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Todos queremos saber como será o tempo no Verão, e essas previsões têm estado a ser publicadas pelos grandes centros de previsão mundiais, e atualizadas frequentemente, e tem havido muita conversa entre os meteorologistas Europeus sobre como poderá ser realmente – e se em Abril tivemos algumas notícias que davam conta de um Verão fresco, agora parece começar a inverter
Para fazermos uma previsão a longo prazo temos de olhar a variados fatores: a evolução na Primavera, a forma como a atmosfera se está a organizar, as temperaturas globais, tanto do ar como do oceano, e, claro, as previsões e tendências dos modelos de previsão, que têm uma capacidade cada vez maior de prever o tempo a longo prazo
Começando pelo “básico” parece fácil de prever um Verão muito quente, uma vez que a temperatura global está muito elevada (na Terra este foi o 13 de Maio mais quente já registado), mas por vezes nem tudo o que parece é – e pode ser necessário realmente aprofundar mais para uma previsão mais fiável – e aí percebemos que há previsões distintas e diversas entre variados modelos – com algo em comum, como iremos referir de seguida
Sobre este Verão podemos fazer um resumo simples: Em Portugal, seja no Continente ou nas Ilhas, o Verão terá, quase certamente, temperaturas médias acima do normal, havendo maior incerteza nas precipitações. Contudo acima do normal pode ser apenas algo mais comum, como tivemos em alguns dos últimos anos, ou algo mais extremo, como 2025 (ou pior). Além disso fica sempre a pergunta: chegará ao litoral, ou predominarão as nortadas? Continue a ler para todos os detalhes e análise completa!

TEMPO NO VERÃO DE 2026 EM PORTUGAL – SERÁ TÓRRIDO COMO EM 2025?
O ano passado é, claramente, de má memória, com variadas ondas de calor, algumas de longa duração (em alguns locais a maior em registo entre Julho e Agosto), com fogos de grandes dimensões como “resultado”, e aumento brutal da mortalidade associada
Calor é normal, faz parte, e faz falta, desde que seja com “conta, peso e medida” – mas, como todos sabemos, os extremos são cada vez maiores, e é difícil de verificarmos períodos de tempo mais normal – ou é tudo ou… nada… (aliás já em Maio iremos verificar isso, com a passagem do tempo frio para o calor intenso no prazo de 1\2 dias)
A resposta rápida à pergunta “Será tórrido como em 2025?” é: Talvez, mas provavelmente não da mesma forma. Este ano os regimes atmosféricos parecem promover um pouco mais de movimentação dos elementos sinóticos, e maior variabilidade dos regimes atmosféricos. Isso pode significar que os episódios de calor extremo podem durar menos tempo, mas também pode levar a maiores extremos
As cartas dos vários modelos, para já, convergem num cenário de elevada pressão nas latitudes a Norte de Portugal, entre o Reino Unido e a Escandinávia, o que é tipicamente um indicador de um Verão muito quente no nosso país, pois pode forçar depressões a isolarem-se a Oeste do nosso território, o que leva ao surgimento da dorsal africana, e consequente ar quente africano sobre o nosso país
Em 2025 essa situação foi recorrente, mas em outros anos já tivemos situações em que, felizmente para o nosso país, o calor fugiu para Espanha\França – e é essa a nossa principal dúvida: onde se irá centrar exatamente o anticiclone irá definir quais os países mais afetados pela inevitabilidade – a Europa terá um Verão tórrido, resta saber os países mais afetados (com os meses de Julho e Agosto a serem, como aliás é habitual, quando é esperado o pico)

Como talvez tenham notado estamos a privilegiar o uso do modelo ECMWF em detrimento de outros modelos como CFS (Americano), ou UKMO (Britânico), e isso tem uma razão: O modelo Europeu está mais avançado, e tem sido consistentemente melhor. Ainda assim, recentemente, teve algumas falhas drásticas no regime previsto, que o modelo CFSv2 “captou” melhor, pelo que vale a pena ver o que prevê o modelo Americano
E o que prevê então este modelo? Algo muito semelhante, na verdade, o que dá força à previsão – é consistente com o surgimento de altas pressões sobre boa parte da Europa, com foco no Norte, o que leva a que a Sul haja um pouco mais de instabilidade (também visível nas previsões do modelo Europeu)
Além do calor, caso as previsões dos dois maiores modelos mundiais se confirmarem as poeiras serão frequentes. O calor no litoral poderá surgir com facilidade, pois a nortada pode ser muito suprimida pela elevada pressão!
Há, também, algo que salta à vista nestas previsões – a atividade tropical prevista é mínima em comparação com o normal – o que é totalmente compatível com o surgimento de um (super) El Niño

