O IPMA nomeou nesta segunda-feira, 2 de fevereiro, a tempestade Leonardo, que irá afetar Portugal nos próximos dias – principalmente entre dias 3 a 5 de fevereiro, começando pelos Açores, mas tendo também efeitos significativos em Portugal Continental
Neste momento estamos todos em “sobressalto” quando ouvimos falar de tempestades, o que é normal e natural tendo em conta o que ocorreu, e por isso é importante salientar que, mais uma vez, esta situação nada terá a ver com a Kristin – contudo não podemos ignorar os riscos, e devemos alertar, novamente, que mesmo situações mais normais em outros invernos, atualmente são mais perigosas, dada a fragilização de estruturas e terrenos
Assim, e tendo em conta isto: Sim, é inverno, e sim, é “normal”, porém deve precaver-se ao máximo perante mais um temporal de inverno, que trará vários riscos – desde logo começando pelos Açores, aí sim com ventos mais significativos, e mar com ondas gigantes, e depois em Portugal Continental com todo o tipo de efeitos – chuva, vento, mar agitado

TEMPESTADE LEONARDO EM PORTUGAL – PREVISÃO GERAL
DIA 3 DE FEVEREIRO
Situação relativamente normal, ainda, tanto em Portugal Continental como nas Ilhas, porém já com alguns efeitos notórios, desde logo o aumento da intensidade do vento nos Açores, assim como alguma precipitação. Para a tarde o mar torna-se gradualmente muito agitado no arquipélago
Também em Portugal Continental a chuva vai caindo, inicialmente em regime de aguaceiros, mas a primeira frente associada a esta situação chega ao final da tarde, principalmente ao Centro\Sul, com mais chuva. O vento também aumenta de intensidade, assim como a agitação marítima. Na Madeira ainda não se sentem efeitos desta depressão atmosférica
O dia de maior impacto desta tempestade nos Açores – onde se prevêem rajadas de vento generalizadas acima de 100km/h, e ventos máximos prováveis da ordem dos 110 a 120km/h nos Grupos Ocidental e Central (140+km/h nas terras mais altas). A chuva cai por vezes forte, e o mar pode ter ondas superiores a 10 metros, com picos entre 15 a 20 metros (aviso VERMELHO pelo IPMA)
Já em Portugal Continental os efeitos ainda são ligeiros, a nível de vento, na sequência da evolução destes vários núcleos complexos, com tempo “normal” para a época – mas com a formação de um rio atmosférico a afetar as regiões Centro e Sul, especialmente, com chuva persistente, humidade, tempo abafado – e risco evidente de inundações e cheias – muita chuva!
A Madeira deve sentir muitas rajadas de vento, e alguma chuva, mas numa situação que ainda é normal – 60\70km/h, e 15 a 20mm\24h – com o mar agitado, mas dentro de padrões normais para a época

DIA 5 DE FEVEREIRO
O dia de maior risco desta tempestade em Portugal Continental – com chuva forte na madrugada, passando a aguaceiros, e com muito vento – situação de risco moderado, com potencial para quedas de árvores, algumas estruturas fragilizadas, e inundações\risco de cheias\derrocadas
Os modelos apontam, atualmente, para rajadas máximas de 80\90km/h no litoral e 100\110km/h nas terras altas, e para cerca de 30\40l\m2 em 6 horas, assim como 50 a 80l\m2 em 24 horas neste dia no território. Além de tudo isto, o mar deve ter ondas superiores a 10 metros na Costa Ocidental
Já nos Açores a situação deve acalmar um pouco a nível de vento, mas o fluxo Noroeste torna-se ativo, com rajadas até 80km/h, descida de temperaturas, e o mar ainda bem agitado, particularmente até ao final da manhã. Tudo isto será acompanhado por alguns aguaceiros
Na Madeira teremos a passagem de uma frente na madrugada, com chuva, passando rapidamente a aguaceiros. Também na madrugada o vento sopra forte, de Sudoeste – mas nada de fora do vulgar. O mar torna-se mais agitado, com ondas máximas superiores a 8 metros

