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A pergunta que mais nos têm feito já tem resposta – o calor chega por volta de 18-20 de Maio, e virá de forma brusca e intensa. Cada vez mais parece que no nosso país há apenas duas estações do ano, uma fria\húmida, e uma muito quente\tórrida, e este ano voltamos a verificar isso
Há um consenso tremendo (para não dizer total) que iremos verificar temperaturas máximas da ordem dos 35ºC nos locais mais quentes, talvez até mesmo 36-38ºC. Há, também, alguns modelos meteorológicos a mostrarem algo ainda mais quente, com possibilidade de tocar no número redondo: 40ºC, ainda em Maio (a acontecer seria um recorde…)
Mas o que explica este calor repentino, num Maio que parece que estava a caminhar para ser dos mais frescos e húmidos já registados? Bem, a verdade é que o sol é “sempre o mesmo”, e já vai alto a caminho do solstício de Verão, e com muito potencial de aquecimento. As nuvens não têm permitido, porque o anticiclone tem andado afastado, e temos tido um regime de ventos do quadrante Norte, e massas de ar polar marítimo. Agora, com a chegada das massas de ar mais quentes, era inevitável a subida
Os regimes atmosféricos no Atlântico vão virar de forma brusca: a alta pressão na Gronelândia desaparece, e surgem baixas pressões no seu lugar, e é esse processo que irá desencadear toda a alteração – essas depressões irão empurrar o anticiclone para leste, para “cima” da Europa Ocidental, que verá assim o ar quente regressar
De notar que a forma exata como tudo se irá desenvolver é ainda incerta – podem ser 2\3 dias mais quentes, e rapidamente regressar algo mais fresco, ou então algo mais prolongado e intenso – cenário antecipado, por exemplo, pela última atualização determinista do modelo Europeu IFS

CALOR INTENSO – QUE TEMPERATURAS ESPERAR NA SUA REGIÃO?
Obviamente o calor vem, e vem para todos, mas não da mesma forma – como é absolutamente normal no nosso país. Há sempre quem se queixe “afinal não há calor nenhum!”, enquanto outros se queixam que o calor é excessivo… o nosso país é pequeno, mas cheio de contrastes
Para já, e olhando aos modelos de previsão, há algumas conclusões que podemos tirar, entre as quais:
- O fluxo de ventos pode ser de Sudoeste, inicialmente, o que também levará algum calor ao litoral, mas, habitualmente, favorece o calor no Interior, onde os valores podem disparar mais rapidamente
- Assim, se vive nos locais tradicionalmente mais quentes prepare-se para ver, entre 20 a 22\23 de Maio, os termómetros a tocarem nos 34-37ºC, com noites também elas bem quentinhas (possivelmente tropicais)
- No litoral pode contar com valores de 21 a 24ºC, mais normais, mas quentinho. Dificilmente haverá nevoeiros, mas é algo a acompanhar
Esta primeira fase fica marcada por uma depressão a Oeste, perto dos Açores, que irá ser interessante de seguir, e que pode alterar o que vem depois: caso acabe por “colapsar” e ficar isolada em altitude a Oeste do território, o resto do mês pode acabar por ser muito quente (40ºC), e o vento leste pode surgir, com mais calor também no litoral
Ainda assim há outros cenários possíveis, entre os quais um arrefecimento relativamente rápido devido à aproximação dessa mesma depressão, ou um 50\50, em que há algum calor, mas também trovoadas e poeiras. Para já podemos confirmar o calor durante uns 3\4 dias (20 a 22\23 de Maio), sendo necessário acompanhar o que virá efetivamente…

O QUE PODE VIR NO FINAL DO MÊS? E COMO ESTÁ A EVOLUIR O EL NIÑO?
O final do mês de Maio será certamente interessante de seguir, até porque estaremos mesmo a entrar no Verão climático (que começa a 1 de Junho), e começaremos a perceber de que forma essa estação vai entrar – de acordo com as previsões sazonais (amena\húmida no início), ou com o calor a apertar “em força”
Para já os regimes atmosféricos previstos, com a MJO a passar pelas fases 5\6, parecem propiciar mais que o calor seja, para já, algo temporário, com o anticiclone a perder força novamente mais perto do final do mês, afastando-se de novo para Oeste, e permitindo novas incursões mais frescas. No entanto, a esta distância, há muito que pode acontecer
Este ano é particularmente importante perceber como se vai organizar a atmosfera no Verão, pois será um ano com elevado potencial para calor extremo – até porque temos um El Niño em rápido desenvolvimento, e a temperatura global vai começar a “disparar” em breve. Além disso teremos também um risco maior que o normal de incêndio, com forte crescimento vegetativo nas últimas semanas húmidas
Teremos mais informações em breve, mas para já, a nossa previsão aponta para algo do género
- Calor intenso de 20 a 23 de Maio, com temperaturas localmente acima de 35ºC (probabilidade acima de 90%)
- Possibilidade de continuação ou reforço de calor entre 24 a 27 de Maio (probabilidade 50\60%), sendo igualmente possível que as temperaturas venham a descer um pouco, e possa haver alguma instabilidade se a depressão se aproximar mais
- Descida das temperaturas no final do mês, para valores dentro ou abaixo do normal (sujeito a confirmação)

Sobre o El Niño (que será, com cada vez maior probabilidade), um El Niño forte, ou mesmo um super El Niño (com probabilidade crescente de algo extremo), há pouco a dizer que não tenhamos já dito: devemos estar preparados para extremos
As projeções atuais variam entre 2.5 a 4ºC de anomalia de temperatura na zona ENSO 3.4, o que colocaria este episódio entre os mais fortes já registados, rivalizando com fenómenos de El Niño históricos, incluindo o de 1877, que, infelizmente, causou morte e fome, com calor e seca extremos
As médias dos principais modelos apontam para algo a rondar os 3ºC, o que efetivamente faria deste o El Niño mais forte já registado, mas ainda há margem para alterações – para o bem, ou para o mal. Seja como for, não fugiremos de alterações profundas a nível global
Para Portugal, em específico, evitamos fazer qualquer previsão – é demasiado incerto. Para o planeta? Certamente que teremos um aumento brutal da temperatura em 2027 (o pico do fenómeno deve ser no final do ano, mas normalmente sente-se o aumento da temperatura do ar apenas alguns meses depois). Devemos estar preparados para algo como nunca assistimos, com o quebrar provável da barreira dos 2ºC de aquecimento, e mais fenómenos extremos, de todo o tipo. Estaremos a acompanhar e atualizaremos caso algo se altere
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