E NAS ILHAS?
Com um anticiclone a evoluir mais para Norte, poderá surgir uma tendência para precipitações mais frequentes que o normal nos arquipélagos – com o surgimento de perturbações mais frequentes entre os Açores e a Madeira
Claro que “acima do normal” pode significar muita coisa – não irá chover, obviamente, como no Inverno, mas pode haver mais episódios de precipitação (talvez em regime de trovoadas) que o habitual, com tempo abafado, e quente
O risco tropical parece ser, curiosamente, igual ou superior a outros anos, uma vez que na zona de desenvolvimento principal não é provável o surgimento de muitos furacões (como explicaremos de seguida), mas na região subtropical, onde se encaixam as nossas Ilhas, a probabilidade de formação de algo é mais relevante
Um Verão “tropical”, quente, por vezes húmido, abafado, e sempre com atenção à possibilidade de formação de algum sistema ciclónico – que esperamos, obviamente, que não surja. Ondas de calor\calor extremo podem ser muito prováveis na Madeira, e ficaríamos surpreendidos se não víssemos alguns recordes a serem quebrados

ATIVIDADE TROPICAL – ATLÂNTICO QUASE SEM FURACÕES EM 2026?

A temperatura da água do mar no Pacífico Equatorial Leste tem vindo a subir rapidamente, e há cada vez mais certeza que teremos um fenómeno El Niño intenso, conforme referimos já diversas vezes – eventualmente um Super El Niño
Este tipo de fenómeno leva à supressão da atividade tropical no Atlântico, com o aumento do cisalhamento de vento (que “corta” o crescimento da convecção, impedindo o fortalecimento de sistemas tropicais mesmo que a água do mar esteja muito quente). Assim, tipicamente, vemos menos furacões que o normal – sendo mais provável quanto mais intenso for o aquecimento no Pacífico. Obviamente algum pode escapar ao cisalhamento, e, caso o faça, mesmo numa temporada globalmente calma, ser um “outlier”
Se não há ciclones no Atlântico (o que acabam por ser boas notícias para Portugal, claro), haverá a regra do “equilíbrio” no nosso planeta – e, por outro lado, no Pacífico Noroeste, e talvez Nordeste, haverá maior atividade que o normal, e provavelmente mais intensa – com risco elevado de danos extremos em alguns locais habitualmente fortemente impactados – e onde estão localizados alguns dos centros económicos mais importantes do mundo
Assim teremos impactos nos ecossistemas, nas populações, e nas economias globais, já fragilizadas pelas guerras e assuntos geopolíticos, enquanto nos esquecemos da outra guerra: a guerra contra as alterações climáticas

O El Nino de 1877, a que este poderá ser comparável, ou superior, teve um impacto brutal no planeta, com a morte de 3 a 4% da população mundial, devido à fome, com secas extremas e episódios extremos com impacto muito significativo nas culturas. Em 2026 temos alguns meios para mitigar esses riscos que não havia há 150 anos atrás, mas o fenómeno pode causar extremos ainda maiores
Para a vida marinha será terrível, com destruição dos corais em diversas regiões, e morte de populações de várias espécies (os pinguins nas Ilhas Galápagos, por exemplo, com a falta de nutrientes que a água demasiado quente pode trazer)
Assim estaremos atentos nos próximos meses a vários fenómenos que prometem trazer condições duras, e que devemos encarar com preocupação e seriedade: há potencial para efeitos catastróficos para as populações, especialmente em zonas mais desfavorecidas, e não devemos menosprezar isto, nem dizer com meias palavras, por mais alarmante que as palavras sejam

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