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Aquilo que já foi o furacão Humberto é agora uma frente, depois de se ter dissipado em interação com a corrente de jato. Mas a história desta perturbação não termina por aqui, pois dela irá nascer, de forma muito rápida, uma nova tempestade: a tempestade Amy, a primeira nomeada pela MetOffice neste Outono – com impactos potencialmente severos nas Ilhas Britânicas
Esta tempestade, segundo previsões atuais da MetOffice (UKMO), e GFS (NOAA) pode mesmo atingir uma pressão mínima recorde para esta época do ano para a zona em questão – com ambos os modelos a preverem uma pressão mínima central a rondar os 944mb – impressionante!
Há, contudo, alguma dúvida na trajetória – ambos os modelos referidos mostram este cavamento intenso (ciclogénese explosiva) a ocorrer a Norte das Ilhas Britânicas pelo que, a confirmar-se, o vento mais forte ficaria no mar, com a precipitação e ondas maiores, igualmente, a não terem um impacto tão direto – contudo outros modelos, incluindo o AIFS (modelo experimental ML do ECMWF) a mostrarem um ciclone ligeiramente mais fraco, mas com impacto mais direto

Seja como for, será sempre uma situação algo complicada, pois o mar estará certamente violento – resta saber efetivamente onde serão registadas as maiores rajadas de vento – isso terá um impacto enorme na previsão para a Irlanda\Irlanda do Norte, Escócia, e Inglaterra, particularmente o Norte – que devem ser os locais mais afetados
Para já, e segundo previsões atuais, será uma situação intensa, mas pelo menos para Inglaterra e Irlanda acabará por ser bastante “normal” – o mesmo não se pode dizer do Norte da Escócia, que tem previsões a apontar para rajadas de 150km/h. Contudo um pequeno desvio para Sul pode levar os ventos mais fortes para os locais acima referidos, com intensidade semelhante

TEMPESTADE AMY – EFEITOS PREVISTOS – VENTO FORTE
Conforme referimos esta previsão está sujeita a algumas alterações, dependentes da intensidade final, e trajetória do núcleo de baixas pressões – contudo uma ciclogénese com esta intensidade e consequente gradiente de pressão irá sempre gerar ventos muito intensos, pelo que, pelo menos no Norte das Ilhas Britânicas a previsão parece já mais afinada
Assim, para a Escócia, particularmente a metade Norte e terras altas, prevemos rajadas de vento SUPERIORES a 150km/h, pontualmente até 170km/h – sendo o período crítico entre as 18h de sexta, dia 3 de outubro, e as 06h de sábado, dia 4 de outubro
Para a Irlanda do Norte e costa Oeste\Noroeste da Irlanda as rajadas devem rondar os 110 a 130km/h, com especial destaque para zonas costeiras e zonas mais expostas – com o período crítico a ser entre as 15h de sexta e as 03h de sábado
A Inglaterra tem previsão mais difícil, mas pelo menos no extremo Norte, e nas zonas mais expostas as rajadas podem atingir 80 a 115km/h, com a metade Sul do país, e País de Gales, contudo, a escaparem ao pior, com rajadas que não devem ir muito acima de 60 a 70km/h – previsão que pode mudar ligeiramente caso o centro acabe por se formar mais a Sul
Iremos acompanhar e atualizar a informação, sendo que se está nos locais deve seguir as recomendações das autoridades locais e verificar as previsões tanto da MetOffice (Reino Unido) como da Mét Eireann (Irlanda)
Ambas estas entidades já emitiram avisos de nível amarelo\laranja devido a chuva e vento, sendo que também informaram que ao longo do dia de hoje e de sexta-feira as previsões podem ser agravadas, com emissão de avisos, igualmente, mais gravosos


