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GOTA FRIA – FENÓMENO QUE TRANSFORMARÁ O VERÃO EM OUTONO A PARTIR DA TARDE DESTA QUARTA – O QUE É?
O tempo em Portugal está prestes a sofrer uma mudança drástica, como já havíamos referido anteriormente. Uma bolsa de ar frio (gota fria), localizada a Noroeste do território e até agora bloqueada por um potente sistema de altas pressões, começa finalmente a movimentar-se em direção a leste. Este fenómeno, conhecido como gota fria, trará consigo instabilidade atmosférica nas próximas horas, dando assim início ao processo que afastará de forma gradual o calor intenso que se tem feito sentir
Em Portugal, especificamente, os efeitos desta transição serão sentidos de forma rápida, logo na tarde de quarta-feira, com instabilidade, com probabilidade de ocorrência de aguaceiros e trovoadas, localmente até mesmo mau tempo, com especial incidência nas regiões do Norte do país. Apesar dos modelos de previsão apontarem para valores de CAPE (Energia Potencial Convectiva Disponível) bastante elevados e significativos, há algumas dúvidas quanto à hora exata e à iniciação da convecção. Esta incerteza torna a previsão particularmente difícil
Nos próximos dias, as temperaturas vão estar abaixo da média climatológica para esta época do ano, com um ambiente algo outonal em junho. O “Verão será abruptamente interrompido” por um fluxo marítimo que trará humidade, vento do quadrante Oeste e uma sensação térmica mais baixa, para muitos aliviando o desconforto térmico. Também é verdade, no entanto, que, para outros, pouco muda, porque a verdade é que no litoral já tem estado fresco e relativamente húmido!
A dinâmica desta bolsa de ar frio é ainda incerta, mas garantidamente trará uma mudança. O ar fresco, ao colidir com a massa de ar quente instalada sobre a Península Ibérica, desencadeará a formação de nebulosidade vertical e instabilidade. O ingrediente principal para a mudança radical de padrão (energia convectiva) existe, mas a forma como se vai demonstrar é ainda dependente da trajetória exata da depressão
Desta forma, devem estar atentos às nossas atualizações, que serão feitas sempre que necessário, e que as previsões sofram alterações. Devem estar preparados com guarda-chuva, especialmente se vivem no Norte e Centro, tanto a partir de quarta, como durante o dia de quinta-feira, pois a probabilidade de precipitação é, efetivamente, elevada

O QUE ESPERAR DO TEMPO EM PORTUGAL?
Quarta-feira arrancará ainda com temperaturas elevadas no interior do país, onde o calor acumulado dos dias anteriores se fará sentir durante as primeiras horas da manhã. Contudo, a situação começará a alterar-se progressivamente, com o aumento gradual de nebulosidade, e a entrada de uma massa de ar bastante mais fresca (15ºC mais fresca!)
Durante o período da tarde de quarta, a instabilidade atmosférica começará, então, a ser uma possibilidade. Espera-se o desenvolvimento de aguaceiros que, ao final do dia, poderão ganhar uma intensidade muito significativa, especialmente na região Norte. Há o risco associado de trovoadas frequentes e queda de granizo nas zonas montanhosas, onde a orografia local pode amplificar o risco de algum fenómeno localmente mais severo – assim mostram as cartas de análise multi-modelo, embora por exemplo o HARMONIE-AEMET não concorde (e é um modelo MUITO bom)
A temperatura registará uma descida gradual e contínua ao longo de todo o dia, com o valor mais elevado bastante cedo no dia, num arrefecimento que se estende progressivamente a todo o país. Esta descida de temperatura é ainda mais acentuada na quinta-feira, com as mínimas da noite de quarta para quinta-feira a serem já bastante mais baixas, assim como as máximas na quinta
O contraste térmico entre o início da manhã e o final do dia mostra que a “gota fria” se instalou sobre o nosso território. Recomenda-se atenção aos avisos IPMA, para já em vigor ao final do dia de quarta e início da madrugada no Norte (Viana do Castelo, Porto, Braga e Vila Real), por chuva e trovoada, mas que, em análise de nowcasting, podem ser estendidos a mais locais

QUANDO REGRESSA O CALOR?
Continuamos sob o efeito de massas de ar mais frescas durante quinta e sexta-feira, mantendo-se o tempo bastante fresco. O forte efeito marítimo será o principal responsável estas temperaturas bem mais amenas, transportando uma massa de ar húmida. Especialmente no litoral, haverá uma forte persistência de nebulosidade baixa, neblinas e nevoeiros matinais, que demorarão a dissipar-se (se dissiparem!)
O cenário começa a mudar, novamente, durante o fim-de-semana, esperando-se uma subida gradual e progressiva das temperaturas. Este aquecimento inicial sente-se apenas nas regiões do interior, com a chegada de uma massa de ar um pouco mais quente, contrastando com o vento Norte fresco no litoral. Os termómetros deverão voltar a atingir a fasquia dos 35ºC, voltando a sentir-se o puro Verão na metade interior do território
As projeções para o final de junho e início de julho começam a mostrar sinais muito claros e consistentes do regresso de uma onda de calor. Os modelos, em geral, apontam para o estabelecimento de uma dorsal anticiclónica potente que poderá empurrar os termómetros para valores bastante elevados, atingindo marcas de 43ºC ou até mesmo superiores em alguns pontos do território. A estabilidade atmosférica regressará em força, também, com os céus mais limpos, com ar seco
Apesar destes sinais evidentes de calor intenso para o arranque do próximo mês, devemos alertar que ainda não existe uma certeza absoluta quanto aos valores máximos finais que serão atingidos, nem relativamente à duração exata da referida onda de calor. Os desvios nos modelos a mais de uma semana exigem cautela, como comprovou este evento recente. Dito isto, há muito maior consenso desta vez, com menores mudanças de atualização para atualização

E QUANDO TERMINA A ONDA DE CALOR NA EUROPA?
No resto do continente europeu, a situação é dramática, mas o pico desta vaga de calor sufocante será atingido entre o dia de hoje e o de amanhã em França e no Reino Unido. Ambos os países preparam-se para registar valores recorde e históricos. Apesar de menos provável, ainda existe probabilidade de 40ºC no Reino Unido, e, quanto a França, espera-se que se possam atingir uns impressionantes (e perigosos) 45ºC em alguns locais, que permanecem em estado de alerta máximo
Após este pico de calor, o ar mais quente será gradualmente empurrado para leste, pela progressão de uma depressão. Este movimento afastará o núcleo de calor extremo em direção ao centro da Europa, começando a afetar de forma severa países como a Alemanha e a Polónia, entre outros, da Europa Central (onde se esperam recordes, até 42ºC, também) Até mesmo a Escandinávia, muitas vezes poupada a estes extremos, verá valores de temperatura muito pouco comuns
Em França, contudo, o alívio não será imediato, e o calor intenso continuará a fazer-se sentir de formas significativa, embora em redução, pelo menos até sábado. A persistência destes valores extremos e a falta de arrefecimento noturno levam os especialistas a admitir que esta poderá ser classificada, de forma consensual, como a pior onda de calor de sempre na história do país, esperando-se impactos profundos na saúde pública e ecossistemas
Artigo publicado e revisto por Fábio Félix | Luso Meteo, a 23 de junho, pelas 07:22H
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