes Oceânicos, e o elevado cisalhamento de vento e poeiras previstos sobre o Atlântico, será improvável a formação de qualquer ciclone tropical (probabilidade inferior a 10%), e, caso surja, provavelmente será de curta duração
Apesar de tudo devemos mencionar que, no Golfo, o shear provocado pelo El Nino (que já se sente, e causa uma diminuição significativa da frequência de tempestades de origem tropical), não é tão sentido. Assim, se algo surgir, será no Golfo do México, podendo ser, nesse caso, algo intenso. A probabilidade não parece muito algo, contudo
Já no Pacífico a história é completamente diferente, com os modelos a apostarem fortemente em atividade acima da média – veremos como tudo se irá desenrolar, mas contem com 2\3 tufões intensos, com riscos para o leste Asiático

Agora que começou o Verão climático, diga-nos: prefere um Verão assim, mais húmido e fresco, ou gosta do calor intenso? Participe nos comentários abaixo!
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