A meteorologia tem destas coisas – se nos últimos anos a neve tem sido, realmente, muito pouca, quando comparado ao que era há (muitos) anos atrás, no inverno 2025-26, finalmente, têm surgido nevões dignos de registo, e que realmente fazem lembrar um pouco mais o século XX – e como era o nosso clima antes do aquecimento global alterar significativamente o clima em Portugal
Mas não terminou, longe disso, e as previsões estão até bastante animadoras para quem gosta do “elemento branco” – com vários nevões em perspetiva nas próximas semanas – um jato polar com influência de Norte, e por consequência depressões frias a mergulhar sobre o nosso território, e condições favoráveis a um bloqueio sobre o Norte\Leste da Europa, levam a que o risco de queda de neve em altitudes médias, pelo menos, seja elevado
Um desses episódios de neve pode surgir já no sábado, dia 17 de janeiro, com previsões atuais ainda incertas, mas com consenso para queda de neve nas montanhas, em boa quantidade – pelo menos acima dos 1000-1200 metros. Contudo, o modelo GFS (Americano), que tem sido muito mais fiável nas cotas de neve este inverno, aponta para que se registe neve, novamente, a altitudes de 600-800 metros, num bom nevão!

O INVERNO VAI SER LONGO – EIS O QUE SE PODE ESPERAR!
Como já referimos anteriormente, as condições atmosféricas estão muito dinâmicas, mas favorecem um regime atmosférico em que a alta pressão se instala sobre o Norte da Europa, e também sobre o leste do Continente Europeu, deixando as depressões Atlânticas incapazes de seguir o seu trajeto rumo a leste. Por essa razão são forçadas a descer de Norte para Sul sobre a Europa Ocidental e Central, levando a frio intenso nestas regiões
Claro que há sempre incerteza no que acontece depois, sendo sempre MUITO difícil de calcular este tipo de interações, e de que forma irão ocorrer – apesar de haver relativo consenso entre modelos, certamente que haverá enormes ajustes nas previsões nos próximos dias. Ainda assim esta ideia geral não deve ser abandonada, e por isso o risco de frio será evidente

Para haver neve, contudo, é necessário precipitação – e todos sabemos que, em Portugal, habitualmente, frio e precipitação não combinam – temos verificado ano após ano essa situação – sempre que surge o frio intenso no Inverno, também surge o céu mais limpo – e vice-versa (quando chove o tempo ameniza muito!)
Este ano, contudo, temos tido chuva (quase sempre) com temperaturas mais baixas, o que tem levado a diversos nevões, ora em altitudes mais elevadas (como é o caso desta terça-feira, 13 de janeiro, na Serra da Estrela), ou em altitudes mais baixas (como foi o caso de 21-22 de dezembro, situação que propiciou um nevão intenso a 400-500 metros de altitude)

Dado que os fluxos continuam a ser, maioritariamente, polares marítimos, a precipitação pode mesmo surgir, e, com ela a neve – mas é algo a acompanhar. Se o fluxo for demasiado marítimo, digamos, obviamente que a temperatura tende a amenizar, e, com mais humidade, apenas as Serras poderão ver algo
Se, por outro lado, o bloqueio se intensificar, e as depressões passarem a ter mais componente Continental o frio irá ser mais significativo – e aí qualquer precipitação que surja pode trazer surpresas! Para já o modelo Europeu aponta para temperaturas bem abaixo da média!
Uma nota final na previsão para a Europa – há potencial, de facto, para algo mais extremo no Centro\Leste Europeu, com este tipo de configuração atmosférica. Não descartamos que países como Polónia, Ucrânia, Lituânia, ou até mesmo Alemanha e Áustria (exemplos) registem ocasionalmente -25 a -30ºC mesmo a altitudes baixas!

FRIO MAIS INTENSO E IMPACTO DO MESMO NA SAÚDE PÚBLICA
A mortalidade em Portugal, infelizmente, está bastante acima da média nas últimas semanas – e isto deve-se, em boa parte, ao frio intenso – que no Inverno é sempre responsável pela morte dos mais fragilizados, até porque vivemos num país em que boa parte das habitações não estão preparadas para as baixas temperaturas
Obviamente que, a juntar às baixas temperaturas, temos os naturais vírus sazonais, que este ano, segundo autoridades de saúde, estão a “fintar” as vacinas, e a ser mais intensos – um “cocktail” perfeito para que morram mais pessoas que o habitual – infelizmente
Se as previsões se concretizarem, infelizmente continuaremos a ver pressão nos sistemas de saúde nas próximas semanas – como vimos acima o modelo Europeu, o mais fiável a médio e longo prazo, aposta na continuação de temperaturas abaixo da média na Europa, incluindo Portugal – algo que não víamos de forma tão contínua há muitos anos!
Assim temos boas notícias para os amantes da neve – é quase certo que as montanhas voltarão a ficar pintadas de branco, mais do que uma vez, ao longo do inverno, e, quem sabe, altitudes mais baixas também (obviamente que em Lisboa, Porto ou Faro, por exemplo, é improvável, ainda assim...). Por outro lado temos más notícias para quem sofre com o frio – que deve continuar a ser notícia ao longo do inverno, sem que haja, pelo menos, muito sol a acompanhar, pelo menos do que vamos vendo para já
Os modelos meteorológicos até sugerem que fevereiro seja mais seco e mais soalheiro, mas a esta distância a previsão tem pouca credibilidade, e certamente que terá de ser ajustada. Iremos portanto acompanhar para lhe trazer a melhor informação possível em breve! Muito obrigado pela sua confiança!

E você, gosta do frio, ou prefere o tempo mais quentinho? Já viu neve este ano? Gostaria de ver? Participe nos comentários, abaixo!
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