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A temporada de furacões em 2026 está perto de começar, e, como sempre, começam a surgir as primeiras previsões de como poderá ser – e, mais ou menos certas, são sempre uma boa ajuda para ajudar a planear estes meses imprevisíveis, com este tipo de fenómenos que cada vez mais causa mais estragos
Mas, com tanta notícia recente sobre um “Super El Niño”, mais tempestades e mais extremos com que temos sido bombardeados nas últimas semanas, e a primeira previsão oficial da CSU (Colorado State University) a indicar que poderemos ter menos tempestades de que o normal, certamente poderá haver muita gente confusa – vamos, assim, tentar ajudar a perceber o que se pode esperar!
El Niño, habitualmente, e para a nossa área de interesse (o Oceano Atlântico), tende a reduzir a frequência e intensidade dos fenómenos tropicais – menos atividade, ciclones de menor duração, e períodos longos de calma ao longo dos meses de pico (Agosto a Outubro). Isto deve-se ao aumento de um fenómeno denominado wind-shear, ou cisalhamento de vento – por muito que a água vá estar mais quente que o normal – e certamente estará – os ciclones precisam de várias outras condições para se desenvolverem, e com ventos divergentes nas várias camadas (exatamente o que é o wind-shear) a formação dos mesmos torna-se mais complicada
De forma resumida: Em grande parte dos anos de El Niño, que de facto agora parece praticamente certo, a atividade tropical no Atlântico é, então, mais reduzida. Contudo, com todos os dados que temos disponíveis para previsão, neste momento, prevemos que haja uma “anulação” entre os fatores que promovem os ciclones tropicais, e os inibidores – resultando numa época de furacões perto, ou até acima do normal – contrariando aquilo que seria de esperar
Esperamos, no entanto, algumas “nuances” – podem surgir ciclones onde é menos comum, por exemplo – incluindo maior risco para Portugal – continue a ler para os detalhes da nossa previsão!

ÉPOCA DE FURACÕES DE 2026 – O QUE ESPERAR?
Olhando ao modelo ECMWF, o melhor neste tipo de previsões a esta distância, podemos desde já observar a tendência natural expectável com as condições atuais – menos ciclones no Atlântico, e mais no Pacífico, com alguma relevância estatística (o que significa que o modelo tem alguma confiança neste cenário)
Contudo os modelos meteorológicos não são tudo, e já tivemos diversas situações em que erraram, e erraram por larga margem. E por isso há que pesar outros fatores – entre eles a posição a ITCZ (Zona de convergência intertropical), a temperatura do Atlântico, e o padrão geral de circulação – e todos esses levam a crer em algo que pode ser “arriscado” para zonas menos comuns, incluindo Portugal mais para a frente – formação de ciclones tropicais mais a Norte que o habitual
Se é provável que a zona de desenvolvimento tropical principal (trópicos), esteja mais calma que o habitual (menos furacões do tipo “Cabo Verde”), que são, teoricamente, aqueles com maior potencial devido ao longo Oceano que podem percorrer para intensificar, é provável que nas regiões mais a Norte, onde o cisalhamento inibidor não se sente tanto, mas a água é quente, surjam alguns fenómenos de génese tropical – mais tarde na temporada
Assim dividimos em duas fases: A primeira, entre Junho e Agosto, poderá ser mais calma, com uma ou outra situação ocasional (que ainda assim pode ser intensa), seja no Golfo ou no Atlântico Tropical (nesse caso com menor probabilidade de afetar Terra) e a segunda entre Agosto e Novembro, com mais tempestades à medida que o pico de temperatura Oceânica é atingido – boa parte deles a formarem-se acima de 25-30ºN e\ou no Golfo, com risco evidente para os EUA
As previsões de densidade do ECMWF deixam ainda um claro “alerta” – o Pacífico Ocidental deve preparar-se para algo muito violento, contrastando claramente com o Atlântico – tendo em conta as condições não surpreenderia se este ano se verificasse a formação de um dos ciclones mais fortes já registados no planeta, senão mesmo o mais forte, com risco particularmente para o Sudeste Asiático, mas também para o leste (Taiwan, Japão…), onde se encontram largas densidades populacionais, e centros de comércio e indústria extremamente importantes para a (frágil) economia global

ATUALIZAÇÃO – SUPER EL NIÑO, E O VERÃO NA EUROPA
De forma direta: Sim, há já uma probabilidade superior a 75% de surgimento de um forte El Niño, que pode se mesmo classificado como “super”, uma vez que pode atingir uma anomalia superior a 1.5ºC na zona 3-4 ENSO. Isto quer dizer que, em teoria, este será um dos fenómenos mais intensos dos últimos 100 anos
Mas, e como já referimos anteriormente, o impacto no tempo na Europa é limitado – ou, no mínimo, pouco compreendido. Já tivemos Verões com este fenómeno que foram mais quentes e outros bem mais frescos – parecendo tornar “inútil” esta correlação
Contudo, a nível global, é indubitável – o Pacífico é o maior e mais profundo oceano na Terra, e, com o aquecimento rápido da sua água, há algo inevitável – o calor terá de ser libertado para a atmosfera, que, infelizmente, devido ao efeito de estufa, cada vez tem mais dificuldade em libertá-lo de volta para o espaço – retendo o mesmo. Assim no resto do ano, e particularmente em 2027, as temperaturas globais vão certamente bater recordes, e pode ser por larga margem. Mesmo sem El Niño, à data de escrita deste artigo, as temperaturas do mar estão MUITO próximas dos valores recorde!

A verdade é que, mesmo não havendo um efeito direto estabelecido, este fenómeno tende a provocar mais extremos, em qualquer parte do planeta. E com um planeta 1.7 a 2ºC acima da era pré-industrial (projetado para 2026\27) parece muito provável um Verão muito quente, e com ondas de calor mais agressivas – esperemos apenas que possam evitar Portugal
Assim, de uma forma resumida, não conseguimos dizer de forma clara como será em Portugal: O Verão está envolto em “mistério” quanto a temperaturas, e os ciclones no Atlântico, apesar do mar quente, irão lutar contra alguns fatores desfavoráveis para a sua formação. Contudo podemos dizer que, se surgirem, podem ser mais intensos, com mais risco para Portugal (inicialmente nos Açores e para o Outono em Portugal Continental e\ou Madera)
Podemos, contudo, afirmar, com elevada certeza, que as regiões do Pacífico Ocidental irão sofrer com mais tempestades que o normal, e mais violentas, e que o planeta vai aquecer. Será possível o primeiro evento “Blue Ocean” antes de 2030, como algumas projeções já indicaram? Vamos ver, infelizmente é uma possibilidade, e que nos deve preocupar

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