Frio extremo como não se via há muitos anos? Possivelmente! A “besta de leste“, como ficou conhecido um fenómeno ocorrido em 2018, e que trouxe frio extremo ao Continente Europeu, pode regressar – com intensidade ainda por confirmar, mas claramente algo significativo!
Os modelos meteorológicos ainda andam no “flip flop” habitual, com mudanças significativas de atualização para atualização, por vezes passando do 8 ao 80 e vice-versa nas várias atualizações diárias, e também não há consenso dos ensembles e multi-modelo para esta situação. Contudo o suporte dos padrões atmosféricos é robusto!
Tudo indica que a MJO (convecção oceânica\oscilação de Madden Julian) voltará a evoluir para as fases 7\8, o que promove fortemente o surgimento de bloqueio atmosférico no Atlântico – será esse o fenómeno que pode levar a uma amplificação do jato polar e ao surgimento de temperaturas anormais no Continente Europeu, talvez incluindo Portugal
Quando falamos de temperaturas anormais falamos de valores que podem rondar, a altitudes baixas, os -15 a -30ºC na Europa Central e Leste, e -5 a -15ºC nos países da Europa Ocidental, no qual se incluem Portugal, Espanha e França. No Norte da Europa estes valores também podem ser atingidos, mas aí é bastante mais normal!
Caso se concretizem valores deste género, e particularmente se se prolongar, pode haver fortes impactos em vários setores – desde o setor da saúde ao setor energético, podendo levar a situações mais complicadas – com mais pressão em hospitais, e aumento da mortalidade, e mais pressão nos sistemas energéticos, que podem mesmo acabar por colapsar localmente – aumentando o risco anterior

DE QUE FORMA PODE SURGIR O FRIO EXTREMO PREVISTO E A “BESTA DE LESTE”?
2025 foi o 3º ano mais quente de que há registo a nível global – e o aquecimento global continua “a todo o vapor”, prevendo-se que 2026 e 2027 possam ser ainda mais quentes. No entanto isto não significa que o frio, por vezes mesmo frio extremo, desapareceu – pelo contrário: como já havia sido previsto por cientistas há muitos anos as alterações climáticas podem levar a mais extremos, tanto a nível de temperaturas como outros fenómenos meteorológicos
As temperaturas no nosso planeta são distribuídas pelos Continentes e Oceanos através de mecanismos de regulação climática complexos, que envolvem correntes marítimas, correntes atmosféricas, entre outros processos físicos: O mais normal é termos, no Inverno, temperaturas mais baixas nos pólos e mais moderadas nos Continentes, nas latitudes médias, mas nem sempre isto acontece!
Por vezes surgem as entradas polares, ocasionalmente chamadas de “Siberianas” na Europa, dada a proveniência dessa entrada ser da Sibéria, e o frio polar chega ao Continente Europeu – obviamente que aquecendo no trajeto – até porque, se no Ártico não há sol, na Europa mesmo no pico do inverno há entre 6 a 9 horas de sol na maioria dos locais diariamente
Contudo, ocasionalmente, fenómenos meteorológicos mais extremos podem levar a que o Ártico aqueça, e os Continentes arrefeçam mais, levando mesmo a temperaturas mais baixas nos Continentes Europeu\Americano que no círculo polar Ártico – e é precisamente um desses fenómenos que estamos a prever para o que resta de janeiro, particularmente depois de dia 20 – ainda que haja indefinição na forma exata como tudo se desenvolverá, surgem previsões de temperaturas anormalmente baixas

