O tempo esta semana, 2 a 8 de novembro, deverá ficar marcado por uma mudança significativa nas condições atmosféricas, depois de dias quentes e secos consecutivos. O anticiclone começará a deslocar-se para norte, estabelecendo-se nas proximidades do Reino Unido, onde poderá atingir pressões entre 1030 e 1035 hPa. Ao mesmo tempo, uma depressão retrógrada, com deslocação de leste para oeste, poderá aproximar-se da Península Ibérica, contribuindo para mais frio, e uma alteração gradual da circulação atmosférica
O Atlântico começa também a mostrar sinais de maior atividade em latitudes mais a Sul. As depressões podem assim encontrar condições mais favoráveis para se desenvolverem e deslocarem para latitudes próximas de Portugal, trazendo alguma instabilidade. Os primeiros efeitos deverão sentir-se sobretudo nos Açores e na Madeira, onde se esperam períodos de chuva, vento e possibilidade de precipitação localmente intensa, especialmente durante a segunda metade da semana
Em Portugal Continental a principal mudança será inicialmente sentida durante a noite. Com o afastamento da massa de ar quente que temos registado nos últimos dias, e com o céu pouco nublado e condições favoráveis ao arrefecimento noturno, as temperaturas mínimas deverão descer de forma significativa. As madrugadas mais frias são esperadas entre 4 e 6 de novembro, podendo os termómetros atingir valores próximos de -3ºC nos locais mais frios do Interior Norte e Centro, com formação de geadas, talvez extensas em algumas regiões
Durante a tarde, contudo, a temperatura continuará agradável, embora progressivamente fique mais fresco. O contraste entre noites frias e tardes amenas poderá ser bastante significativo, com temperaturas máximas geralmente entre 14 e 22ºC na segunda metade da semana. Será, portanto, necessário voltar a utilizar os casacos, apesar de ainda termos sol até quinta-feira, pelo menos…

A grande questão será o que acontecerá durante o próximo fim de semana, dias 7 e 8 de novembro. Vários modelos meteorológicos começam a mostrar uma aproximação mais significativa de depressões atlânticas, mas persistem dúvidas relativamente à sua trajetória. Algumas previsões colocam a chuva sobre Portugal Continental já durante o fim de semana, enquanto outras atrasam a sua chegada por mais alguns dias. Mais dia menos dia, contudo, deverá chegar
Tudo indica, ainda assim, que a primeira metade de novembro poderá finalmente trazer um regresso mais consistente da instabilidade, depois de um outono extremamente seco em muitas regiões. Nas ilhas, a situação poderá ser mais perturbada, com episódios de chuva forte e possibilidade de inundações localizadas. No Continente para já a frescura começa a sentir-se, e a chuva pode surgir de forma rápida e brusca – pelo que é melhor contar desde já com isso!

TEMPO ESTA SEMANA – 2 A 8 DE NOVEMBRO
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SEGUNDA-FEIRA, 2 DE NOVEMBRO
No Continente espera-se céu pouco nublado ou limpo, com algumas nuvens matinais e tempo geralmente seco. As temperaturas continuarão elevadas para a época, embora as mínimas comecem a descer em alguns locais. O vento será geralmente fraco. Nos Açores, poderão ocorrer aguaceiros, sobretudo nas ilhas do Grupo Ocidental. Na Madeira mantém-se a possibilidade de chuva ou aguaceiros associados à instabilidade que afeta o arquipélago
TERÇA-FEIRA, 3 DE NOVEMBRO
O tempo continuará relativamente estável em Portugal Continental, com céu pouco nublado e períodos prolongados de sol. As temperaturas máximas deverão descer ligeiramente, mas continuarão amenas para novembro. Durante a noite o arrefecimento já se deve sentir mais.. Nos Açores, espera-se chuva e vento por vezes forte nas ilhas Ocidentais, podendo a precipitação estender-se ocasionalmente ao Grupo Central. Na Madeira, poderão ocorrer alguns aguaceiros, embora também sejam possíveis períodos com boas abertas…
QUARTA/QUINTA, 4 E 5 DE NOVEMBRO
Prevê-se céu geralmente pouco nublado no Continente, com tempo seco e temperaturas em descida, especialmente as mínimas. As madrugadas serão bastante mais frias, podendo ocorrer geadas nos locais mais abrigados do Interior Norte e Centro na quarta, e de forma mais extensa na quinta. Durante a tarde, o sol ainda nos traz um ambiente mais agradável, embora fresco. O vento deverá soprar fraco a moderado
Nos Açores e na Madeira poderão ocorrer aguaceiros ocasionais, intercalados com abertas, sem que se espere precipitação persistente em todas as ilhas (talvez possa chover mais nos Açores na quinta-feira

