Depois de um janeiro muito chuvoso, e de um fevereiro com um início tempestuoso, eis que o anticiclone volta a surgir nas previsões, e a influenciar o tempo em Portugal, a partir do dia de São Valentim (14 de fevereiro) – parece milagre, mas um dia teria de acontecer – afinal o bloqueio em latitudes altas que tem vigorado não é permanente
O anticiclone geralmente significa bom tempo (sol e mais estabilidade), contudo é um erro analisar tão superficialmente– nem sempre as mudanças de regime se processam da mesma forma e não podemos assumir que nos vai trazer o sol de forma prolongada. Sol, sim, irá surgir, mas, como explicaremos de seguida, o melhor é manter a atenção nas próximas semanas, e não baixar a guarda, pois o risco de cheias ainda existirá
Finalmente, depois de um longo período de bloqueio em latitudes altas, que levou a um regime NAO-, ou seja com pressão baixa na região dos Açores e pressão mais alta entre a Islândia e Gronelândia, surge o seu oposto – NAO+, com o anticiclone a reforçar-se entre os Açores e a Europa Ocidental, e a corrente de jato, e as depressões, a evoluirem para Norte, em direção ao Norte da Europa
Isto significa que, efetivamente, a chuva vai diminuir muito significativamente no período 15-25 de fevereiro, sensivelmente, já com bom suporte dos ensembles, e dos variados modelos. Contudo ainda não será um período 100% seco – como já referimos na previsão para o Carnaval, mais a Norte ainda persiste a probabilidade de chuva, enquanto o anticiclone não se instala mais definitivamente
Depois de dia 20 há sinais que a pressão se estabelece mais a Norte, e, aí sim, o tempo seco – será para ficar contudo? Há sinais divergentes, pelo que não consideramos muito provável – continue a ler para mais detalhes!

O ANTICICLONE REGRESSA, MAS…
Conforme podemos ver na imagem acima, que nos mostra a evolução da teleconexão NAO (oscilação do Atlântico Norte), podemos verificar que, de uma forma geral, se espera então que esse índice se torne positivo após dias 13\14 de fevereiro – e será precisamente nessa altura que a chuva também tende a parar, especialmente mais a Sul
No entanto a pergunta que se impõe agora é: é algo para durar? E a resposta que podemos dar, de momento, é apenas: provavelmente não, ou pelo menos não de uma forma muito estável. Isto porque os regimes de circulação no Atântico continuarão a ser influenciados por um vórtice polar mais fraco do que o normal, e um jato polar com “meandros”, que promove variabilidade
Assim parece-nos provável que efetivamente surjam dias de sol, intercalados por dias com alguma precipitação (com frentes a afetar sobretudo o Norte), e dias mais quentes, intercalados com dias mais frios, com ocasional fluxo meridional (fluxo de origem polar marítimo), que pode trazer ainda alguma neve

Há dois cenários possíveis, mas improváveis para já: instalação de um bloqueio mais duradouro no Atlântico, com reforço da corrente de jato em latitudes mais elevadas e com estabilidade e temperaturas acima da média para o que resta de fevereiro e talvez parte de Março, ou a instalação de um regime de bloqueio, com fluxos de leste, mais frio, mas igualmente seco
Ambos estes cenários são possíveis, mas não são suportados pela nossa análise, pois, efetivamente, os sinais mais claros apontam mesmo para variabilidade, sem que haja longos períodos de tempo “igual”. No fundo um regresso ao que já tivemos este inverno, e que é normal – mas que ainda merece acompanhamento, pois os rios irão levar bastante tempo a normalizar

A VIGILÂNCIA DAS BACIAS HIDROGRÁFICAS DEVE MANTER-SE!
Como referimos, e apesar da aparente instalação das altas pressões, consideramos que a vigilância, prevenção e precaução em relação às principais bacias hidrográficas se deverá manter, pois, pontualmente, continuará a haver condições para ocorrência de precipitação, e os níveis hídricos continuarão preocupantes, com os solos saturados

Além disso, e ainda a acompanhar, é possível que este regime estável, trazido pelo “regressado” anticiclone dos Açores não seja tão duradouro assim, com sinais mistos para o final do mês, novamente – o Atlântico ainda bastante ciclónico poderá fazer colapsar a circulação zonal, novamente, levando à união de ar mais frio e ar marítimo – e assim instalar-se um novo período mais tempestuoso no início de Março
Não podemos dizer que assim será, e esperamos certamente que não, pois agora precisamos de tempo seco, mas reforçamos esta ideia da necessidade de prevenção – pois o inverno ainda não terminou, e por vezes a Primavera traz surpresas
Terminamos recordando aquilo que dissemos na previsão mensal, quando todos os modelos apontavam para uma segunda quinzena de fevereiro MUITO chuvosa, e referimos que as teleconexões não indicavam o mesmo – e de facto confirma-se que não será assim tão chuvosa. Agora dizemos o mesmo, mas, no sentido oposto – os modelos a médio prazo apontam para estabilidade, mas, novamente, é provável que não seja bem assim, infelizmente – aproveitemos o bom tempo que irá surgir enquanto dura!

De notar que prevemos, para os Açores, que a instabilidade se mantenha, pois há tendência para fluxos de Sudoeste, com humidade e precipitação – além de vento. Já na Madeira, em princípio, a Primavera pode instalar-se. E, quanto a si, o que acha que nos trarão as próximas semanas? Conte-nos nos comentários abaixo!
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3 comentários
Bom dia Fávio.
Grata pelas previsões e todas as informações que são de excelência!
Espero que o sol regresse para que as pessoas possam com as devidas ajudas reconstruir tudo aquilo que perderam infelizmente.
Cumprimentos,
Anabela Mota.
Esperemos que sim! Boa tarde 🙂
Que volte o sol.