ONDE IRÁ CHOVER MAIS, E ONDE ESTARÁ MAIS VENTO?
Já estabelecemos que, efetivamente, os Açores levam, em princípio, com o vento mais intenso, além do mar mais agitado – contudo, em Portugal Continental, a situação tem ainda alguma incerteza associada, tanto quanto à intensidade dos ventos, como da chuva, e também da localização desses mesmos picos de intensidade
Para já há que monitorizar, e adiantar o que é possível segundo as previsões atuais mais fiáveis, e essas mostram-nos, então, o seguinte, em relação à CHUVA
- No dia 3 de fevereiro, à noite, uma frente entra pelo sul do território – esta frente traz muita humidade associada, e terá precipitação significativa, de forma algo prolongada, associada a uma perturbação “satélite” da “Leonardo”. Irá provocar na madrugada de dia 3 para 4 risco de inundações a Sul do Tejo, essencialmente (e no Sul de Espanha, onde podem ser MUITO complicadas)
- Posteriormente, no dia 4 de fevereiro, a chuva avança gradualmente para Norte, em especial para a tarde, com risco de precipitações intensas a partir do meio da tarde também nas bacias hidrográficas do Tejo, Mondego, e, mais tarde, do Vouga, para o final da tarde – a chuva pode ter valores totais acumulados de 20 a 40l\m2 a partir da tarde\meio da tarde nestas regiões
- É de notar a incerteza associada, visto ser um sistema de elevada humidade, que pode levar a precipitações mais generalizadas e intensas do que o previsto, particularmente em zonas de montanha, o que pode aumentar o risco de cheias
- No dia 5 de fevereiro, então, pela madrugada e manhã, será o Norte e Centro que terá mais chuva, com especial destaque para os distritos de Aveiro, Viseu, Guarda, Coimbra, Leiria, Castelo Branco e Portalegre, segundo o consenso multimodelo – com valores em 12 horas a superarem, provavelmente 50l\m2. O risco de cheias aumenta ainda mais – atingindo possivelmente o pico, ou próximo disto, esta semana

Em relação ao vento, prevemos um pico de intensidade do mesmo na quinta-feira, com intensidade ainda indefinida, e que merece acompanhamento – não sendo, para já, expectável que venha a ser nada demasiado severo
No litoral deverá ser semelhante à situação da madrugada de segunda-feira – intenso, com alguns riscos, mas que acaba por ser normal nesta altura do ano. Nas terras altas, e segundo projeções atuais, pode ser mais intenso, dada a baixa pressão e proximidade das isóbaras, com rajadas que, nas Serras, podem superar os 130km/h (acima de 1000 metros de altitude)
O nível de risco poderá ser moderado, com as quedas de árvores e algumas estruturas fragilizadas a serem o efeito mais provável – sendo que este risco é agravado pela duração do episódio de vento mais intenso, que é um pouco superior ao que temos assistido – pode começar na noite de 4 para 5, e manter-se boa parte de dia 5
Evite circular nas estradas salvo deslocações essenciais, pois a combinação de chuvas fortes e vento forte levam a risco de instabilidade dos solos, que promovem a queda de árvores para as vias de trânsito, além de derrocadas. Não é uma Kristin, repetimos, mas é uma situação a ter em conta, sem dúvidas –
O mau tempo está para ficar, por isso tome todas as devidas precauções, esteja atento aos avisos da Proteção Civil, uma vez que ainda não sabemos quando terminam as tempestades, quando pára de chover, e quando chega o sol

O que acha de todas estas tempestades? Normal? Ou um sinal das alterações climáticas, com mais extremos (calor extremo no Verão, chuvas e tempestades mais intensas no Inverno?) – Participe com a sua opinião nos comentários, abaixo! 👇
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