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Início»Análise Climática»Um “Super El Niño” está a caminho, e pode alterar drasticamente o clima nos próximos meses- saiba o que revelam as últimas atualizações para 2026
Análise Climática

Um “Super El Niño” está a caminho, e pode alterar drasticamente o clima nos próximos meses- saiba o que revelam as últimas atualizações para 2026

Luso MeteoPor Luso Meteo24 de Abril de 2026Sem comentários6 min de leitura15.350 Visualizações
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Um "Super El Niño" está a caminho, e pode alterar drasticamente o clima nos próximos meses- saiba o que revelam as últimas atualizações para 2026
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Conteúdos

  • 1. O QUE SE DEVE “TEMER” CASO SE CONFIRME UM “SUPER EL NIÑO”?
  • 2. IMPACTO NA ÉPOCA DE FURACÕES NO PACÍFICO

Se tem visto as notícias nos últimos dias, certamente já reparou que não se fala de outra coisa: um “Super El Niño”. O fenómeno El Niño é agora certo (diríamos mesmo que é uma questão de dias até ser anunciado oficialmente), e os modelos meteorológicos estão cada vez mais “extremos” na previsão de intensidade – o que quer isto dizer? Problemas, muitos problemas, infelizmente…

Como já dissemos várias vezes em artigos anteriores, o fenómeno El Niño não tem uma ligação direta com o tempo em Portugal, e, por isso, não iremos explorar os efeitos no nosso país neste artigo, pelo menos como efeito direto. Contudo, a nível global, os efeitos são muito significativos, e podem levar alguns locais para situações potencialmente catastróficas – com extremos muito mais acentuados (temperaturas, chuva, tempestades…)

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O El Niño, ou oscilação do Sul El Niño (ENSO) é um fenómeno recorrente, tendo ocorrido pela última vez em 2023\24 (um fenómeno também considerado forte). Em 2026, contudo, o fenómeno pode atingir proporções muito mais significativas – se em 2023-2024 tivemos um pico de 2ºC de anomalia de temperatura no Pacífico Equatorial Leste, em 2026, segundo boa parte dos modelos, podemos ter algo próximo de 3ºC, ou até um pouco acima – tornando este o episódio mais intenso em 100 anos

Claro que há incerteza, mas temos alguma confiança para fazer esta previsão – La Niña desapareceu exatamente como previsto, o que demonstra que os modelos estão a perceber bem o aquecimento que está a acontecer, e vemos já os percursores deste fenómeno em formação rápida – o que também demonstra que os modelos meteorológicos estão a analisar bem esta situação, dando força e confiança à previsão efetuada pelos mesmos

Assim, e se tudo continuar a evoluir conforme o previsto, e modelos como CFS ou ECMWF estiverem corretos, podemos ter uma situação muito complexa a vários níveis – com uma enorme massa de água a acumular calor, que será depois libertado para a atmosfera, que cada vez mais tem incapacidade para a reter – as consequências podem ser dramáticas em algumas regiões, infelizmente

Super El Niño? - média de vários modelos, incluindo ECMWF, por volta de 2.5 a 3ºC de anomalia SST
Super El Niño? – média de vários modelos, incluindo ECMWF, por volta de 2.5 a 3ºC de anomalia SST

O QUE SE DEVE “TEMER” CASO SE CONFIRME UM “SUPER EL NIÑO”?

Se em 2024 e 2025 já tivemos valores de temperatura global por volta de 1.5ºC acima da média da era pré-industrial, os próximos anos podem trazer algo muito mais significativo – com valores que podem aproximar-se dos 2.0ºC, tendo em conta o que conhecemos da física no nosso planeta. Estes são valores que podem precipitar alterações drásticas e potencialmente catastróficas, entre as quais

  • Fortes impactos na saúde pública, com ondas de calor muito mais violentas e prolongadas – O Sudeste da Ásia tende a ser uma das regiões globais com maior impacto, com recordes de temperatura, calor opressivo (muito húmido). Este calor extremo pode ocorrer noutras regiões, embora seja mais imprevisível
  • Com o aumento das temperaturas em latitudes cada vez mais a Norte, existe a possibilidade de propagação de doenças previamente conhecidas como doenças de regiões tropicais – como Dengue ou Zika
  • A atmosfera “aguenta” mais água precipitável conforme a temperatura aumenta – com um aumento de 7% por cada 1ºC. Isto significa que o potencial para inundações extremas e cheias potencialmente destrutivas aumenta. Novamente são situações regionais, havendo uma correlação significativa que aponta para precipitação muito acima da média na América do Sul
  • Algumas regiões podem ter secas muito significativas (o “corno” de África é uma das regiões muitas vezes afetada)
  • Aumento do degelo, e subida do nível médio do mar – que agora pode começar a ser mais notável, quando comparado com o aumento dos últimos 25 anos

Com tudo isto os impactos socio-económicos são muito significativos: aumento de doenças, aumento do preço de alimentos (e potencial escassez), devido a quebras na produção devido ao clima extremo, aumento de refugiados climáticos, entre outros

Assim só podemos esperar que as piores previsões não se concretizem, mas, infelizmente, mais cedo ou mais tarde estas barreiras, ou “pontos de não retorno” serão alcançados, pelo que devemos desde já preparar para o pior

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Tendência para seca extrema nos próximos meses no Sudeste da Ásia, com calor muito intenso
Tendência para seca extrema nos próximos meses no Sudeste da Ásia, com calor muito intenso

IMPACTO NA ÉPOCA DE FURACÕES NO PACÍFICO

Como já referimos anteriormente, o efeito de El Niño na temporada de ciclones tropicais no Atlântico é até “positiva” – com tendência a reduzir a frequência de formação de tempestades, e limitar a intensidade máxima (teórica) das mesmas

Contudo isso não se verifica em todos os Oceanos – no Pacífico Noroeste ocorre o oposto – e a tendência dos modelos meteorológicos tem sido clara: aumento da atividade tropical nesta região entre abril e novembro

Isto é algo característico de anos El Niño. Não descartamos que possa haver, então, até 2 vezes mais tempestades que o normal, e sobretudo mais intensas, com risco evidente de algo extremo (tufões com pressão mínima <900hPA e ventos >300km/h). Impactos prováveis no leste da China, Taiwan, Filipinas, Japão, entre outras regiões na zona

Também no Oceano Índico há uma tendência habitual para aumento da atividade ciclónica em regiões próximas da Costa (Bangladesh, Índia…), com tendência para intensificação rápida de ciclones

Tudo isto são situações com potenciais impactos nas populações locais, mas também a nível global, com impacto económico significativo se algum destes ciclones mais intensos atingir regiões densamente populadas e industrializadas no Leste Asiático

Mais atividade tropical que a média no Pacífico - notável a previsão do modelo Europeu
Mais atividade tropical que a média no Pacífico – notável a previsão do modelo Europeu

Há outras situações a considerar, dependentes da duração e intensidade do episódio, incluindo mesmo a possibilidade de um “Blue Ocean Event”, em que o Ártico fica (quase) sem gelo no Verão – um cenário que admitimos como pouco provável para já, mas que seria um sinal claro de mudanças potencialmente irreversíveis

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