EVOLUÇÃO PARA O FINAL DE JANEIRO, E O QUE PODE VIR DEPOIS – HAVERÁ TAMBÉM NEVE?
Esta situação meteorológica deve começar a desenvolver-se com uma massa de ar frio vigorosa sobre o leste da Europa já por volta de dia 20 de janeiro, com temperaturas muito baixas sobre países como Lituânia, Polónia, Eslováquia, Bielorrússia e Ucrânia, já com temperaturas mínimas ocasionalmente nos -20ºC (e até abaixo)
Ao mesmo tempo o anticiclone posiciona-se maioritariamente a Oeste dos Açores, no Atlântico, forçando a descida de depressões frias\bolsas de ar frio sobre a Europa Ocidental, começando já na sexta\sábado, com neve em cotas médias em Portugal, e temperaturas bastante baixas. A esta entrada devem seguir-se mais, uma vez que se prevê alta pressão na Escandinávia, que impede o progresso das depressões
Este tipo de regime é conhecido como “bloqueio atmosférico” precisamente porque as depressões, que circulam naturalmente de Oeste para Leste são bloqueadas, e a sua progressão natural interrompida, levando a que o jato polar se amplifique – surgindo muito mais a Norte que o habitual forçando o ar gélido a descer do Ártico sobre o Continente Europeu ( e empurra ar mais quente para o Ártico, acelerando o degelo... )
Assim gradualmente devemos ver o surgimento de depressões vindas de leste a surgir sobre a Europa Central, e eventualmente a chegar à Europa Ocidental – incluindo Portugal. Contudo, se na Europa Central o frio é praticamente assegurado, e deve haver desde já preparação para isto mesmo, em Portugal há mais incertezas – pois o efeito do Atlântico pode levar a que a mínima alteração leve a mudanças significativas na previsão
Comparando os dois principais modelos, nas últimas atualizações – ECMWF e GFS – podemos verificar que o Europeu para já prevê temperaturas muito baixas em vários países Europeus, mas Portugal fica de fora. Já o Americano aposta tudo no frio, com o anticiclone em crista no Atlântico, e a evoluir para latitudes mais altas, empurrando a massa de ar Continental na nossa direção. Ainda tudo pode acontecer no nosso país, para já merece seguimento mas sem nada confirmado, ainda

Além do frio, se houver precipitação, surgirão nevões em muitos locais – e certamente que irão surgir, mas, dependendo do tipo de regime instalado, podem ser mais ou menos intensos, e mais ou menos generalizados. A resposta estará na influência marítima na massa de ar polar
Uma massa de ar polar com maior influência marítima acabará por levar maiores quantidades de precipitação, e neve, ao Continente Europeu, mas as temperaturas serão menos extremas – nevaria de qualquer forma em muitos locais, mesmo a altitudes baixas, mas não de forma tão generalizada – por exemplo em Portugal provavelmente nevaria em locais relativamente habituais, com uma ou outra surpresa possível, mas, caso haja efeito marítimo, não esperamos neve no litoral, por exemplo
Caso haja um maior bloqueio no Atlântico, que impeça o efeito marítimo de influenciar a massa de ar, e esta adquira características puramente Continentais, aí o frio será mais extremo, mas a neve será menos significativa, por falta de precipitação. Contudo ainda nevaria em vários locais, e seria a única forma de ver neve em Portugal no litoral, em altitudes zero – mas, para isso acontecer, é necessário a conjugação de muitos fatores – e não é muito provável
Para além da temperatura prevista será importante também verificar como evoluirá o vento – caso as baixas temperaturas sejam acompanhadas de vento, como é óbvio a sensação térmica será também mais baixa. Para já não temos previsões concretas, como já referido, mas estaremos a acompanhar. Uma coisa parece certa: O potencial para uma situação menos comum existe, e deve ser desde já monitorizado, quer pelos meteorologistas, quer pelas autoridades. Fique atento às atualizações!

Tem sentido muito frio este inverno? Como acha que se compara com os anteriores? Participe nos comentários abaixo, gostaríamos muito de saber a sua opinião!
Se encontrou este artigo no seu feed da Google Notícias\Discover clique em seguir\gosto (no símbolo ) para ver mais das nossas previsões e informações e não perder nada! Siga também a página Luso Meteo – Meteorologia e Clima, nas nossas redes sociais e na Google Notícias AQUI para mais atualizações e informações!
Se desejar ajudar com donativos para o projeto, para suportar custos de website\manutenção e serviços de subscrição para vos trazer o melhor conteúdo pode fazê-lo, ficamos muito agradecidos!, podendo fazê-lo através de MBWay para 918260961, ou IBAN para PT50 0007 0000 0029 3216 7422 3
Muito obrigado pela confiança e preferência
Especial agradecimento à WebDig, o nosso serviço de alojamento do website – altamente recomendado, com uma fiabilidade e apoio incríveis!

