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O mau tempo regressa depois de uma pausa de alguns dias, um Verão de São Martinho tímido, e um forte ciclone no Atlântico, com as suas frentes associadas, estagnado, devido a um padrão de bloqueio que se estabelece, vai manter o tempo instável durante uns dias – e com risco de fenómenos de vento, além de chuva e trovoadas
Nesta quarta-feira (12 de novembro) o anticiclone será, finalmente, derrubado, depois de dias a ameaçar, com as frentes bem próximas, e começará a chover, além de haver um aumento do vento. Há possibilidade, também, de alguma trovoada, contudo as condições não são particularmente favoráveis
Na quinta-feira, contudo, uma linha de instabilidade que progride de Sudoeste para Nordeste irá trazer risco evidente de maior instabilidade ao Sul do nosso país, essencialmente, com destaque para os distritos de Lisboa, Setúbal, Beja e Faro, onde alguns modelos simulam rajadas de 90-120km/h – e onde há energia e condições favoráveis para algum fenómeno severo de vento
A instabilidade é generalizada – é necessário realçar isso, e em todo o país são necessários cuidados, com diversas frentes e linhas de instabilidade que a qualquer momento podem trazer trovoada e chuva forte. Ao contrário de situações anteriores não será apenas uma frente a passar rápido, mas sim diversos dias de instabilidade. Deve, assim, manter-se atento a toda a evolução, e todos os avisos

Felizmente em Portugal a probabilidade de ocorrência de algum fenómeno como o tornado no Brasil há uns dias, e que infelizmente vitimou, pelo menos, 8 pessoas, fazendo mais de 1000 feridos, é baixa. No entanto isso não significa que tornados, mais fracos, ou outros fenómenos não se possam registar. A combinação de energia convectiva, uma frente fria em “choque” com o ar quente instalado, e a corrente de jato ativa promovem essas situações
Um fluxo de Sul quase sempre significa, então, que o Sul terá maior probabilidade deste tipo de fenómenos, é quase inevitável. Será aí, então, que se focará esta previsão – para a previsão geral pode ler AQUI

MAU TEMPO – FENÓMENOS DE VENTO – ONDE SÃO MAIS PROVÁVEIS, E A QUE HORAS?
Os modelos meteorológicos têm sempre algumas dificuldades em simular este tipo de fenómenos a uma escala regional, pelo que, para além dos modelos, nos temos de valer do conhecimento e outras situações passadas, com sinótica semelhante, para termos uma ideia melhor do que esperar
Num contexto de elevada instabilidade no Sul do país (principalmente entre a Área Metropolitana de Lisboa, o Baixo Alentejo e o Algarve), e com a passagem da frente fria, na TARDE de quinta-feira, 13 de novembro, desenvolvem-se as condições mais propícias para fenómenos mais extremos – não descartando então rajadas convectivas acima de 110\120km/h, algum tornado e\ou downburst
Mas as simulações dos modelos também mostram esse potencial, principalmente se recorrermos a modelos regionais, como o HARMONIE (operado pela agência Espanhola AEMET), que nos mostra claramente vento severo localizado, precisamente no Algarve, na tarde de quinta – no sotavento, principalmente, na sequência de uma linha de instabilidade severa – com muita chuva, que depois se move para o país vizinho
Há que dizer que já vimos esta história repetida algumas vezes – e já tivemos de tudo, desde muita chuva e vento no Algarve, onde já ocorreram efetivamente vários tornados num passado não muito longínquo, mas também já vimos a instabilidade fugir toda para Espanha, com um “reforço de última hora” do anticiclone. É impossível ter uma previsão exata, mas toda a área entre o Algarve, Interior Alentejano, e, também, a Área Metropolitana de Lisboa, devem ter atenção à possibilidade destes fenómenos
O melhor é prevenir: Retirem os casos debaixo de estruturas frágeis, tentem proteger outros bens, que se possam soltar\voar facilmente, e adotem todas as medidas de segurança que achem importantes, pois o vento pode mesmo causar problemas. E, claro, não se esqueça que a chuva será também forte – um verdadeiro dia de temporal

TROVOADAS E CHUVA TORRENCIAL – ONDE SÃO MAIS PROVÁVEIS?
As imagens da satélite à hora de escrita desta previsão (06h, quarta, 12 de novembro), já nos mostram precisamente aquilo que referimos – perto da Madeira há uma área instável significativa, com convecção profunda, topos de nuvens bem arrefecidos (ou seja com grande altitude), e com atividade elétrica
A atividade elétrica poderá ser significativa, mas não há um sinal tão forte nos modelos como na quarta-feira da semana passada (dia 5 de novembro). Contudo será necessário avaliar ao longo do dia a evolução da convecção, para percebermos se há, ou não, um intensificar desta mesma área de instabilidade, e “afinar” também a previsão do seu trajeto
De momento, e como os modelos simulam, parece deslocar-se em direção ao Sul do país, e será aí, então, que a atividade elétrica mais intensa pode surgir, para além de chuva mais intensa – alguns modelos simulam até 50-80mm de precipitação em apenas 6 horas no Algarve!
Com estes regimes atmosféricos em que o anticiclone quebra “por completo” e se move para latitudes bem longe da nossa (mais a Norte), e as depressões são forçadas para Sul, a tendência natural de chover mais a Norte inverte-se – pode chover também bem no Norte, e há avisos LARANJA emitidos pelo IPMA para praticamente todo o país. Contudo, com fluxos Sul, é no Sul que o risco pode ser, efetivamente, maior
O movimento rápido das células pode ser um fator decisivo para impedir algo mais extremo em termos de precipitação, mas a água precipitável é elevada, e, especialmente onde houver mais persistência\algum “comboio de células”, a situação pode, efetivamente, complicar-se, sendo mesmo muito prováveis inundações localizadas, mas significativas

Obviamente que estamos a falar do Sul, maioritariamente, mas como referimos também, o resto do país estará num ambiente propício a rajadas severas, especialmente nas montanhas – e os modelos meteorológicos deixam isso bem claro, com previsão de rajadas acima de 120km/h nas terras mais altas
O ESTOFEX, organismo Europeu de previsão de fenómenos extremos\tempestades convectivas, emitiu um aviso de nível 1 em Portugal, principalmente por chuva forte e risco de tornados para o período entre quarta às 6H, e quinta às 6h, realçando que o risco continua depois das 6h. Certamente irão ainda atualizar este aviso, pois efetivamente, na nossa análise, o risco maior parece ser ao início\meio da tarde de quinta-feira
De destacar que depois de afetar Portugal, esta linha de instabilidade deve seguir para Espanha, talvez para o Centro\Oeste do país, onde aí os modelos simulam algo ainda mais intenso – precaução se está nas regiões perto da fronteira de Castelo Branco\Portalegre\Évora – os sinais para chuva torrencial são evidentes, especialmente perto da Capital ao fim da tarde de quinta-feira…

E quando vem o sol? Esta situação de temporal ainda dura mais 3 dias – até domingo, dia 16. Depois disso? O mais certo é termos o período mais prolongado de tempo soalheiro desde o meio de outubro – alguns dias bem estáveis consecutivos. Será necessário confirmar nas próximas atualizações, contudo, mas vai de encontro ao previsto. Provavelmente será preciso um casaquinho extra, no entanto!
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1 comentário
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