A tempestade Oriana foi nomeada pela AEMET, na sequência das previsões de chuva, vento, neve e mar agitado em Espanha – sendo a 15ª tempestade nomeada deste outono\inverno – e provavelmente a última (pelo menos por agora) desta larga série iniciada no final de dezembro
Não afetará Portugal diretamente. contudo uma frente associada irá fazer-se sentir entre o final do dia de quinta-feira, e o início do dia de sexta-feira, com precipitações intensas, e vento mais forte, a que se seguirá um pós frontal relevante, com aguaceiros, trovoadas e neve. As notícias não podia ser pior para um país em estado de calamidade devido ao mau tempo em diversas regiões
Infelizmente a situação mais crítica é no Mondego, onde um dique rebentou, e parte da autoestrada A1 ruiu, pelo que iremos analisar mais a fundo essa situação na segunda metade deste artigo de previsão. Para já mostramos uma carta com o vento máximo previsto nas próximas 48h, pelo modelo ICON-EU, onde vemos os efeitos significativos desta depressão em Espanha – de notar que, em França, o vento deve-se à depressão Nils – que afeta o país nesta madrugada de quinta-feira

Conforme podemos verificar, a previsão indica que Espanha venha a ter um impacto mais direto, contudo, em Portugal, esperamos também bastante vento – com rajadas que, no litoral, podem ultrapassar os 80km/h (talvez 90, localmente), e com precipitações fortes, como referido. No país vizinho, no Nordeste\Leste, em especial em pontos montanhosos, é de esperar que as rajadas ultrapassem 130km/h, situação que é também semelhante ao esperado nas montanhas e pontos expostos do Sudoeste de França
A AEMET nomeou este centro de baixas pressões também devido à neve – que irá cair por vezes em cotas baixas no território Espanhol – por vezes aos 400-600m, provavelmente, no Norte do país no sábado. Em Portugal também teremos, então, queda de neve, com previsão de cotas inferiores a 1000 metros nesta sexta, com bons acumulados nas montanhas, conforme já referido na nossa previsão geral
A agitação marítima será muito significativa na Costa Norte e Leste de Espanha, assim como nas Ilhas Baleares, superando 10 metros – sendo que, mais uma vez, esse efeito também será sentido em Portugal, de forma menos significativa, na Costa Ocidental – com ondas de 4 a 7 metros
É uma situação de mau tempo, de Inverno, e antecede a chegada do anticiclone – que vem muito tímido, inicialmente. De tal forma que, se espera sol, e vive no Norte, só lá para dia 20 (isto se, até lá, nada mudar)


TEMPESTADE ORIANA – RESUMO DA PREVISÃO – PONTOS CHAVE
- A tempestade Oriana foi nomeada pela Agência Estatal de Meteorologia (AEMET), e, assim, deverá afetar sobretudo Espanha, sendo provavelmente a última desta série iniciada no final de dezembro. Os efeitos, em Portugal existirão, de forma indireta
- Uma frente associada trará precipitação intensa e vento forte entre o final de quinta-feira e o início de sexta-feira, seguida de um pós-frontal com aguaceiros, trovoadas e neve. Os totais acumulados de precipitação serão significativos neste período, agravando o risco de cheias em quase todas as bacias hidrográficas, com destaque para o Douro, Vouga, Mondego e Tejo
- As rajadas poderão ultrapassar 80–90 km/h no litoral, e 80 a 100km/h nas terras mais altas (montanhas, especialmente). Não será uma situação de especial risco, contudo, com os solos muito saturados, e as estruturas frágeis, o risco é maior do que seria num contexto normal. O vento será mais intenso na tarde e início de noite de sexta-feira
- Em Espanha (Nordeste/Leste) e no Sudoeste de França, o vento poderá superar 130 km/h em zonas montanhosas e expostas, onde o risco é maior
- Prevê-se queda de neve em Portugal acima dos 1000 m na sexta-feira, com bons acumulados nas zonas montanhosas, sendo que em Espanha a cotas devem rondar os 400–600 m no Norte\Nordeste do país, no sábado, com precipitação – pelo que pode nevar significativamente, com acumulação generosa
- A agitação marítima será muito forte em Espanha (ondas superiores a 10 m) e também significativa na costa ocidental Portuguesa, com ondas entre 4 e 7 metros. Este mau tempo antecede a chegada gradual do anticiclone, já prevista, mas só com melhoria mais consistente perto do dia 20 – caso nada se altere

SITUAÇÃO CRÍTICA NO MONDEGO – ATUALIZAÇÃO – 12-13 DE FEVEREIRO
Infelizmente a situação no rio Mondego é crítica, e, como prevíamos, está agora a atingir o pico destas cheias, com as piores condições desde o início desta crise – face às precipitações extremas registadas nos últimos dias, com um dos diques já rebentados, e com a A1 a ruir, em consequência disso
A Aguieira, maior e mais importante barragem que pode regular o caudal no Mondego, encheu (98% pelas 5H desta quinta-feira), sendo forçada a descarregar com força- o pior é que o caudal de entrada rondava pelas 4H os 1300m3/s, saindo “apenas” 900m3/s – tornando este equilíbrio muito complexo
Continuava, assim, a encher, e, nesta quinta-feira, com algumas horas de alívio antes do regresso da chuva ao final da tarde, terá de ser feita uma gestão muito cuidadosa nesta barragem. Infelizmente terão de ser feitas descargas significativas para acomodar a chuva prevista para esta sexta-feira – descargas essas que podem criar pressão excessiva nos cursos de água
O caudal no Açude Ponte do Mondego estava pelas 4H em 2000m3/s, a ultrapassar o limite de segurança, novamente, e com 40-70mm de precipitação prevista nesta sexta-feira nesta bacia hidrográfica, e com a barragem da Aguieira sem capacidade de encaixe, a situação é crítica – esperemos que tudo corra bem!
A situação pode complicar também no Tejo, com a chuva prevista amanhã, assim como em várias outras bacias hidrográficas. Continuaremos a monitorizar e atualizar este situação com mais informação assim que for possível – siga as condições hídricas AQUI

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