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Calor extremo, potencialmente histórico, e com implicações para a saúde e para o dia a dia das populações: é isto que se começa a prever com enorme fiabilidade a partir de dia 20 de junho. O pico pode ser por volta do São João (23\24), com valores que podem facilmente superar 43-44ºC, e até mesmo, com alguma probabilidade, os 45ºC
Esta situação (que pode vir a configurar uma onda de calor, dependendo da duração exata), tem vindo a ser prevista com insistência pela melhor ferramenta de previsão geral atual – o modelo global AIFSv2 – e tem sido também replicada consistentemente pelo modelo Americano GFS. Nas últimas 24 horas, gradualmente, a maior parte das soluções de previsão convergiram, o que acaba por dar força e fiabilidade a esta previsão
Como é uma previsão de extremos, em que falamos de valores potencialmente recorde, ainda no mês de junho, em que, sinceramente, até custa a acreditar em algumas das previsões que vão surgindo, dado o quão extremas são (desvios da média bem acima dos 10ºC, localmente 15ºC), aguardámos mais um dia para efetuar esta previsão mais detalhada, para conseguir trazer a informação mais credível possível, agora que apenas um “milagre” levaria a alterações muito significativas
Ao que tudo indica temos a confirmação da temida “iso 28º”, algo que é muito falado no Verão na comunidade meteorológica. Mas, do que se trata? De forma simples: 28ºC de temperatura aos 850hPA de pressão na atmosfera, o que equivale a cerca de 1500 metros. Quando a temperatura é tão elevada em altitude, é fácil de perceber que, em zonas baixas, com efeitos localizados de aquecimento, o potencial para calor extremo é imenso
Esta situação tem ainda uma particularidade: ao contrário de grande parte das ondas de calor extremo em Portugal (com este género de valores previstos), que ocorrem em Julho e\ou Agosto, esta situação regista-se em junho, exatamente durante o solstício de Verão – quando o dia é mais longo, e o potencial para aquecimento é maior

ONDA DE CALOR, OU PICO DE CALOR?
A diferença entre uma onda de calor, ou um pico de calor, não está na intensidade, mas na duração – sendo que uma onda de calor é definida pelo menos por 6 dias de duração, com temperaturas, pelo menos, 5ºC acima da média. Neste caso, e tendo em conta as previsões, é muito provável uma onda de calor entre 20\21 a 25\26 de junho
Na realidade, nas regiões do Interior, a onda de calor começa já nos dias 16\17, com valores de 36-39ºC de temperatura, uma vez que já se tratam de temperaturas mais de 5ºC acima da média. No litoral a dúvida é maior – o surgimento de um qualquer fluxo mais marítimo, ou de Norte, pode anular um pouco as temperaturas mais extremas. Contudo, para já, entre dias 21 e 25\26 parece quase assegurado que, também aí, as temperaturas estarão 5ºC, ou mais, acima da média. É perfeitamente possível que, em algumas localidades, haja também uma onda de calor
Como é óbvio, durante esta onda de calor teremos um pico: os dias em que os valores serão mais extremos, e em que esta cúpula de calor terá o seu máximo potencial – com as temperaturas mais extremas previstas. Para já esses são os dias 22 a 25, com provável destaque para 23\24, precisamente os dias em que se festeja o São João, e, excetuaando junto ao mar, será difícil de encontrar locais abaixo dos 40ºC. E, mesmo aí, pode haver locais que superam essa marca!
Trata-se de calor potencialmente histórico (comparando a massa de ar com os registos históricos, usando a previsão GFS, por exemplo, rapidamente constatamos que pode ser mesmo a mais intensa já registada nestas datas!)
A confirmar (e cada vez mais parece difícil de haver mudanças) trata-se de uma situação que levará a emissão de avisos LARANJA para calor, ou potencialmente VERMELHO, pelo que será necessário precaução especial, em particular com crianças, idosos e doentes crónicos

O QUE ESPERAR PARA CADA REGIÃO? NOITES TROPICAIS?
Esta é sempre aquela pergunta que todos fazem: afinal o calor não é igual em todos os lados, e, normalmente, quando está calor no interior… no litoral, pelo contrário, podem surgir nevoeiros, e o tempo pode ser bem fresco! Será o caso? Tudo indica que não…
Enquanto as regiões do Interior “torram” com valores que podem superar os 43 a 45ºC nos Vales do Douro, Tejo, Mondego, Sado, Guadiana, por exemplo, o litoral terá valores também muito elevados – atualmente acima de 35ºC na maioria das previsões, para a maioria dos locais
Se vive a 10km ou mais do mar, é quase certo que registará valores de 40ºC, ou acima. Se vive junto ao mar, ainda assim pode haver um ou outro dia (provavelmente o dia 23) em que valores dessa ordem não são totalmente de descartar, particularmente entre Porto e Coimbra. No Oeste é sempre mais difícil de atingir valores dessa ordem. Também na Costa Vicentina se atingirão esses valores, até com facilidade!
As noites serão muito quentes, potencialmente “opressivamente” quentes, com mínimas superiores a 25ºC em muitas regiões, e eventualmente até mesmo 30ºC. O elevadíssimo geopotencial previsto atualmente ajudará a “prender” o calor nas camadas mais baixas da atmosfera, impedindo qualquer inversão térmica
Dependendo do regime de ventos exato, o surgimento, ou não, de poeiras, e a nebulosidade (tudo isto ainda com incerteza) podemos verificar ligeiras alterações na previsão, pelo que recomendamos que acompanhe a situação com atenção, dado que se trata de um fenómeno com potencial risco elevado para a saúde pública

ONDA DE CALOR – O QUE POSSO FAZER?
Apesar de ser um fenómeno previsto a apenas 120H, aproximadamente (5 dias), há ainda alguma incerteza, mais significativa que o normal – há modelos que aproximam mais esta cut-off do nosso território, levando a uma subida menos generalizada, e menos extrema, das temperaturas
Dito isto, com os principais modelos todos alinhados, a esta distância será difícil mexidas significativas – e o regime atmosférico de bloqueio previsto também favorece exatamente esta situação. Assim é importante desde já sensibilizar para o perigo, sob pena de parecermos repetitivos, desta situação: calor extremo, precoce, ainda com os organismos pouco habituados a este tipo de temperaturas, e risco para a saúde pública que terá de ser comunicado de forma clara pelo IPMA e entidades competentes
Enquanto não é, deixamos recomendações gerais do que deve fazer em caso de onda de calor, para que se proteger (a si, aos seus, sem esquecer animais e plantas!)
1. Hidratação: Beba água constantemente (mesmo sem sede) e faça refeições leves. Evite álcool e cafeína
2. Casa fresca: Feche persianas e janelas de dia; abra tudo à noite e de manhã cedo para refrescar
3. Apoio aos “nossos”: Vigie idosos, crianças e doentes crónicos. Nunca deixe ninguém (ou animais) em carros fechados
4. Evitar o pico do calor: Fique à sombra entre as 11h e as 17h. Use roupa leve, chapéu e protetor solar. Adie, ou antecipe, desporto e outra atividade física para as horas frescas
5. Animais: Passeie os cães apenas ao início/fim do dia (cuidado com o asfalto quente). Garanta água fresca e sombra constante.
6. Ajuda à vida selvagem: Deixe taças com água e pedras à sombra em quintais ou varandas para aves e abelhas
7. Rega inteligente (Plantas): Regue apenas ao amanhecer ou ao anoitecer para evitar a evaporação e a queima das folhas. Se puder, mude os vasos para a sombra
Última atualização: 16-6-2026, 7H

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