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Nos próximos dias, ao largo dos Açores (a Oeste/Noroeste), uma depressão irá intensificar-se muito rapidamente, um processo conhecido por “ciclogénese” (que até pode ser explosiva) – um nome que ouvimos falar muito neste inverno, mas que, felizmente, neste caso, não terá efeitos tão sérios
Ainda assim os modelos têm vindo a convergir na previsão, e, como referimos na previsão semanal, é necessário atualizar detalhes sobre como estará o tempo nos Açores – pois há modelos que mostram, efetivamente, uma situação de tempestade em algumas Ilhas – vento, chuva e mar – que não é tão comum nesta altura do ano
O que está em causa é a evolução de uma perturbação com pressão central atualmente (hoje, segunda-feira), por volta dos 1015hPA, fortalecendo rapidamente e descendo a pressão central em 20 a 25hPA (990\995hPA) até ao final da tarde de amanhã (terça-feira). Esta depressão irá interagir com uma outra, mais a Oeste, numa “dança” que conhecemos como efeito Fujiwahara, e empurrará o anticiclone para Norte/Leste – criando condições para formação da cúpula de calor que já mencionámos
Se em Portugal Continental devermos mesmo atingir os 40ºC, obviamente que nos Açores, sob efeito da corrente de jato, e destas perturbações, que alimentarão uma frente fria, a situação é bem diferente – estará por vezes mau tempo, com chuva excessiva possível nas Ilhas Ocidentais, e períodos de vento

EFEITOS DESTA DEPRESSÃO NOS AÇORES
Se vive no arquipélago dos Açores a palavra ciclone já é muito conhecida – afinal é cada vez mais comum a sua ocorrência, seja nos meses de Inverno, ou nos meses de Verão, com a aproximação de ciclones tropicais\furacões. Por esse motivo um ciclone a Oeste das Ilhas não é propriamente motivo para alarme
Ainda assim não significa que não seja algo que vá exigir alguma precaução, pois, como referimos anteriormente, há modelos que simulam precipitações muito intensas e persistentes nas Ilhas do Grupo Ocidental – até 50 a 80l\m2 de precipitação acumulada total
Há pouco tempo para desvios significativos, mas temos notado uma tendência constante de mudança para leste no posicionamento desta depressão, o que tem empurrado a chuva também para leste. Assim, o que estava previsto cair no mar, aparece agora, em parte, em terra. Ainda assim a maior quantidade surge no mar, mas sempre com aquela interrogação: Será? Recomendamos assim precaução no Corvo e Flores, pois uma alteração de 100km na posição da frente pode trazer um dia de chuva mais significativa que o previsto atualmente
O vento será de Sul, será por vezes forte e com rajadas (60/80km/h), mas tudo isto é normal. As temperaturas máximas até podem andar abaixo de 20ºC (onde anda a Primavera nos Açores?) e o mar pode ter ondas de 4 a 5 metros. Nada disto é preocupante, obviamente – nos Açores é apenas uma “brisa”. Para esta época do ano, no entanto, fica nos registos

COMO UMA CICLOGÉNESE PERTO DOS AÇORES CAUSA CALOR NA EUROPA
Nas últimas semanas temos tido um padrão atmosférico bastante bloqueado, com uma corrente de jato enfraquecida, e com bolsas de ar frio a surgirem ocasionalmente – que têm provocado trovoadas. Estas oscilações nas correntes de jato levam a que haja variabilidade elevada no tempo – do 8 ao 80
Por outro lado, com este ciclone a surgir agora (fruto da interação de ar polar com ar subtropical, no início de uma transição que quebrará o bloqueio) irá permitir que o anticiclone suba e estabilize durante uns dias, com as massas de ar mais estáveis sobre a Europa Ocidental – este calor aprisionado aumenta de dia para dia, e, com o afastamento da bolsa de ar frio que nos afetou no fim-de-semana, a temperatura vai subindo ao longo da semana
O pico do calor parece estar “marcado” para dia 27, altura em que vários modelos simulam a presença de uma massa de ar extrema para esta época do ano sobre o nosso território – até 24ºC a 1500m – o que, em condições normais, levará a temperatura acima de 40ºC, localmente (novos recordes prováveis). Há que contar com alguma poeira (pouca), mas não deve fugir muito disso
Ciclones e anticiclones são opostos, e quando um surge, o outro surge como resposta – e neste caso surge num contexto quase “perfeito” para o aquecimento no Continente Europeu, pois daí resulta a tal “cúpula de calor”. Após este período, e já depois de dias 28\29 a alta pressão a Norte pode ceder, e deixar finalmente o jato polar seguir o seu curso natural, dando-se um regime NAO+ mais tradicional, com o anticiclone mais perto dos Açores
Isto não significa o fim do calor – pelo menos não necessariamente. Se o anticiclone se fragiliza, é possível que pelo menos no Norte e Centro fique bem mais fresco no início de Junho. Por outro lado se a resposta anticiclónica a esta alteração for robusta o contrário pode acontecer – arrastamento de uma massa de ar ainda mais quente, conforme modelos ML/AI vão vendo, como o AIFS ou AIGFS – obviamente esperemos que não se confirme, mas para a primeira semana de junho não está “famoso” para quem não gosta do calor

ATUALIZAÇÃO – EL NIÑO 2026-2027

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