Março muito seco? É essa a previsão mais recente do modelo Americano CFSv2, e, mesmo não sendo totalmente corroborada pelo modelo Europeu, o sentido não é muito diferente! Podemos confiar nesta previsão? Será mesmo assim?
Se já leram a nossa antevisão para as próximas semanas já devem ter reparado que não prevemos isso – apostando mais num cenário de gradual transição, com um período inicial de alguma chuva, mas nada de mais (final de fevereiro e início de março), e, depois, um período particularmente chuvoso algures entre 7 a 20-25 de março – indo totalmente “contra” o que os modelos mostram, efetivamente
Os modelos meteorológicos são muito úteis, e, sem dúvida, fundamentais nas previsões meteorológicas – mudaram por completo a forma como prevemos o tempo desde que surgiram! Contudo têm as suas limitações, e mesmo sendo constantemente aperfeiçoados, com melhorias na assimilação de dados, implementação de IA\ML (Machine Learning) e melhorias nas equações físicas, continuam com “imperfeições” – com os diversos modelos meteorológicos afetados por diferentes “bias”
Isto, resumidamente, significa que os vários modelos meteorológicos têm um “viés” constante em determinada direção, dependendo do cenário previsto, que é, obviamente, amplificado a longo prazo – e, por essa razão, fica difícil confiar em previsões a larga distância. Na realidade, para este inverno, mais de 2\3 das previsões previam que fosse seco – não podiam estar mais errados! Os meteorologistas, geralmente, tentam corrigir esse “viés” com conhecimento de cada modelo, e experiência, mas nem sempre será possível – há demasiadas variáveis, demasiadas incertezas…
Podemos usar os ensembles para determinar uma tendência, e, supostamente, os modelos ML, que, ao aprender com o que aconteceu no passado usando inteligência artificial, teriam melhores resultados – mas têm sido desastrosos! Assim, a resposta à pergunta “Podemos confiar na previsão de um Março muito seco?” é um redondo NÃO. No entanto continuem a ler para perceber porquê, e o que achamos que vai ocorrer!

RESUMO\ANÁLISE DAS ÚLTIMAS PREVISÕES PARA A PRIMAVERA
Com tanta informação, e tantos dados, pode ficar confuso perceber o que realmente pode vir, e como poderão ser realmente as próximas semanas. E, na realidade, é mesmo confuso, pois, infelizmente, não temos “bola de cristal”, e temos de tentar da melhor forma perceber como poderá evoluir a situação
Se quiserem perceber melhor o que está por detrás de tanta incerteza (para além, obviamente, da baixa fiabilidade de previsões dos modelos a longo prazo) continuem a ler para a próxima secção. Para já deixamos o resumo daquilo que é previsto pelos modelos, e aquilo que achamos que pode ocorrer
- As previsões dos modelos numéricos apontam para um Março geralmente entre o seco a normal (mais para seco), e com temperaturas dentro ou abaixo do normal (mais para abaixo!). A nossa previsão, contudo, que decidimos não alterar, aponta para um Março com mais chuva que o normal, e temperaturas com pouca variação em relação ao normal
- Este período chuvoso pode surgir entre a segunda e terceira semanas de Março – altura em que há sinais de algumas mexidas na atmosfera que, a esta distância, podem ser mal projetadas pelos modelos de previsão
- Para o resto da Primavera, e aqui já usando sinais estatísticos, é pouco provável que venha a ser muito seca, e mais provável que surjam mais períodos instáveis, por vezes frescos – não alteramos, assim, a nossa previsão anteriormente efetuada
Em jeito de resumo: Não devemos confiar nas previsões de tempo muito seco, mas não as devemos descartar também – o melhor é ir acompanhando, planear com a probabilidade de chuva em mente (em especial depois da primeira semana de Março), e esperar que possa não chover – não precisamos de chuva neste momento, especialmente se for prolongada…