CHUVA FORTE, AGITAÇÃO MARÍTIMA E OUTROS FENÓMENOS
Para além do vento também a chuva irá sentir-se com forte intensidade – começando mais cedo que o vento, contudo – logo pela manhã na Irlanda (e Irlanda do Norte), e entre o final da manhã e o final da tarde a mover-se para a Escócia e Norte de Inglaterra, com acumulados de precipitação próximos de 10mm\h durante várias horas
Não sendo precipitação torrencial (no geral, neste período) poderá permitir acumulados superiores a 60\80mm em 6 horas, o que é significativo, e com potencial para algumas inundações – principalmente em meio urbano
Durante a passagem do núcleo de baixa pressão, e quando o vento começa a aumentar, a chuva praticamente irá “cessar”, dando inclusivamente lugar a abertas. O vento não é, assim, acompanhado por muita chuva, mas, logo a seguir, há nova intensificação da precipitação – já na madrugada\manhã de sábado
Esta segunda ronda de precipitação terá caráter convectivo – já depois de ar frio repentinamente se ter instalado. Isto irá gerar algumas centenas de J\Kg de energia convectiva (CAPE), aumentando a probabilidade de trovoadas e precipitação localmente excessiva – 20mm\h
A juntar a tudo isto há ainda a probabilidade de algum tornado, devido ao elevado cisalhamento\wind-shear – mais um fator de preocupação. Há ainda a probabilidade de alguma queda de neve nos pontos mais altos da Escócia, a altitudes a rondar 1200m de altitude – o ponto mais alto é a montanha Ben Nevis, a 1345 metros de altitude, que pode, assim, ver alguns flocos no sábado

A agitação marítima será, obviamente, um fator de gravidade, talvez aquele que mais preocupará as autoridades, e que é sempre extremamente complicado neste tipo de ciclones de pressão muito baixa
As atuais previsões mostram ondas significativas (médias) superiores a 10 metros, e máximas próximas a 20 metros na Costa Norte dos países já referidos – sendo que a energia criada por este ciclone se irá espalhar por várias regiões, incluindo o Atlântico Ocidental, de certa forma (com aumento da ondulação em Portugal Continental no fim-de-semana)
Obviamente que no Atlântico Norte as ondas serão sempre MUITO maiores, e após o pico nas Ilhas Britânicas a preocupação segue para outros locais, entre os quais os países na Escandinávia, e a Costa Norte de países como França, Alemanha, Países Baixos… O mais provável é que a partir de segunda-feira tudo comece a acalmar, com o afastamento e gradual dissipação do ciclone

EFEITOS ALÉM DAS ILHAS BRITÂNICAS – FRANÇA, ALEMANHA, PAÍSES BAIXOS E ESCANDINÁVIA
Para além da ondulação já referida, este ciclone irá afetar estes países também com precipitação intensa, rajadas de vento, e, a ser analisado mais perto das datas (ou seja domingo\segunda) a possibilidade de fenómenos mais extremos, como tornados
Os principais modelos de previsão mostram rajadas severas na Costa Oeste da Noruega, acima de 150km/h, mas não é algo que seja propriamente novidade para esta região – onde este tipo de fenómenos ocorre com alguma frequência
Menos intensas, mas também em locais menos “habituados”, são as rajadas previstas para o Norte de França, Países Baixos, Alemanha e para a Dinamarca, países em que os modelos meteorológicos mostram rajadas pontuais acima de 110km/h no extremo Norte e pontos expostos entre sábado e domingo
Existe a possibilidade de alguns impactos no Norte da Polónia, ainda, entre domingo e segunda-feira, mas rapidamente a “Amy” vai-se dissipar, pelo que não deverá ser especialmente intensa neste país em específico -e consequentemente noutros países mais a Leste, onde até, de momento, dominam as altas pressões, que têm mantido o tempo relativamente estável
De notar que se está em qualquer um destes locais deve continuar a seguir as previsões, seja através de canais não oficiais, incluindo a Luso Meteo, quer através de informações oficiais que devem surgir por parte das autoridades locais – dada a incerteza na trajetória da depressão há certamente alguns ajustes que irão ser necessários
Não prevemos, para além de um aumento de nebulosidade, descida de temperatura (já na sexta), e aumento da ondulação no fim-de-semana, qualquer efeito em Portugal – sendo que, como já tivemos também hipótese de referir, o furacão Imelda que se encontra no Atlântico tropical nesta quinta-feira (bem perto das Bermudas) também não nos irá afetar, como foi noticiado há alguns dias

Muito obrigado pela leitura desta previsão, que esperamos que lhe seja muito útil!
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