SEXTA-FEIRA, 6 DE NOVEMBRO
A previsão começa a apresentar maior incerteza… No Continente o tempo deverá continuar maioritariamente seco, com temperaturas amenas durante a tarde e possibilidade de nevoeiros ou nuvens baixas durante a manhã. Ao longo do dia poderão surgir nuvens altas, antecipando uma eventual mudança do estado do tempo. Nos Açores mantém-se a possibilidade de chuva e vento, enquanto na Madeira aumenta o risco de precipitação mais intensa, com alguns modelos a preverem até uma situação de mau tempo
FIM-DE-SEMANA, 7 E 8 DE NOVEMBRO
O fim de semana deve trazer o regresso da instabilidade a Portugal Continental, embora a previsão ainda seja algo incerta. Alguns modelos mostram a aproximação de uma depressão, que pode trazer aguaceiros, eventualmente acompanhados por trovoadas dispersas. As temperaturas máximas poderão descer ligeiramente, enquanto as mínimas tendem a subir devido ao aumento da nebulosidade
Nos Açores e Madeira, o risco de períodos de chuva forte será mais significativo, especialmente se as depressões se aproximarem dos arquipélagos. Não excluímos episódios localmente intensos, com possibilidade de inundações rápidas nos locais mais vulneráveis

DIAS SEGUINTES: NÃO DESCARTAMOS UNS DIAS DE MAU TEMPO
Tal como referimos na nossa previsão mensal para novembro, os modelos meteorológicos começam finalmente a apresentar sinais mais consistentes de uma circulação Atlântica favorável à precipitação em Portugal. O período entre 8 e 15 de novembro pode ser inicialmente o mais favorável, com várias simulações a mostrarem a aproximação de depressões ativas, acompanhadas por frentes e massas de ar bastante húmidas. Esta evolução poderá permitir o regresso da chuva com maior frequência ao território Continental
Alguns cenários apontam para acumulados de precipitação bastante interessantes ao longo de cinco a sete dias, podendo ultrapassar localmente os 100 l/m², especialmente nas regiões montanhosas e mais expostas aos fluxos Atlânticos. Estes valores continuam, contudo, dependentes da trajetória das depressões e não representam uma previsão generalizada para o território
Também não descartamos a ocorrência de trovoadas, pois a presença de ar relativamente fresco em altitude, combinada com massas de ar marítimas húmidas e mais quentes, poderá favorecer aguaceiros localmente fortes e instabilidade convectiva. Não esperamos frio durante este período, até pelo contrário: a circulação Atlântica poderá manter temperaturas próximas ou até acima da média, especialmente durante as noites, apesar de as tardes se tornarem mais frescas e húmidas (eventualmente chuvosas)
Nos Açores o tempo poderá continuar bastante instável, com a passagem de sucessivas perturbações, períodos de chuva e vento ocasionalmente forte. Na Madeira a situação dependerá muito do posicionamento do anticiclone e das depressões atlânticas e é mais incerta… Caso o anticiclone recue para sul, poderá voltar a proteger temporariamente a região, reduzindo a probabilidade de precipitação significativa.
Para já os modelos sub-sazonais sugerem uma maior atividade Atlântica na última parte do mês, mas também deixam em aberto a possibilidade de alguns dias de estabilidade durante a terceira semana. Poderemos, assim, assistir a um “Verão de São Martinho”, com alguns dias mais calmos e soalheiros… Esta evolução ainda não está confirmada. O que parece cada vez mais provável é que novembro apresente uma variabilidade meteorológica muito superior à de outubro… E quando chover pode chover muito – este episódio atual de “El Niño” pode vir a trazer maiores probabilidades de chuva torrencial e repentina…

Fábio Félix | Luso Meteo – 1 de novembro de 2026 – 8H
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