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O tempo em julho arranca “onfire”, sob a influência direta de uma massa de ar muito quente, que provoca uma onda de calor severa, que promete marcar a primeira quinzena do mês. Os modelos meteorológicos indicam que este episódio de calor intenso se manterá pelo menos até aos dias 8 a 10 de julho, existindo uma ameaça de prolongamento até aos dias 13\14. Esta persistência do calor pode ser para o mês todo? Há sinais de alarme…
Esta dinâmica atmosférica é alimentada por um oceano Pacífico Noroeste muito ativo, com o surgimento de convecção ativa, que continua a bloquear a Oscilação Madden-Julian (MJO) nas fases 7\8, e a prender a circulação global num padrão altamente favorável ao calor na Europa. Não descartamos um verão recorde no Continente Europeu, no geral. Contudo, importa recordar que Portugal é apenas um pequeno cantinho perto do Atlântico, podendo eventualmente ficar resguardado, como aconteceu na onda de calor de 20-28 de junho
As simulações a médio prazo dos modelos ECMWF e CFSv2 mostram uma concordância interessante para a segunda metade do mês. Ambos os centros de previsão (Europeu e Americano) sugerem que por volta do meio do mês ocorrerá um alívio temporário no calor em Portugal (que muito agradecemos!). Isto deve-se a um enfraquecimento da alta pressão Atlântica, estabelecendo-se um anticiclone mais a Norte
Para dias 20 em diante, sensivelmente, há sinais para o restabelecimento de um anticiclone dos Açores robusto, com as altas pressões a estenderem-se invulgarmente em crista em direção ao Norte da Europa. Esta configuração reduzirá a frequência da típica nortada na costa ocidental, resultando num mês que, em média, será muito quente em todo o território nacional
Com esta tendência de bloqueio anticiclónico e fluxos continentais, Portugal Continental enfrenta um dos meses de julho mais secos e quentes da sua história recente. A ausência de frentes atlânticas deve significar menos precipitação que o habitual. Reformaços a importância do acompanhamento regular das atualizações, tanto da Luso Meteo como IPMA e ANEPC, dado o risco para a saúde, e risco de incêndio, que todos podemos, e devemos, tentar mitigar

TEMPO EM JULHO DE 2026 – SERÁ CALOR DO INÍCIO AO FIM?
O padrão de bloqueio atmosférico instalado sugere que o calor poderá, efetivamente, dominar a esmagadora maioria dos dias deste mês. No entanto, parece (quase) impossível e impensável manter temperaturas de 45ºC de forma ininterrupta ao longo de todo o mês. Haverá, com toda a certeza, dias mais frescos, e quem sabe até episódios de instabilidade, mas o a média final será sempre com anomalias de temperatura positivas, significativas
Os indicadores a médio e longo prazo mostram que uma nova onda de calor de grande intensidade poderá surgir logo após os dias 18 a 20 de julho. A configuração sinótica prevista aponta para um posicionamento de altas pressões muito semelhante ao que se viveu no final de junho, voltando o ar quente Africana a ser puxado para a Europa (veremos que zonas…)
Toda a Europa Ocidental e Central deverá manter-se em vigilância devido a este sinal, recorrente nos modelos, pois a qualquer momento algo do género se pode repetir, seja cá, ou em outros países já muito afetados pelo calor este ano. De notar que, dada a previsão de altas pressões a Norte, é interessante que as maiores anomalias sejam no Norte e Centro, e até no litoral – muitas vezes se queixam de falta de calor, este ano pode ser excessivo…

Embora a distância temporal exija prudência na interpretação das cartas e teleconexões atmosféricas, é óbvia a ameaça de calor intenso, por vezes recorde, e que pode, ocasionalmente, vir acompanhado de trovoadas intensas, no Interior. É uma situação a Luso Meteo irá acompanhar e detalhar em futuras atualizações
Independentemente das oscilações semanais, a tendência dominante para este mês de julho de 2026 é de uma persistência de calor muito acima do habitual. Os períodos de transição entre massas de ar podem ser mais curtos e pouco significativos, impedindo que os nossos organismos recuperem, com menos horas de sono, e menor qualidade, igualmente
Haverá também um risco de incêndio mais elevado que o normal, que deve ser gerido pelas autoridades, mas no qual nós, cidadãos, também temos um papel fundamental, evitando comportamentos de risco, e contactando de imediato as autoridades no caso de avistarmos fumo\fogo

E NAS ILHAS, COMO SERÁ?
No arquipélago da Madeira, a previsão mensal aponta para um cenário de enorme estabilidade atmosférica e tempo seco ao longo de quase todo o mês. Com a influência direta das altas pressões, pode mesmo haver dias pontualmente muito quentes, com as massas de ar quente a fazerem incursões ocasionais na região, que podem elevar as temperaturas bem acima dos valores médios habituais para a época do ano
Por outro lado, o arquipélago dos Açores deverá enfrentar um padrão meteorológico um pouco mais dinâmico, e potencialmente húmido. Espera-se a ocorrência ocasional de períodos de maior precipitação e céu muito nublado, uma consequência direta da expectável deslocação prevista do anticiclone para latitudes mais a Norte, e influência de algumas perturbações
Choverá muito? É algo duvidoso, mas o aquecimento pronunciado das águas subtropicais do Atlântico introduz um fator de risco adicional na região dos Açores. Os modelos sazonais não o mostram especificamente mas há uma probabilidade de génese tropical ou subtropical nas proximidades do arquipélago, principalmente para o meio do mês em diante. Para já, importa sublinhar que estes cenários não apresentam qualquer risco evidente imediato, é apenas uma tendência
Este julho será, portanto, marcado por uma dualidade entre os dois arquipélagos. Enquanto a Madeira terá muito sol, e tempo quente, semelhante a Portugal Continental, os Açores estarão numa zona de transição e potencialmente com mais humidade. A chuva pode aparecer, por vezes, mas destacamos também que o tempo pode ser mais abafado que o normal. Se vai viajar para as Ilhas deve sempre ter em conta que o tempo é uma “caixinha” de surpresas, particularmente nos Açores, onde por vezes há 4 estações no mesmo dia!

RESUMO DA PREVISÃO MENSAL LUSO METEO – JULHO DE 2026
A precipitação deverá registar uma anomalia negativa em todo o território Continental, devendo ser assim considerado como um mês seco. Com elevada incerteza, os Açores podem aproximar-se mais da média, enquanto na Madeira não existe um grande sinal estatístico significativo – provavelmente seco mas algumas perturbações ocasionais podem trazer aguaceiros
As temperaturas fixam-se claramente acima da média climatológica em todo o território nacional, surgindo pontualmente valores muito acima do normal. O mês será condicionado por uma primeira onda de calor de longa duração inicial, existindo a forte probabilidade de uma segunda vaga intensa na segunda metade do período. Não descartamos que seja o Julho mais quente já registado
A água do mar vai aquecer para valores muito elevados na costa Ocidental devido ao fluxo persistente de leste, proporcionando dias de praia excecionais ao longo de uma parte importante do mês. Espera-se menos dias de neblina matinal, e menos nortada do que é habitual para o mês de julho

Artigo publica e revisto por Fábio Félix | Luso Meteo às 8:05h, 1 de julho de 2026
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