O tempo esta semana, em Portugal Continental, começa a sofrer mudanças significativas. O enfraquecimento gradual da crista anticiclónica a norte da Península Ibérica ao ar marítimo, que nos traz humidade atlântica, e ar mais fresco, que gradualmente vai entrando no nosso território. Está assim dado o ponto final na onda de calor que afetou o litoral nos últimos dias. No Interior? Nem por isso, ainda
Ainda sob a forte influência da massa de ar quente, pelo menos até quinta-feira o calor resiste nas regiões do Interior… Em muitos pontos do Interior, em especial em Trás-os-Montes, Beiras e Alentejo, as temperaturas máximas vão persistir perto ou acima dos 40ºC até ao dia 9 de julho. Alguns locais registam cerca de 10 dias consecutivos com valores iguais ou superiores a 40ºC – pouco comum
Uma excelente notícia para a população será a descida gradual das temperaturas mínimas, que aliviará o stress térmico, que tem impedido certamente o descanso noturno a muita gente. A partir do meio da semana as madrugadas regressam a valores significativamente mais normais, mais frescos. Com isto, com humidade e a ausência de nortada significativa, as condições vão favorecer o aparecimento de nevoeiros e nuvens baixas persistentes no litoral, que poderão tardar a dissipar-se
A previsão para o final da semana e fim-de-semana traz-nos, contudo, uma incerteza significativa nas modelações. Os principais modelos numéricos começam a desenhar a possibilidade do isolamento de uma depressão em altitude (uma gota fria) nas proximidades da Península Ibérica, mas sem que seja ainda possível perceber exatamente onde – há vários cenários possíveis, ainda

O cenário mais provável é de isolamento de uma depressão nas proximidades, que depois se pode deslocar para leste. Caso este cenário se venha a confirmar, poderá trazer tempo consideravelmente mais fresco, potencialmente instável. No mínimo teríamos um arrefecimento ainda mais significativo, sendo possível também alguma instabilidade
De notar, na imagem acima, que “desenhamos” 3 cenários possíveis, desde a colocação a Oeste da depressão, o que nos traria novamente calor, e em especial ao resto da Europa Ocidental e Central, a depressão mais perto de nós (cenário mais provável), e a depressão a escapar-se para Norte (cenário possível, mas pouco provável, mas que poderia permitir, igualmente, muito calor a persistir. Iremos acompanhando, portanto!
Nos arquipélagos, a dinâmica atmosférica será igualmente interessante… Na região dos Açores, a migração dos núcleos de alta pressão permite que o arquipélago fique exposto a uma maior instabilidade, prevendo-se períodos de alguma chuva, principalmente a meio da semana. Por sua vez, na Madeira estabilidade predomina nos primeiros dias, mas não se descarta a ocorrência de alguns aguaceiros no fim-de-semana. Tudo isto é acompanhado por um arrefecimento bastante significativo em ambos os arquipélagos a partir de sexta-feira

PREVISÃO DO TEMPO ESTA SEMANA – 6 A 12 DE JULHO
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TEMPO NA SEGUNDA, 6 DE JULHO
O ar marítimo avança no litoral Ocidental ao longo do dia, provocando uma descida acentuada das máximas e o regresso das neblinas, que podem ir entrando ao longo do dia. No Interior muito calor ainda. Vento fraco a moderado. Temperaturas de 20-25ºC no litoral, 30 a 35ºC nas regiões de transição e até 43ºC no Interior “profundo”. Nos Açores haverá muita nebulosidade com aguaceiros no grupo Ocidental, enquanto na Madeira brilha o sol com máximas acima de 28ºC, localmente
TEMPO NA TERÇA, 7 DE JULHO
O ar mais fresco Atlântico já se nota em todo o território, com o litoral com dias mais típicos da época. No Interior continua calor, mas com descida das temperaturas. Os nevoeiros matinais persistem na faixa costeira devido à ausência de vento (podem mesmo persistir localmente durante a tarde). Vento geralmente fraco a moderado, de Noroeste. Açores e Madeiras com nuvens e abertas, temperaturas acima da média
TEMPO NA QUARTA, 8 DE JULHO
As temperaturas mínimas descem em todo o país, pondo fim às noites tropicais na maioria das regiões (finalmente!). O litoral mantém-se fresco e cinzento, principalmente nas primeiras horas do dia. O Interior continua com calor bastante intenso, sendo até possível uma ligeira subida das temperaturas, ainda com máximas perto de 42ºC, localmente. Nos Açores, a chuva pode surgir, de forma mais significativa, Madeira com sol…

TEMPO NA QUINTA, 9 DE JULHO
Consolida-se cada vez mais a descida de temperatura, já sem valores de 40ºC previstos, pelo menos de forma tão generalizada (em alguns locais do extremo Interior ainda podem surgir pontualmente). O ambiente torna-se muito mais “respirável”. O céu apresenta-se pouco nublado, exceto no litoral, onde predominam as neblinas. Nos arquipélagos da Madeira e dos Açores, a rotação do vento para Noroeste pode trazer maior nebulosidade, e temperaturas mais baixas (chuva nos Açores provável)
TEMPO NA SEXTA, 10 DE JULHO
A aproximação da perturbação em altitude traz incerteza nas previsões. O céu pode apresentar períodos de maior nebulosidade, podendo surgir nuvens de desenvolvimento vertical no interior durante a tarde, sem descartar algum aguaceiro ou trovoada. As temperaturas máximas estabilizam agora em valores mais normais para o mês de julho. Na Madeira, o céu começa a encobrir-se a partir da tarde, enquanto nos Açores se esperam nuvens e abertas, e tempo mais fresco
TEMPO NO FIM-DE-SEMANA, 11 E 12 DE JULHO
O fim-de-semana fica marcado por forte incerteza nas previsões mas há que contar com possibilidade de precipitação, embora baixa (os modelos mostram entre 10 a 25% de probabilidade). Dependendo da posição final da depressão em altitude há risco de ocorrência de aguaceiros e trovoadas dispersas. As temperaturas devem descer agora mais significativamente. Nas Ilhas teremos tempo fresco, podendo haver aguaceiros fracos na Madeira

PODE O CALOR REGRESSAR EM FORÇA EM BREVE?
A evolução do estado do tempo para a segunda quinzena de julho permanece complexa, e com difícil previsão. O desenvolvimento exato da bolsa de ar frio em altitude e a forma como o anticiclone se irá reposicionar nos dias seguintes são ainda projeções de elevada dificuldade. Pequenas oscilações na evolução deste elementos sinóticos serão determinantes para percebermos se o alívio nas temperaturas veio para ficar ou se teremos novas surpresas nas temperaturas em breve
Um dos grandes fatores de instabilidade nas projeções a longo prazo provém do outro lado do planeta. O Super Tufão Bavi no Pacífico Noroeste atua como uma enorme fonte de incerteza, uma vez que a sua intensidade extrema tem a capacidade de injetar enorme energia na circulação atmosférica global. O jato polar irá responder a estas alterações de forma imprevisível
As tendências sugerem que o calor voltará a aumentar na Europa Ocidental na segunda metade do mês, estendendo-se progressivamente desde França até ao Reino Unido. Apesar desta nova subida térmica no Continente Europeu, os dados atuais apontam para algo mais “normal”. Para já, não se prevê que ocorra um fluxo de calor tão extremo como aquele que se registou na severa vaga de calor que marcou o final de junho, e que terá causado até 20 mil mortes na Europa, infelizmente

Artigo publicado e revisto por Fábio Félix | Luso Meteo às 10H, 5 de julho de 2026
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