O calor está para ficar em Portugal! Apesar das previsões meteorológicas de médio e longo prazo serem, inevitavelmente, sujeitas a alterações (e desta vez a mudança foi bastante significativa), parece agora mais provável que o calor ainda esteja para durar pelo menos 10-15 dias… Era expectável que, depois de 17 a 20 de setembro, começassem a surgir sinais mais claros de alteração do padrão atmosférico, com maior influência atlântica e possibilidade de episódios de instabilidade ou precipitação, mas não se verificou
Alguns modelos chegaram a sugerir uma maior aproximação do jato polar, com redução da influência anticiclónica nas nossas latitudes e circulação depressionária a conseguir descer um pouco mais para Sul. Também existiam sinais de maior atividade ciclónica no Atlântico. Contudo, esse cenário foi desaparecendo das sucessivas atualizações e, pelo menos até à última semana de setembro, o anticiclone parece continuar a dominar
Também a atividade tropical no Atlântico continua extraordinariamente reduzida. Até agora foram registadas apenas cinco tempestades tropicais e nenhum furacão, com energia ciclónica acumulada extremamente baixo, numa altura em que Atlântico atingiu o pico da época sem qualquer furacão formado, algo que nunca tínhamos observado!. É mais um elemento que ajuda a explicar a ausência de grandes mexidas na circulação no Atlântico Norte
Assim, para já, o tempo quente vai continuar, e poderá voltar a intensificar-se. Depois de uma descida temporária das temperaturas a meio do mês, os termómetros deverão voltar a subir à medida que nos aproximamos do início do outono astronómico. Entre, aproximadamente, 18 e 23/25 de setembro, poderá ocorrer um novo pico de calor, não sendo de excluir máximas próximas dos 40 ºC nos locais tradicionalmente mais quentes, dependendo da intensidade da massa de ar, e regime de ventos
Trata-se de uma anomalia enorme para a segunda metade de setembro e, mantendo-se a tendência atual, setembro poderá terminar entre os meses mais quentes em registo, e com mais uma onda de calor neste ano recheado delas… Pode ser também bastante seco em muitas regiões. Ainda persiste algum sinal de possível mudança antes do final do mês, mas a nossa confiança nesse cenário é agora muito mais reduzida

CALOR ATÉ PERDER DE VISTA – ATUALIZAÇÃO
Neste momento não existe um sinal consistente para o fim do calor! Pelo contrário, as previsões de médio prazo mostram persistentemente temperaturas acima do normal durante praticamente toda a segunda quinzena de setembro, com maior confiança até aos dias 23 a 25. Este sinal para tempo quente abrange praticamente todo o território Continental, sendo que nas mais recentes “corridas operacionais” os modelos mostram dias muito quentes também no litoral
Obviamente que isto não significa que todos os dias sejam extremamente quentes! A meio do mês poderá haver alguma entrada de ar marítimo, com neblina ou nuvens baixas, especialmente no litoral Norte e Centro, permitindo uma descida temporária das máximas. No entanto este período deve ser relativamente curto, seguindo-se novamente muito sol e tempo seco, incluindo junto ao litoral, com vários dias potencialmente excelentes para praia (pouco vento, calor, água quentinha…)
Também é assinalável a ausência de um sinal consistente de precipitação ou instabilidade, mesmo quando verificamos as previsões de ensembles. Neste momento, e sabendo que ainda pode mudar, a probabilidade de precipitação parece inferior a 20% para os próximos 10 dias, para qualquer local do território. Nem frentes, nem “cut-offs”, o que significa que tanto o litoral estará a salvo da humidade do Atlântico, como o Interior da instabilidade típica desta região, nesta altura do ano

O sinal anteriormente existente, e identificado pela Luso Meteo, para uma maior aproximação da circulação polar, perdeu muita força… As depressões atlânticas deverão tornar-se gradualmente mais profundas e frequentes, o que é perfeitamente normal à medida que avançamos no calendário, mas a circulação mais ativa continua demasiado a Norte, com uma dorsal anticiclónica suficientemente robusta para desviar as frentes para latitudes superiores
Assim, continuamos com tempo de Verão até perder de vista. Haverá oscilações de temperatura, alguma nebulosidade costeira e dias ligeiramente menos quentes, mas a tendência dominante deverá continuar a ser de muito sol, precipitação escassa ou inexistente e temperaturas acima do normal. E, neste momento, até o início do outono astronómico poderá decorrer com ambiente plenamente de Verão, pelo menos mais uns dias…

MESMO PARA OUTUBRO… MUDANÇA NÃO É GARANTIDA
Outubro poderá naturalmente trazer alterações, como é climatologicamente expectável, mas nem mesmo aí existe neste momento garantia de uma mudança rápida e definitiva… Os modelos continuam a mostrar um sinal para temperaturas acima da média, com um regime ainda a favorecer alguma presença anticiclónica
Tem havido também alguma tendência nos modelos para a possibilidade de surgirem movimentos ascendentes do ar em zonas subtropicais e tropicais do Atlântico, que podem tornar-se mais favoráveis ao desenvolvimento tropical ou subtropical. Caso algum destes potenciais sistemas consiga organizar-se poderá alterar substancialmente a distribuição das altas e baixas pressões e, consequentemente, abrir “novas possibilidades “para a circulação atmosférica na Europa Ocidental

Teremos, mais cedo ou mais tarde, uma situação de transição, obviamente, uma vez vez que o jato polar tende sempre a intensificar, e as depressões Atlânticas igualmente… Assim, o verdadeiro tempo de outono acabará por chegar… quando? Não sabemos! A primeira quinzena de outubro poderá ainda apresentar períodos, mais ou menos prolongados, de estabilidade e calor (mas sempre com o risco de viragem repentina, claro!)
Também não alteramos, para já, a nossa perspetiva geral para o restante outono e inverno. Continuamos a considerar provável um outono globalmente mais chuvoso, apesar deste arranque bastante seco, e temos maior confiança num inverno muito chuvoso, mas tendencialmente ameno. Naturalmente, previsões sazonais são “apenas” tendências e não permitem garantir nada… ficaríamos no entanto surpreendidos se enfrentássemos um outono e inverno seco – tudo pode acontecer, mas não é nada provável!
Por fim, a época tropical atlântica de 2026 está a ser historicamente calma, embora seja mais rigoroso dizer que estamos a observar um início sem furacões até meio de setembro, algo sem precedentes, e não que seja já “a época mais calma desde que há registos”, uma vez que, entre setembro e novembro ,ainda podem formar-se ciclones e, nesta fase da época tropical, eventuais ciclones no Atlântico subtropical podem ocasionalmente aproximar-se mais da Europa. Felizmente, impactos diretos de ciclones tropicais em Portugal continuam a ser acontecimentos pouco frequentes, mas é algo a vigiar

Previsão elaborada por Fábio Félix | Luso Meteo às 9:02H de segunda 14 de setembro de 2026
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