O tempo em Portugal mantém-se muito instável, e há mais uma frente fria, com vento forte e chuva intensa a caminho de Portugal nesta segunda-feira. Se durante a manhã a chuva vai caindo de forma moderada, em especial mais a Norte, sem grande vento, para a tarde tudo muda rapidamente
A passagem da frente oclusa, que se prevê que atravesse o território depois das 12H continuará a produzir chuva intensa, localmente, e, principalmente, persistente, levando ao risco de inundações, especialmente a Norte – podendo levar também a que os rios galguem as margens, uma vez que o caudal tem vindo a subir rapidamente
Este setor da frente também irá provocar uma subida das temperaturas – com máximas geralmente acima da média para a época do ano. Contudo, e depois das 18H, com pico entre as 21H e as 03H mais a Norte, e as 00H e as 06-09H de terça-feira, a passagem de uma frente fria irá trazer muito vento e chuva em regime mais torrencial – antes da chegada de ar mais frio que nos trará instabilidade, pelo habitual choque de massas de ar
Esta instabilidade resultante de interação de ar marítimo subtropical, e ar polar, irá continuar a resultar em agravamentos sucessivos das condições meteorológicas nos próximos dias, sendo que, resumidamente: Não sabemos quando pode parar de chover em Portugal Continental – continue a ler para mais detalhes sobre o episódio de vento entre segunda e terça, e o que pode surgir na quarta…

FRENTE FRIA AFETA PORTUGAL – O QUE ESPERAR, E QUAIS OS LOCAIS MAIS AFETADOS?
Esta depressão não afeta Portugal Continental diretamente – é importante perceber isso, sendo, mais uma vez, um episódio semelhante à “Ingrid”, em que a depressão principal se desloca para as proximidades das Ilhas Britânicas ao longo dos próximos dias
Contudo, e ao contrário da depressão Ingrid, o fluxo marítimo é muito mais significativo, e o anticiclone não se estende em crista a Oeste temporariamente, pelo que surge uma frente muito mais vigorosa e ativa, com risco de precipitações persistentes a Norte, primeiramente, e depois intensas, de caráter forte a torrencial de forma generalizada, mas menos duradouro
O primeiro período persistirá até às 18H – até lá a precipitação vai caindo de forma moderada a forte, mas sem qualquer regime torrencial, e será particularmente a Norte do sistema montanhoso Montejunto-Estrela – particularmente nos distritos de Viana do Castelo, Porto, Aveiro, Braga, Vila Real, Viseu e Coimbra, onde não se vê o sol, pode haver nevoeiros e neblinas, e estará ameno
O segundo período irá das 18H em diante, até à manhã de terça, com a passagem da frente, com precipitações intensas também a Sul do Mondego – com 20 a 30l\m2 previstos em 6h no Oeste, Ribatejo, Área Metropolitana de Lisboa, Alentejo e 5 a 15l\m2 previstos no Algarve. Na sua retaguarda haverá a chegada de ar mais frio, gradualmente, para a madrugada, a Norte e Centro – podemos apreciar esta passagem na simulação do modelo ICON-EU

À passagem da frente haverá um aumento considerável da intensidade do vento, que passará a soprar de Sudoeste com rajadas ocasionalmente superiores a 100km/h no litoral e 120km/h nas terras altas. Por essa razão recomendamos precaução – em termos de vento a frente associada à depressão Chandra é mais intensa que o que se registou com a depressão Ingrid
O mar estará muito agitado, com a ondulação a viajar no Atlântico rapidamente – afetando os Açores na segunda e terça, com ondas máximas superiores a 15 metros, e aproximando-se da Costa Ocidental Continental, que irá ver um aumento das ondas máximas de 5 para 10 metros, pelo menos, entre segunda e quarta-feira – dia em que também haverá muita agitação marítima no Algarve
As previsões completas para segunda e terça já estão no nosso site, podendo ser lidas na secção de Previsão Diária – continue a ler para mais informação sobre a possível evolução para quarta-feira

RISCO DE VENTO MAIS SEVERO NA QUARTA-FEIRA?
Depois da precipitação intensa, chegam a instabilidade na terça-feira, durante o dia, conforme já referido, com trovoadas, além de neve e granizo – com as temperaturas a caírem significativamente. Acima de 1000 metros deverá ser um nevão interessante, mais uma vez
Mas o que realmente nos está a “intrigar”, e a merecer toda a atenção, é a possibilidade do surgimento de um núcleo depressionário secundário, associado à depressão principal – com modelação de 75% dos modelos a sugerir algo potencialmente muito intenso
Segundo as previsões de GFS, GEM e ECMWF, por exemplo, um núcleo entre 970 e 980hPA pode desenvolver-se, e afetar Portugal na quarta-feira de manhã – com uma aparência nas simulações de satélite que sugere sting-jet – um fenómeno que quem viveu a depressão “Leslie” de perto conhecerá bem, pois pode, efetivamente, causar rajadas severas
Contudo, outros modelos como ICON e UKMO, para já, não sugerem tanta intensidade – algo da ordem dos 990hPA – nem sugerem o desenvolvimento dessa característica (sting-jet) – pelo que, manteriam as coisas, mais ou menos, normais. A diferença entre os modelos está na interação de uma perturbação subtropical com o ar polar, e a forma como se irá desenrolar
Para já não temos forma de saber qual estará mais correto – por essa razão aconselhamos o seguimento das nossas previsões – em breve atualizaremos, esperando poder dar boas notícias

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2 comentários
Boa noite. Sou uma pessoa muita ansiosa e sofro muito com estas previsões assustadoras. Bloqueio e entro em pânico. Vivo em Anadia, distrito de Aveiro. Devo estar preocupada? Obrigada
Não Sra. Helena, vá dormir que quando acordar terá passado!