O tempo esta semana ficará marcado por calor, muito calor – com uma situação inicial mais “tranquila” no litoral, devido à persistência de um fluxo de norte associado ao posicionamento do anticiclone. A partir de quinta-feira, contudo, o calor instala-se em todo o território nacional, com uma subida drástica das temperaturas no litoral à medida que o vento roda para leste
O calor intenso, no Interior, começará a dar os primeiros sinais já nesta segunda-feira, dia 29 de junho, com temperaturas perto de 40ºC. Intensifica-se depois de forma gradual ao longo dos dias. Por volta de quinta-feira, dia 2 de julho, os termómetros deverão atingir valores muito elevados, da ordem dos 45ºC nos pontos tradicionalmente mais quentes de Portugal Continental
Mesmo a capital, Lisboa, poderá registar máximas invulgares entre os 40ºC e os 42ºC, um cenário que se manterá por vários dias consecutivos e que é muito pouco comum.Na segunda metade da semana, a massa de ar quente estender-se-á com força até à faixa costeira, onde as temperaturas máximas deverão superar localmente os 30 a 35ºC, um comportamento normal em testada, mas que não deixa de impressionar para as regiões em questão
Além de todo este calor durante o dia, as noites não são melhores, com as temperaturas mínimas a serem extraordinariamente elevadas. Esperam-se várias noites tropicais consecutivas, com os valores noturnos a fixarem-se acima dos 25ºC e, nalguns locais do Centro e Sul, bastante perto dos 30ºC. De acordo com as simulações atuais, este evento reúne condições para se posicionar como a segunda ou terceira onda de calor mais intensa e duradoura alguma vez registada em Portugal Continental, pelo menos para a primeira metade do Verão
As projeções a médio prazo indicam que a duração deverá estender-se para lá do próximo fim-de-semana, embora ainda necessite de confirmação em atualizações seguintes. Valores ainda mais extremos, a rondar os 45ºC a 47ºC, não estão totalmente descartados pelos modelos entre dias 4 e 6\7 de julho, algo que iremos também acompanhar. Reforçamos o aviso de que nos aproximamos de um período meteorológico complicado, cujos impactos se farão sentir no dia-a-dia, sendo necessária prevenção e preparação

Nos arquipélagos dos Açores e da Madeira, a semana será marcada pela estabilidade atmosférica, não estando prevista qualquer ocorrência de precipitação em ambos os arquipélagos. Nos Açores, o vento soprará em geral fraco a moderado, proporcionando dias agradáveis com abertas
Pelo contrário, a Madeira estará sob um regime de vento forte de Nordeste até quarta-feira, com rajadas mais intensas nas zonas montanhosas e extremos da ilha, que poderão causar constrangimentos, e o eventual cancelamento\atraso de voos no aeroporto do Funchal. As temperaturas médias deverão fixar-se acima da norma climatológica em ambos os arquipélagos ao longo de toda a semana
Esta anomalia positiva nas temperaturas de forma muito mais pronunciada no arquipélago da Madeira, onde a proximidade da massa de ar quente do Continente Europeu fará os termómetros subir de forma mais significativa, com noites abafadas e dias com máximas na casa dos 30ºC