MARÇO MUITO SECO? PORQUE É QUE PODE ACONTECER!
Apesar de termos dito que não devemos confiar na previsão de um Março muito seco, efetivamente essa previsão tem alguns sinais que a suportam – conforme referimos numa previsão anterior há elevada incerteza, levando a que pequenas mudanças possam levar a um cenário “8 ou 80” – que, invariavelmente, tem resultado num “80” em termos de chuva neste inverno
Contudo estamos a caminhar para a primavera, e, normalmente, algum dia a chuva terá de parar, como é óbvio, e, como já se devem ter apercebido, cada vez mais temos um clima de extremos – ora muito seco, ora muito chuvoso, ora muito frio, ora tórrido – pelo que não seria de estranhar uma série de meses muito secos e quentes para “compensar” os períodos frios e chuvosos do inverno
Mas, e voltando à análise, de facto, pelo menos para o início do mês há sinais claros que o vórtice polar se fortalece sobre o Ártico, e a troposfera responde de acordo, com a corrente de jato mais forte em latitudes mais altas, e um NAO+ clássico – com anticiclone a impedir boa parte da chuva, que pode cair apenas ocasionalmente, aquando de oscilações do jato polar, mais a Norte
Mas, como o vórtice polar é de previsão difícil, e será determinante no que poderá ocorrer depois, a previsão é muito pouco fiável após o início de Março – daí, de facto, poder ocorrer um Março muito seco – até porque, para já, os sinais apontam nesse sentido, não são apenas “invenções” dos modelos, contudo não devemos confiar – pois há elevada incerteza – olhemos às cartas do posicionamento do vórtice polar segundo o GEFS a +384H – ainda “tudo” é possível

A 7 dias as previsões a 10hPA são fiáveis – e, por essa razão, acreditamos que em fevereiro nada de mais já se irá passar, apenas alguma chuva ocasional, a começar no dia 25, e, sem certezas, a prolongar-se ocasionalmente, e mais a Norte, até final do mês – com descida das temperaturas a acompanhar
Entre o dia 7 e o dia 14 torna-se mais difícil de perceber a forma e posição do vórtice polar, e o nível de qualidade da previsão diminui – pelo que a incerteza aumenta – tanto na forma como se pode (ou não) alongar este mesmo vórtice, e quais os possíveis efeitos no estado do tempo – pelo que, para a primeira semana de Março, ainda tudo pode acontecer – continuaremos atentos à evolução
Após 14 dias torna-se MUITO mais incerto, e aí sim chegamos ao ponto em que olhar aos modelos se torna inútil, e o melhor é tentar “puxar da experiência” para perceber o que pode acontecer – e a experiência diz-nos que é provável, que, gradualmente, o vórtice polar se tente alongar para a Gronelândia\Canadá, favorecendo um regime mais ativo no Atlântico, e até um bloqueio em latitudes altas, voltando a abrir o fluxo marítimo para o nosso país – mais chuva e vento
Por outro lado, tendo em conta a previsão de anomalia positiva persistente (geopotencial 10hPA) sobre a Gronelândia e Canadá, com o núcleo frio do vórtice polar sobre a Escandinávia, pode ser possível um cenário de um anticiclone de bloqueio no Atlântico, e tendência para fluxo meridional (Norte-Sul), mais frio, e menos chuva
Deixamos esse cenário em aberto, pois é uma possibilidade (vista pelo modelo ECMWF, por exemplo), mas mantemos a previsão de que, efetivamente, pode chover mais do que a média, apesar do que dizem os modelos – iremos continuar a acompanhar a previsão!

E, quanto a si, o que acha que pode ocorrer? O que lhe diz a sua experiência (seja mais técnica ou “leiga”)? Conte-nos nos comentários, e diga-nos: Gostava que fosse uma primavera soalheira, ou mais instável?
Se encontrou este artigo no seu feed da Google Notícias\Discover clique em seguir\gosto (no símbolo ) para ver mais das nossas previsões e informações e não perder nada! Siga também a página Luso Meteo – Meteorologia e Clima, nas nossas redes sociais e na Google Notícias AQUI para mais atualizações e informações!
Se desejar ajudar com donativos para o projeto, para suportar custos de website\manutenção e serviços de subscrição para vos trazer o melhor conteúdo pode fazê-lo, ficamos muito agradecidos!, podendo fazê-lo através de MBWay para 918260961, ou IBAN para PT50 0007 0000 0029 3216 7422 3
Especial agradecimento à WebDig, o nosso serviço de alojamento do website – altamente recomendado, com uma fiabilidade e apoio incríveis!

