Mudanças na atmosfera à vista, com aproximação de depressões, e com chuva a caminho? Talvez! É muito complexo fazer uma análise de momento aos pormenores “finos”, particularmente a precipitação e\ou vento que possam surgir, mas podemos já começar a analisar as mudanças que um provável bloqueio trará ao tempo em Portugal
Como já referimos anteriormente (na previsão semanal, que pode ler se ainda não leu, AQUI) o estado do tempo vai mudar a meio da semana, e até ao fim-de-semana, com o regresso do tempo mais quente, e até de algum calor – temperaturas acima de 30ºC serão possíveis entre dias 18 e 20 de abril em alguns locais, mas depois uma nova mudança significativa está a caminho
Os modelos meteorológicos parecem estar todos de acordo – o anticiclone vai migrar ainda mais para Norte, e até, possivelmente retroceder para Oeste, em direção à Gronelândia\Islândia, numa configuração de bloqueio em latitudes\altas, havendo uma tendência muito forte (90%) de surgirem depressões perto da nossa latitude. Contudo, só isso não garante que possa haver chuva – como já vimos nas últimas semanas a precipitação não tem sido “farta” depois do Inverno de chuva excessiva – e deve continuar a não ser
Contudo, e como é normal na Primavera, períodos mais instáveis devem surgir, e é importante desde já começar a analisar a evolução da situação, pois se já sabemos que as depressões se devem posicionar na nossa latitude (ou seja mais a Sul que o habitual nesta altura do ano), ainda não sabemos se ficam mais a Oeste (mais perto dos Açores, por exemplo), ou se entram na Europa Ocidental – afetando Portugal Continental mais diretamente
Esta primavera temos tido, quase sempre, um cenário misto, em que há uma passagem das depressões pelos Açores, aproximando-se depois de Madeira e Continente, mas já a enfraquecer, e a isolar-se em altitude, provocando instabilidade – mas também poeiras… será novamente o caso? Talvez, mas há algumas diferenças nesta situação – continue a ler para entender!

DEPRESSÕES E BLOQUEIO EM LATITUDES ALTAS – MUDANÇA DE TEMPO?
Para percebermos o que pode ocorrer, temos de olhar às cartas dos variados modelos, e desde já olhamos ao AIFS – um dos modelos de nova geração, que tem revelado enorme fiabilidade recentemente (embora não tenha sido fantástico no Inverno). O o que mostra este modelo? Precisamente o cenário que referimos acima – uma depressão a Oeste do território Continental!
Este modelo mostra mesmo esse cenário de forma persistente entre 21 a 29 de abril, o que provocaria instabilidade nos arquipélagos, e, de certa forma, ocasionalmente, em Portugal Continental, mas em que o anticiclone ainda teria uma “palavra” a dizer, impedindo boa parte da chuva, pois surgiria em crista sobre a Europa Ocidental
É este o cenário mais provável? É partilhado por outros modelos, mas há modelos que não concordam de todo – como por exemplo o Canadiano CMC-GEM – pelo que iremos acompanhando. Uma coisa parece comum – a subida do anticiclone em latitude, num contexto de MJO (convecção tropical) a favorecer a transição para NAO-, ou algo semelhante – com mais risco de chuva e entradas frias em latitudes mais baixas

Com tanta variação de cenários é difícil dizer ao certo que temperaturas teremos, mas uma coisa é certa: devem sofrer variações significativas, provavelmente drásticas – ora mais quente, e com poeiras, ora mais frio, repentinamente. Contudo estamos a caminho de Maio, e não admira se dias de verdadeiro calor começarem a surgir, mesmo que repentinamente
Por isso, para já, e resumidamente, depois de dia 20 conte com as possibilidades de chuva a aumentarem, com risco de trovoadas, algo que pode durar 7 a 10 dias – mas em que a incerteza ainda domina as previsões – pode ser um cenário “8 ou 80”, que exige acompanhamento – a depressão evolui mais a leste e temos chuva e vento forte, num cenário de total Inverno… pelo contrário com a depressão mais a Oeste as poeiras podem regressar assim como o calor – mas, ainda assim, sempre com instabilidade à espreita, e mudanças bruscas possíveis
Se vive nas Ilhas conte com algo instável – vento, precipitação ocasional, e mar agitado – uma vez que esta depressão ao evoluir no Atlântico nesta latitude causará efeitos a larga distância, inevitavelmente – indiretos, mas que se sentem quase certamente nos Açores e Madeira (se houver efeitos diretos só mais perto das datas se poderá confirmar!)

FINAL DE ABRIL E INÍCIO DE MAIO PODEM TRAZER CALOR?
Como referimos anteriormente, e apesar de várias teleconexões sugerirem uma transição para NAO- (em que o anticiclone enfraquece na nossa latitude, e as depressões andam mais próximas), acreditamos que esta situação de instabilidade dura apenas cerca de uma semana – com mais tendência para o regresso de algo mais quente e estável no fim do mês ou início de Maio
Com a MJO a evoluir das fases 7\8 para as fases 1\2 (convecção a mover-se do Pacífico Ocidental para o Índico) esperamos ver mexidas rápidas na atmosfera – com a fase inicial a ser, precisamente, em parte, resultante da convecção no Pacífico, que levou inclusivamente à formação do super tufão Sinlaku, e a segunda fase a ser resultante da evolução dessa convecção para Oeste
É provável que dentro de dias venhamos então a sentir os efeitos através do bloqueio em latitudes altas referido, e depressões mais próximas – ainda que com efeitos exatos por definir. Contudo, e com um período de “atraso” de 8 a 14 dias (portanto para o final de Abril e início de Maio), o oposto pode ocorrer, com a transição para NAO+, novamente – e aí com tendência para o surgimento de tempo mais quente

Assim conte, resumidamente, com tempo instável entre 20 de abril até perto do final do mês, variável e com mudanças de dia para dia, com a precipitação a poder surgir, assim como trovoadas. Embora haja muitas incertezas tenha o guarda-chuva “preparado”
Para Maio prepare-se para uma subida do anticiclone em latitude, inicialmente ténue, e depois de forma mais significativa conforme o mês avança – pelo menos nos primeiros 10-15 dias, com calor a surgir. Não descartamos mesmo calor de puro Verão, como aliás tem sido habitual (primeira aproximação aos 40ºC na primeira quinzena?)
Mas Maio é “traiçoeiro”, e por vezes também nos traz as tradicionais trovoadas de Maio. Será que acontecerão este ano? Ou continuaremos com a tendência dos últimos anos, e a instabilidade é muito reduzida? Veremos como tudo evolui! Para já resta-nos acompanhar as situações a curto e médio prazo, por isso recomendamos que continue a ler as nossas atualizações diárias

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