O calor que se tem feito sentir sobre a Europa Ocidental, e que poupou Portugal, tem os dias contados, mas já há sinais evidentes para a formação de uma (nova) e potente cúpula de calor sobre o Atlântico. Esta zona de altas pressões será progressivamente empurrada para leste ao longo dos próximos dias, posicionando a sua dorsal diretamente sobre a Península Ibérica e dando início a um episódio de calor, potencialmente extremo, no final de junho
As projeções atuais são invulgarmente consistentes, com mais de 90% das previsões a apontar para valores que poderão ficar perto ou acima dos 44 a 45ºC em algumas regiões. Os principais centros de previsão a nível mundial mostram um claro consenso multi-modelo, aumentando a probabilidade que Portugal Continental seja mesmo afetado por esta massa de ar, ao contrário do que tem acontecido, e da “sorte” que tivemos

Ao contrário do que aconteceu na onda de calor anterior, onde subsistiam algumas dúvidas na modelação, os modelos em conjunto (ensembles) mostram agora uma confiança muito elevada. Esta concordância entre as várias simulações, ligeiramente “perturbadas” para avaliar a incerteza, reforça a forte probabilidade de estarmos perante um evento de calor extremo bastante intenso e abrangente
O processo de aquecimento começará a desenhar-se de forma gradual a partir do dia 30 de junho, altura em que o anticiclone se estabelece firmemente no Atlântico. Contudo, todos os indicadores apontam para que o pico desta onda de calor se manifeste principalmente durante a primeira semana de Julho
Tanto o modelo americano GFS como o europeu ECMWF estão atualmente em perfeito acordo, antevendo valores de mínimas e máximas impressionantes para o território nacional, especialmente dada a duração provável. As atualizações mais recentes mostram que as temperaturas máximas têm potencial para ultrapassar os 45ºC em alguns pontos, o que significa que poderemos estar perante algo semelhante ao que tem estado a afetar França, por exemplo, e a provocar um pico de mortalidade elevado

CALOR INTENSO – O QUE ESPERAR NA SUA REGIÃO?
Entre os dias 29 e 30 de junho, e estendendo-se até 1 ou 2 de julho, as regiões do Norte e a faixa litoral ainda registarão temperaturas menos elevadas, beneficiando de alguma influência marítima, ainda. Durante esta fase inicial, o foco principal do calor intenso ficará concentrado nas regiões do Centro, Sul, especialmente no Interior. Não descartamos igualmente que ainda surjam neblinas no litoral
O cenário mudará de figura a partir de 2 ou 3 de julho, com a rotação do vento e o aparecimento de um significativo fluxo de leste a ser a previsão mais consensual no momento. Se as previsões atuais se confirmarem, isto significa que o ar rapidamente será comprimido pela alta pressão, sem o efeito moderador do oceano, e aquecerá até níveis muito intensos – a chamada “cúpula de calor”. O vento leste garante que o calor é empurrado também até ao litoral, talvez até às praias (a confirmar)
Para já, os principais modelos apontam o período entre 3 e 5 ou 6 de julho como o potencial pico crítico deste evento. Há valores consensuais que superam com facilidade os 43ºC em várias bacias hidrográficas e regiões, desde o Alentejo e Vale do Sado, até às zonas do Vale do Tejo e do Mondego. Valores menos consensuais apontam mesmo para picos de 45 a 47ºC, pelo que teremos de estar atentos à evolução
Mesmo a cidade de Lisboa poderá ser afetada por esta situação de forma muito significativa, uma vez que a massa de ar quente será muito abrangente. Para já há elevada probabilidade de vermos os termómetros na capital a atingirem 36 a 38ºC, com os 40ºC a serem uma possibilidade crescente. Resumidamente… cenário de calor de Norte a Sul, bem intenso, que merece toda a atenção
Cabe-nos SEMPRE referir que não é apenas calor, não é apenas Verão – estas situações repetidas de onda de calor fazem parte de um padrão atmosférico muito persistente, de bloqueio, que se parece ter instalado este Verão, e que parece afetar particularmente a Europa. Não tem ainda relação com o super El Niño a caminho, pois esse ainda não está instalado, o que preocupa ainda mais, pois dá que pensar o que pode surgir nos anos seguintes…

É fundamental recordar que a meteorologia não é uma ciência exata e, a vários dias de distância, ainda persistem margens de incerteza natural quanto à intensidade final e exata distribuição das temperaturas pelo nosso país. Contudo, dada a elevada consistência dos modelos, o mais prudente é começar desde já a pensar nessa (elevada) probabilidade, e a pensar em medidas de autopromoção
Nesta fase, ainda não é possível determinar com absoluta certeza se este evento será algo mais intenso, ou mesmo histórico ou apenas uma onda de calor intensa, mas já habitual no mês de julho. Seja como for, o risco de incêndios rurais irá disparar para níveis críticos e o perigo para a saúde pública aumentará significativamente, exigindo os cuidados que todos já conhecemos, mas que muitas vezes negligenciamos
Artigo publicado e revisto por Fábio Félix | Luso Meteo no dia 26 de junho de 2026, às 8:01H

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1 comentário
Calor em Julho?? Estamos no Verão… é normal, ou não?? Calor extremo??
Ai que medo!! 😱😱
A cultura do medo está implementada, principalmente nas nossas tv’s. Tudo serve para amedrontar o povo: guerras, pandemia, catástrofes naturais, supostas alterações climáticas… previsões meteorológicas. Os senhores, aqui neste site, também alinham nisso?
Obrigado!