Foi nomeada esta tarde, 10 de novembro, pela AEMET, a depressão Claudia, uma depressão de grande impacto – com um enorme tamanho, e que ficará “presa”, num bloqueio considerável, com alta pressão a Oeste e a Leste, e por isso irá afetar o território Português e Espanhol, seja Continental ou insular, durante vários dias
Os efeitos começam a sentir-se na quarta-feira, sendo sentidos nas Canarias (Espanha), na Madeira, e na Costa Ocidental de Portugal, sendo que progressivamente a chuva, vento forte, trovoadas e agitação marítima se irão estender para o Interior – afetando potencialmente mais regiões, embora a previsão ainda seja bastante instável, e esteja sujeita a alterações
Os modelos meteorológicos mais fiáveis, como ECMWF\GEM\UKMO estão a convergir, e parece haver pouca dúvida que será um evento de chuva, vento e trovoadas significativo (sem esquecer a agitação marítima), contudo é sempre necessário avaliar através de modelos regionais, disponíveis cerca de 48 horas antes dos eventos, para percebermos o verdadeiro risco
Ainda assim podemos dizer com confiança – se vive no litoral até final da semana (16\17 de novembro) verá muita chuva, e trovoadas são muito prováveis – se vive no Interior o melhor é seguir as previsões diariamente, e aguardar atualizações! Continue a ler para mais detalhes sobre esta depressão, trajetória, evolução e efeitos!

DEPRESSÃO CLAUDIA – GÉNESE E TRAJETÓRIA
O cento de baixas pressões, agora nomeado como “Claudia” formou-se a Norte dos Açores no início desta semana, com uma frente a afetar o arquipélago, estando agora a mover-se para Nordeste – mas, ao contrário do habitual, não consegue avançar – sendo forçada nos próximos dias a descer em latitude – o centro irá mesmo entrar em trajetória retrógrada – leste para oeste – na quarta-feira
Assim as frentes associadas afetam a Madeira, Canárias, e ficam no “limite” do litoral de Portugal Continental e Espanha até quarta-feira. Nesse dia a depressão deve ter uma pressão mínima central de 980mb, mais ou menos, sendo que, assim, irá produzir mar agitado, e, de Sul, vento forte
As rajadas podem chegar a 60\70km/h, sendo que com este fluxo também se espera o transporte de uma massa de ar mais quente que o habitual – e, se em Portugal há nuvens e até chuva, pelo menos em alguns locais, e as temperaturas são mais moderadas, em Espanha podemos ter 30ºC – ainda com sol
Posteriormente a depressão conseguirá avançar um pouco mais, com a quebra da alta pressão, e a temperatura irá descer, por isso prevemos mais chuva, vento e instabilidade a partir de quinta – uma situação de mau tempo, potencialmente – contudo ainda indefinida, como referido. Prepare-se no entanto para bastante vento, que pode ter rajadas bem intensas no litoral e terras altas, e prepare-se para um possível “festival elétrico”, com uma frente entre quarta e quinta…

EFEITOS DA TEMPESTADE\BORRASCA – SITUAÇÃO PODE SER SEVERA?
Para já não podemos avaliar a severidade, como referido, dado que os dados ainda são incertos – muita incerteza na trajetória, dinâmica, e evolução das frentes – mas estaríamos a mentir se disséssemos que não há alguns fatores que podem potenciar algum fenómeno mais extremo
Contudo, tanto a nível de frequência das trovoadas, como de precipitação, não parece tão significativo como a situação de há uma semana atrás, aproximadamente. Contudo há muito água precipitável, e pontualmente os modelos mostram taxas de precipitação muito elevadas
O que prevêem os modelos até domingo, dia 16, afinal? Bem, depende do modelo utilizado – mas usando o “gold standard” ECMWF podemos contar com 70 a 200mm no Minho e Douro Litoral (Porto, Braga, Viana do Castelo), 75 a 125mm em todo o litoral entre Viana do Castelo e Lisboa, e 30 a 80mm nas restantes regiões – talvez mais nas montanhas. Dúvida no Algarve!
Se estes valores se confirmarem é muita chuva, mas nada excecional – de todo. Contudo o potencial para valores deste género em poucas horas existirá, e será necessário avaliar, então, com mais atenção. Destaque particular para o dia de quinta-feira (frente com choque térmico). Será também na quinta-feira que o vento será mais intenso!
O mar continuará com ondas superiores a 5 metros na Costa Ocidental – o que, combinado com o vento forte, de Oeste, ou Sudoeste, tornará esta situação verdadeiramente outonal (não será invernal pois as temperaturas são acima da média, no geral)

EFEITOS DO MAU TEMPO NA MADEIRA – CHUVA FORTE E TROVOADAS
Como tínhamos referido na nossa previsão semanal, nesta semana quebra-se a monotonia no arquipélago, com a chegada de instabilidade associada à depressão Claudia, que irá afetar também o arquipélago da Madeira, com o IPMA já a ativar o aviso LARANJA por precipitação para quarta, 12 de novembro
Será sem dúvida o dia de mais instabilidade, com a passagem de uma frente de forte atividade, sendo seguida por um pós frontal vigoroso na quinta-feira
Embora se possa manter o tempo instável nos dias seguintes é provável que o tempo melhore um pouco, e haja progressivamente mais abertas. O tempo vai arrefecer, contudo ainda é incerto, dado que não é possível ainda perceber até que latitudes o ar mais frio conseguirá, efetivamente, descer
O vento soprará de Oeste ou Sudoeste, por vezes forte – a chuva é o efeito mais preocupante, no entanto. Será necessário acompanhamento atento, havendo claramente possibilidade de inundações, enxurradas\deslizamentos de terra e\ou derrocadas – a Madeira é bastante vulnerável a este tipo de fenómenos
O mar irá tornar-se mais agitado, também – contudo, como referido, é a chuva que nos preocupa mais neste momento

DEPOIS DA TEMPESTADE, A BONANÇA?
Sim, e não! Ou melhor… Talvez! É verdade que o tempo deverá estabilizar mais depois da depressão Claudia, que deverá ser seguida por uma crista anticiclónica no Atlântico, mas se será suficiente para parar as depressões, ainda é uma incógnita!
A segunda quinzena de novembro trará mudanças, e mexidas – parece óbvio, com o vórtice polar muito instável, anormalmente diríamos, e alguns outros indicadores e teleconexões a favorecerem situações mais “curiosas”, incluindo entradas frias em breve – que para já se mostram ausentes
Um desses indicadores é o dipolo do Oceano Índico, atualmente numa fase negativa recorde, que pode ter influência, e promover bloqueios em latitudes altas, e facilitar a descida de massas de ar polar. Está “tudo” a preparar-se para algo mais seco e mais frio, e há modelos que já o mostram – mas está 50\50 – há também outros modelos que mostram a manutenção do fluxo marítimo, sempre mais ameno
Se o fluxo marítimo se mantiver é provável que o anticiclone responda, instalando-se sobre a Europa Ocidental, estabilizando o tempo, de qualquer forma – por isso, sim, após dias 18\20 devemos ter um período mais seco. Veremos se será com frio ou ameno, como temos tido
Muito para acompanhar ainda em novembro, e ainda mais para o Inverno – aliás teremos previsão completa para a próxima estação, que começa em dezembro, em breve – fique atento!

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