Uma forte depressão deve afetar o arquipélago dos Açores a partir da tarde de domingo e durante o dia de segunda-feira – com ventos fortes, ondas muito significativas – com altura máxima menos comum – e com chuva por vezes forte (acompanhada de trovoada) em algumas Ilhas. Dadas as características não será surpreendente se o IPMA nomear esta depressão “Regina”
Não se trata de uma situação de risco extremo, comparável por exemplo à tempestade Kristin, mas sim uma situação mais “normal” de Inverno no arquipélago. Ainda assim devem ser tomadas as devidas precauções em relação ao vento – e, principalmente, o mar, que estará de facto muito agreste!
A depressão responsável deverá ter uma pressão mínima central de 980hPA (aproximadamente), sendo que estará inserida num complexo (e grande) sistema de baixas pressões, com uma frente fria associada que afetará o arquipélago, antes de evoluir em direção a Portugal Continental – mas sendo “presa” pelo anticiclone dos Açores e as altas pressões sobre a Europa Ocidental\Central – podendo isolar-se a Oeste\Sul do território Continental – provocando um dia bem quente (segunda), e começando a arrastar poeiras de África
Assim os efeitos resumem-se, maioritariamente, ao arquipélago Açoriano, e, de forma mais intensa às Ilhas Ocidentais – que, em boa verdade, já estão habituadas a mau tempo, e a estas situações meteorológicas mais adversas – pois, quase sempre, são as mais afetadas pelas depressões Atlânticas

EFEITOS DESTA DEPRESSÃO NO ARQUIPÉLAGO DOS AÇORES
Conforme referido anteriormente, os piores efeitos, tanto a nível de vento como mar, devem ser sentidos nas Ilhas de Flores e Corvo, onde se esperam rajadas que podem superar os 110 a 120km/h (130km/h nas terras altas), segundo previsões de vários modelos fiáveis, como ICON-EU ou ECMWF-IFS. Nas Ilhas do Grupo Central as rajadas devem superar os 90km/h, enquanto nas Ilhas Orientais podem rondar os 70 a 85km/h. O pico do vento será na tarde de segunda-feira
O mar é o mais preocupante deste evento, com ondas significativas entre 4 a 6 metros a partir da tarde de domingo, subindo para 7 a 10 metros durante o dia de segunda-feira nas Ilhas Ocidentais, e 6 a 8 metros nas restantes Ilhas – com ondas máximas até 20 metros nas Ilhas do Grupo Ocidental e 14 a 16 metros nas Ilhas do Grupo Central
A ondulação mantém-se na terça-feira, em especial durante a manhã – com ondas máximas superiores a 10 metros a persistirem em todas as Ilhas até ao final do dia, antes de uma melhoria mais substancial na quarta-feira

A chuva será por vezes forte, com maior incidências nas Ilhas dos Grupos Ocidental e Central, onde, localmente, se podem acumular até 25 a 50l\m2, podendo provocar inundações localizadas. Ocasionalmente podem surgir trovoadas, sendo mais prováveis na madrugada e manhã de segunda-feira nas Ilhas Ocidentais, e durante a tarde nas Ilhas do Grupo Central
Como já referimos, e mesmo sendo uma situação relativamente normal do Inverno Açoriano, o mar, em especial, merece cuidados redobrados, sendo essencial seguir todos os conselhos das autoridades – proteger o que puder proteger, e, claro, não se aproximar – a curiosidade, neste tipo de episódios de forte ondulação, por vezes leva a descuidos fatais, infelizmente

PORTUGAL CONTINENTAL COM UMA FRENTE EM DISSIPAÇÃO E CHUVA DE LAMA!
A frente associada a esta depressão deverá aproximar-se na terça-feira ao território Continental, devendo começar a afetar o litoral, com probabilidade de aguaceiros, a partir da tarde, e, especialmente, para o final do dia – quando a probabilidade de chuva irá aumentar mais significativamente
Dado que a depressão irá ser “morta” pela alta pressão, e fica a Oeste\Sul do território, ficando isolada em altitude, acabará por não produzir ventos fortes em Portugal Continental. Por outro lado irá arrastar as poeiras de África para Norte – sendo que, assim, entre segunda e quarta-feira se espera uma significativa carga de poeiras, com o céu bem amarelado
Visto que se continua a prever alguma precipitação (não será muita certamente), a que ocorrer pode ser “de lama” – uma grande mudança, de facto, em relação ao tempo que vínhamos a ter, com a precipitação a ocorrer com temperaturas significativamente mais elevadas – vão descer, depois da segunda-feira muito quente para a época, contudo mantêm-se agradáveis
De notar que, para já, não se espera que este tipo de depressões afete o território Continental – contudo, mais para a frente, depois dos primeiros dias de Março, a tendência persiste para uma mudança de regime atmosférico que pode permitir a aproximação dos sistemas de baixa pressão ao nosso território – iremos acompanhar e atualizar a informação quando possível

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