As previsões meteorológicas para dezembro continuam consistentes com aquilo que temos vindo a informar nas últimas semanas – e a previsão mensal indica que vamos ter chuva, muita, e em algumas regiões poderá mesmo entrar para a história como um dos dezembros mais chuvosos de sempre (em registo, perceba-se, claro). Há alguma dúvida numa possível transição de padrão, que iremos discutir neste artigo, contudo não há dúvidas que se deve preparar para muita água!
Como sempre, contudo, a precipitação não irá cair da mesma forma em todos os locais – a região Sul, com o regime atmosférico previsto, terá sempre menos precipitação – pelo menos na primeira quinzena – depois muito pode acontecer, com as previsões incertas para a segunda quinzena, à medida que podemos registar um novo aquecimento súbito da estratosfera (SSW)
No fundo temos dois principais “motores” do clima em “batalha” – a convecção tropical (MJO), que está a entrar nas fases 7\8, ou seja convecção aumentada no Pacífico, costuma favorecer um padrão de bloqueio, com o anticiclone mais a Norte, e mais frio, talvez mais seco. Contudo os ventos polares em altitude (jato polar) está mais forte que o habitual, e o Atlântico muito ativo!
Assim as depressões ativas acabam por se mover mais para Sul, forçadas pela pressão relativamente alta a Norte, e circular nas nossas latitudes – dando assim lugar à passagem de diversas frentes Atlânticas, por vezes arrefecimento e neve, e por vezes vento intenso. Estas áreas de baixa pressão podem afetar todo o país, tanto o Continente como as Ilhas, e podem ser especialmente intensas no Noroeste da Europa (Reino Unido, Noroeste de França…)
A segunda quinzena pode trazer algo mais frio, mas há dúvidas se a chuva se mantém, ou se entramos em algo mais seco. Face a essa dúvida deixamos a interrogação: Será este o mês de dezembro mais chuvoso em registo? Provavelmente vai depender da segunda quinzena, mas… é uma possibilidade

PREVISÃO MENSAL – DEZEMBRO DE 2025 – PRIMEIRA QUINZENA
Situação cada vez mais definida, e daí também algum atraso na publicação desta habitual previsão – estávamos a aguardar mais certezas para podermos efetuar uma previsão mais fiável! Agora que, aparentemente, há algo mais certo, dizemos sem grandes dúvidas que, no Norte e Centro, a anomalia de precipitação será notável!
Os modelos subsazonais (semanais) do ECMWF mostram-nos precipitação muito acima da média tanto na primeira como segunda semanas de dezembro, sendo que terá mais foco no Norte do país, pelo menos inicialmente, mas pode vir a deslocar-se também para Sul – com valores menos elevados, contudo
O ensemble do ECMWF (EPS) mostra já, no cenário médio, uma das melhores ferramentas que temos para previsão, cerca de 400l\m2 no Minho – um valor importante – e cerca de 100l\m2 na generalidade a Norte do Tejo. A Sul irá chover menos mas, ainda assim, com valores até 80l\m2, algo mais próximo da média

A precipitação irá verificar-se intercalada com períodos mais secos, mas curtos, na transição entre as várias depressões que irão surgir – queremos com isto dizer que irá chover intensamente, seguido de um período de algumas horas ou 1 dia seco, e depois, novamente chuva intensa, e assim sucessivamente
Será necessário acompanhar o potencial para algum episódio de vento mais intenso, para já sem grande previsão disso, com o mar constantemente agitado
Se vive nos AÇORES deve contar, também, com muita precipitação, começando logo por volta de dia 6 de dezembro, e prolongando-se quase toda a primeira quinzena – com acumulados totais também aqui muito significativos. Por vezes pode mesmo haver algum episódio de vento intenso e mar muito agitado
Esta situação terá a mesma particularidade que no território Continental – períodos intensos de forte precipitação, seguidos de breves períodos de acalmia
Assim, tanto nos Açores como no Continente mais de metade dos dias na primeira quinzena de dezembro serão chuvosos, um ou outro dia pode ter sol, mas nunca se irá prolongar, e, por vezes, pode haver situações de tempo mais adverso

Na MADEIRA o fluxo de depressões mais a Norte não deverá, assim, traduzir-se, em precipitação muito significativa – podendo, ainda assim, haver um ou outro dia com precipitação mais intensa no arquipélago
Contudo as previsões atuais indicam que deve ficar abaixo da média na “peróla do Atlântico”, sendo que as temperaturas podem permanecer acima da média – isto pelo menos até dia 10 de dezembro
Após esse dia, e durante a segunda quinzena, como iremos já analisar de seguida, o regime atmosférico torna-se mais complexo, e a incerteza irá aumentar, pelo que pode vir a chover mais e\ou haver algum episódio mais frio. Para já, no entanto, nada concreto

PREVISÃO PARA A SEGUNDA QUINZENA – MUDANÇAS?
Como referido inicialmente neste artigo, na segunda quinzena de dezembro temos várias variáveis que se irão alterar, e, por essa razão, a previsão torna-se bastante mais complexa – sendo mesmo, de momento, praticamente impossível de dar qualquer certeza
Os modelos meteorológicos também demonstram esta incerteza, não tendo ainda um sinal estatístico forte a favorecer qualquer um dos regimes no Atlântico – por um lado o anticiclone parece permanecer mais fraco na região dos Açores, mas, por outro lado, o contínuo fluxo de Sudoeste pode levar a altas pressões sobre a Europa Central e\ou Ocidental
Se acabar por surgir um bloqueio podemos assistir a mais frio, mas tendencialmente tempo mais seco – se, por outro lado, o jato polar permanecer intenso teremos a continuação de chuvas persistentes
Parece ser mesmo esse o cenário mais provável, tanto para Portugal Continental como para os Açores – e, se assim for, este será de facto um dezembro “para recordar” em termos de precipitação. Dada a incerteza, no entanto, o melhor é mesmo seguir as nossas informações a curto e médio prazo para atualizações

Conforme referido, na MADEIRA, a dúvida é ainda maior, pois poderá chover caso efetivamente o jato polar consiga descer mais em latitude, com o reforço das altas pressões a Norte. Ainda assim, e segundo as últimas projeções, é mais provável que haja 1\2 episódios de precipitação intensa, e no resto dos dias acabe por permanecer soalheiro
O risco de tempestades com chuvas intensas e enxurradas é maior nos meses de dezembro a fevereiro, na Madeira, historicamente, sendo este tipo de regimes atmosféricos os que mais favorecem situações pontuais de tempestade, com chuva torrencial, e excessiva em curtos espaços de tempo. Mesmo não havendo, para já, nada previsto, é melhor apostar na prevenção, uma vez que as previsões estão bastante incertas a mais de 3\4 dias, e pode surgir algo muito rapidamente
As temperaturas devem ficar geralmente acima da média, mas à medida que o mês avança, e com probabilidade de manutenção de ventos de Nordeste, é possível que a anomalia vá diminuindo, não se descartando mesmo um final do mês com temperaturas dentro ou abaixo da média, algo que já não acontece no arquipélago há algumas semanas

Muito obrigado pela leitura desta informação e previsão, que esperamos que lhe seja útil!
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