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A depressão Therese, uma depressão muito complexa e, provavelmente, com vários núcleos depressionários, irá condicionar o estado do tempo nas Ilhas, criando condições de mau tempo, e, posteriormente, em Portugal Continental. Dias 18\19 teremos efeitos principalmente no arquipélago dos Açores, que irão viver um período bem frio, conforme já alertou inclusivamente o IPMA, e, depois, com movimento para leste da depressão, a Madeira sentirá bastante vento, também
Onde há mais dúvidas nos efeitos desta tempestade é em Portugal Continental, uma vez que o posicionamento dos núcleos depressionários tem uma complexidade maior – e pequenas mudanças têm efeitos enormes na previsão final. Inicialmente até esperávamos menos instabilidade, mas os modelos têm vindo a “carregar” na chuva em algumas regiões
O modelo Europeu ECMWF, por exemplo, normalmente o mais fiável, aponta agora bastante precipitação no Centro e Sul do país – principalmente no litoral e Algarve, com o fluxo desta depressão a ser mais Sudoeste, e menos Sudeste do que anteriormente previsto. Isto significa que há mais influência marítima húmida (Oeste) e menos influência Continental seca (leste), e, logo, maiores chances de instabilidade mais significativa
De referir ainda, que, ainda assim, a incerteza é grande – ou melhor, as incertezas: Não sabemos ainda a intensidade final, com valores de vento que, para os Açores, variam entre 100km/h como máximo (GFS), e 130km/h (ICON), o que é bastante diferente, sendo que na Madeira a incerteza é semelhante, mas a variar entre 70\80 e 110km/h. No Continente há modelos que quase não prevêem chuva, e outros que prevêem “água com fartura”
De referir que esperávamos que esta depressão se pudesse chamar “Samuel”, contudo, dado que o serviço meteorológico de Andorra nomeou essa depressão pelos efeitos nesse país (e em outros locais no Mediterrâneo), agora é o próximo nome na lista – Therese, dada a abrangência de efeitos que descrevemos a seguir

EFEITOS DESTA DEPRESSÃO, E EVOLUÇÃO DA MESMA
Como já referimos, e apesar da incerteza, esta perturbação já não foge, e afeta os Açores com intensidade. Em princípio uma situação relativamente normal em termos de vento e ondulação (quando dizemos normal significa que é daquelas que acontece com relativa frequência no arquipélago). Ainda assim irá exigir precauções, e terá um aspeto menos comum: frio
Normalmente o vento forte nos Açores é acompanhado por tempo ameno, a sensação térmica não é muito baixa. Desta vez, contudo, teremos muito frio, e muito vento – o modelo ECMWF aponta para neve aos 500 metros de altitude (o modelo americano GFS concorda). Mesmo que seja um pouco acima, pelo efeito marítimo, dá para perceber que pode, mesmo em zonas baixas, haver temperaturas de 5-7ºC, com vento de 80km/h, por vezes pontualmente acima de 100km/h
Assim a sensação térmica será extremamente baixa – em alguns locais será um vento cortante, com o chamado “windchill” inferior a 0ºC – coisa a que os Açorianos não está certamente muito habituados!

O vento será forte vários dias, mas dentro do normal do arquipélago – rajadas de 70\90km/h, começando na segunda à tarde e podendo ficar até sexta-feira – melhoria no fim-de-semana, conforme descrito na previsão semanal
Ainda assim há uma clara previsão de agravamento do tempo na madrugada de quarta para quinta (18 para 19), e aí sim o pico da depressão vai-se sentir – aquilo que consideramos ser motivo para um aviso LARANJA por vento, com rajadas máximas prováveis de 130km/h nos pontos expostos das Ilhas Centrais e Orientais do arquipélago
A ondulação também pode vir a atingir os 10 a 14 metros de altura máxima, com pico na quarta e quinta. Uma situação significativa, de risco elevado, que também deve exigir aviso LARANJA por parte do IPMA (talvez vermelho)

EFEITOS NA MADEIRA E EM PORTUGAL CONTINENTAL
Depois dos Açores esta depressão deverá vir a afetar a Madeira, a partir de quinta-feira – primeiro com aguaceiros fortes e, muito provavelmente, depois com vento forte – com rajadas simuladas localmente acima de 100km/h
O modelo ICON, na última atualização, prevê um deslocamento em cavamento da depressão de Nordeste para Sudoeste, em direção ao arquipélago entre quinta e sexta. Assim o pico do vento poderia ser na sexta-feira, com mais probabilidade na madrugada. Teremos de acompanhar para perceber se o risco poderá ser maior – o modelo Europeu prevê rajadas até 130km/h nesse mesmo período
De referir que também haverá ondas significativas acima de 10 metros, e tempo fresco (mas não tão frio como nos Açores). Os aguaceiros podem ser fortes, frequentes, e com trovoadas, mas só nas previsões diárias, mais perto do dia, poderemos ter mais certezas

Em Portugal Continental teremos efeitos diferentes, e indiretos, mas que podem ser significativos – precipitação, trovoada e algum vento ocasional, mas que pode ser intenso durante os aguaceiros. Há condições para alguma célula mais intensa, que pode originar rajadas convectivas
Haverá risco de granizo, também, e, dependendo da evolução final não descartamos cheias a Centro\Sul (Tejo\Sado, principalmente), pois pode efetivamente chover muito. A Norte pouco choverá, dada a evolução da depressão mais a Sul, e o anticiclone mais a Norte
Não será uma depressão do estilo “Kristin”, talvez possa lembrar mais a “Claudia” de Novembro – instabilidade forte, linhas de precipitação torrencial durante algumas horas no Centro\Sul (talvez no Oeste\AML), e trovoadas. Tudo isto entre quarta e sábado\domingo, com os períodos de maior intensidade a serem confirmados. Não estará frio, no entanto!

A Primavera climática já começou, e no calendário está quase – e já há sinais dela – mais quentinho, e trovoadas que também são comuns na previsão. Contudo estas depressões nomeadas são menos comuns, e faltam 3 nomes (2 se a Therese for nomeada) para terminar a lista. É algo inédito! Como considera que tem sido o inverno\primavera na sua zona?
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