TEMPO ESTA SEMANA – 29 DE JUNHO A 5 DE JULHO – CALOR!
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Segunda-feira, 29 de junho: Portugal Continental regista uma subida das temperaturas no interior, com máximas a tocar os 38ºC no Alentejo, enquanto o litoral tem neblinas e nortada moderada, com temperaturas mais contidas. Na Madeira o vento sopra forte de nordeste, com sol, e os Açores apresentam céu nublado com boas abertas e tempo geralmente seco
Terça-feira, 30 de junho: O calor continua, intensifica-se e expande-se no território, podendo já atingir 40 a 42ºC nos pontos mais quentes. No litoral persiste o fluxo de norte com nuvens matinais, mas que limpam relativamente cedo, enquanto o vento leste começa a chegar ao interior. A Madeira mantém a previsão de vento forte, com alguma agitação marítima, enquanto os Açores continuam com tempo estável, com abertas (e a aquecer um pouco)
Quarta-feira, 1 de julho: Início do mês de julho com céu limpo na generalidade do país durante a tarde, após a rápida dissipação das neblinas costeiras. As temperaturas continuam a subir de forma gradual no Interior, com máximos que já podem tocar os 42-44ºC. Mais vento, do quadrante leste, moderado. O vento forte começa a perder intensidade na Madeira ao final do dia, e os Açores mantêm o mesmo estado de tempo
Quinta-feira, 2 de julho: Início do período mais crítico da onda de calor. O vento roda para leste, por vezes forte, e o ar mais quente chega também ao litoral, com Lisboa a poder atingir os 40ºC e os vales mais quentes do território a aproximarem-se dos 44ºC/45ºC. Céu limpo na generalidade do território. Tempo calmo e ameno, com sol, tanto nos Açores como na Madeira, com máximas acima da média
Sexta-feira, 3 de julho: O calor estende-se a quase todo o Continente, com máximas de 45ºC nos vales do Guadiana, Sado, Tejo, e perto disso no Mondego, Douro… As praias registam valores invulgares acima dos 30ºC e a noite será MUITO QUENTE, com a continuação de vento intenso, e risco máximo de incêndio. Tempo seco e quente também na Madeira, enquanto nos Açores não se esperam alterações relevantes
Fim-de-semana, 4 e 5 de julho: Sábado e domingo ainda “sem tréguas” no calor, mantendo o bloqueio atmosférico. As máximas continuam fixadas entre os 42ºC e 45ºC no interior e acima dos 35ºC em grande parte do litoral. Noites tropicais generalizadas em Portugal Continental e na Madeira, com os Açores a registarem dias (provavelmente), de sol, também

ESTE CALOR NÃO É NORMAL, E PODERÁ AINDA PIORAR
Esta situação meteorológica está muito acima das médias climáticas normais para finais de junho e início de julho. Estamos perante uma onda de calor severa, cuja duração previsivelmente superior a 7 dias (podendo aproximar-se dos 10 dias) e intensidade, com desvio de mais de 10ºC acima da média climática, configuram um cenário de risco muito elevado para a saúde pública e para a propagação de incêndios
Ultimamente temos visto os meteorologistas, ou pelo menos a comunicação social a associar imediatamente estes extremos ao recente desenvolvimento global de padrões climáticos associados ao fenómeno El Niño. Contudo, importa esclarecer que, neste momento, a contribuição ainda não é direta: os efeitos globais mais severos de um super El Niño tendem a manifestar-se mais para a frente, neste caso no inverno em em 2027. Para já pode estar apenas a amplificar os bloqueios atmosféricos – as temperaturas são altas porque já é a nova “base” do aquecimento global
Verificar uma onda de calor com esta violência e abrangência territorial logo nos primeiros dias de julho, logo após uma outra de calor ainda em junho, histórica na Europa, deixa a comunidade científica bastante apreensiva, e com razões para isso. Embora esta situação não signifique, de forma clara, que teremos obrigatoriamente episódios ainda mais intensos no resto do Verão, a verdade é que haverá uma janela temporal muito grande e preocupante para que novos extremos possam ocorrer até setembro (nos últimos anos até mesmo outubro, em Portugal…)
A Luso Meteo continuará a acompanhar a evolução deste bloqueio atmosférico e onda de calor associada, com total atenção e atualizações permanentes à medida que novos dados dos modelos fiquem disponíveis. Apela-se a toda a população para que adote desde já comportamentos preventivos, mantendo-se atentos aos avisos oficiais emitidos pelo IPMA e pela Proteção Civil

Artigo escrito e revisto por Fábio Félix | Luso Meteo, a 28 de junho de 2026, atualizado às 8:45H
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