O eclipse solar de 12 de agosto de 2026 será um dos grandes acontecimentos astronómicos deste verão, e nota-se uma “correria” aos óculos, e cada vez mais pessoas a falarem sobre este evento. A Lua irá passar entre a Terra e o Sol, ocultando progressivamente o “disco solar”. O fenómeno será visível em grande parte da Europa, mas apenas uma estreita faixa atravessará a Península Ibérica onde será possível observar na totalidade – em Portugal apenas alguns (poucos) locais podem mesmo ver o total
Um eclipse solar total acontece quando a Lua cobre completamente o sol, fazendo desaparecer temporariamente a fotosfera brilhante. Nesse momento, durante poucos minutos, torna-se possível observar a coroa solar. Fora da faixa de totalidade, o eclipse será apenas parcial. Em Portugal, a totalidade ficará limitada a uma pequena área do extremo nordeste do território, enquanto no restante país será observado um eclipse parcial (embora com muito maior “escuridão” que em outros eclipses anteriores
A diferença entre observar 95% e 100% do Sol é muito maior do que os números podem fazer parecer. Com 95% de cobertura, continua a existir uma pequena parte do disco solar extremamente brilhante, mantendo uma boa parte da luminosidade. Aos 100%, o sol “desaparece” completamente e ocorre uma mudança muito mais impressionante na luminosidade (literalmente do dia para a noite)
Tudo isto, naturalmente, só será possível de visualizar se a nebulosidade permitir. Os modelos meteorológicos mostram atualmente o possível desenvolvimento de uma dorsal anticiclónica sobre o Oeste da Europa, cenário que tende a favorecer condições mais estáveis em Portugal. Contudo, a cerca de cinco dias do eclipse, a previsão de nebulosidade em detalhe ainda apresenta alguma incerteza
Ainda assim, as primeiras indicações são relativamente favoráveis para quem pretende observar este fenómeno, particularmente porque um eclipse total é extremamente raro em Portugal. É importante, porém, não esquecer a segurança: durante as fases parciais nunca se deve olhar diretamente para o Sol sem óculos solares apropriados ou outro filtro certificado. A radiação solar pode provocar danos graves e permanentes na visão

NEBULOSIDADE PREVISTA E VISIBILIDADE EXPECTÁVEL DO ECLIPSE SOLAR DE 2026
Os modelos meteorológicos encontram-se atualmente em relativo consenso quanto à possibilidade de um dia geralmente pouco nublado em Portugal, embora ainda não exista concordância absoluta. Alguns cenários mais “isolados” simulam alguma neblina ou nebulosidade baixa persistente junto ao litoral Oeste, enquanto outros desenvolvem alguma nebulosidade de evolução no Interior, sobretudo nas regiões do Norte do país
Existe, contudo, um detalhe particularmente importante: o eclipse acontecerá perto do pôr do Sol. Por isso, a nebulosidade presente junto ao horizonte, a Oeste, será fundamental. Bastam algumas nuvens vindas do Atlântico para escondeemr o Sol precisamente durante os momentos mais interessantes. Este é também um dos detalhes mais difíceis de prever com vários dias de antecedência
A nebulosidade junto ao horizonte pode inclusivamente surgir de forma relativamente rápida em situações de maior humidade marítima, mesmo quando o céu permanece limpo durante grande parte do dia, precisamente por volta desta hora (e em especial no litoral). Para já, este não parece ser o cenário mais provável, mas não pode ser completamente excluído. A previsão deverá ganhar mais fiabilidade à medida que nos aproximamos de quarta-feira
De uma forma geral, o cenário parece mais favorável no Norte e no Interior, enquanto no litoral existe então algum risco adicional de nebulosidade baixa ou neblina. No Sul, tanto no litoral como no Interior, poderá existir alguma nebulosidade de desenvolvimento, mas pouco significativo. Ainda assim, os cenários atuais não apontam para uma situação generalizada capaz de comprometer a observação em grande parte do país
Se pretende deslocar-se para Espanha, onde a faixa de totalidade é maior, no Norte do país, a nebulosidade poderá variar bastante de local para local. No Norte de Espanha, especialmente em algumas áreas montanhosas, e a Norte dessas mesmas áreas, a presença de nuvens baixas poderá dificultar a observação. Não recomendamos, portanto, esses locais para observação – será muito difícil ver algo…

Em Portugal, a diferença na percentagem de visibilidade será “grande”: Lisboa terá cerca de 95% de cobertura máxima, enquanto apenas uma pequena área do Nordeste, nomeadamente na região de Bragança, ficará dentro da faixa de totalidade. Assim, para quem procura os 100%, não basta simplesmente estar no Interior: será necessário deslocar-se para a estreita faixa no referido distrito… e esperar que as nuvens não estraguem o espetáculo. Claro está, também, que tem de estar num local com visibilidade desimpedida – sítios altos são sempre melhores!
Em resumo: Para já a previsão meteorológica é relativamente favorável para a maioria dos locais, mas ainda não definitiva. A situação deverá ser atualizada diariamente, sobretudo porque a nebulosidade junto ao litoral (se surgir) poderá decidir se o eclipse será realmente visível, ou não. Na meteorologia, cinco dias ainda permitem alterações importantes, pelo que a previsão atual deve ser encarada como uma primeira indicação e não como uma garantia

COMO MAXIMIZAR A VISIBILIDADE DO ECLIPSE, E OUTRAS DICAS
A primeira regra que deve ter em conta é escolher antecipadamente um local com horizonte Oeste o mais aberto possível. Como o Sol estará muito baixo no céu, especialmente perto do final do eclipse, uma montanha, árvore ou edifício poderá esconder facilmente o fenómeno. Locais com mais altitude devem ser vantajosos, desde que ofereçam uma visão desimpedida para Oeste. Se possível, visite o local anteriormente, e confirme que pelas 19:30H o sol é facilmente visível
A segurança dos olhos é absolutamente fundamental nestas situações! Durante toda a fase parcial deve utilizar óculos específicos para observação solar, devidamente certificados, ou outro filtro solar apropriado. Óculos de sol normais, películas, filtros improvisados ou outros métodos caseiros não são seguros e não deve ser usados. Apenas durante a (muito) breve fase de totalidade é possível olhar diretamente para o Sol sem proteção, e apenas enquanto o disco solar estiver completamente ocultado – mas, como já foi referido, em Portugal isso só acontece numa estreita faixa do Nordeste
Para quem pretende fotografar o eclipse, é igualmente necessário utilizar equipamento adequado. Uma câmara apontada diretamente para o Sol pode sofrer danos e, sem proteção adequada, também poderá representar um risco para os olhos. Um filtro solar próprio para a objetiva é essencial durante as fases parciais. Um tripé também será bastante útil, sobretudo porque o Sol estará baixo e a luminosidade diminuirá rapidamente. Pode usar uma lente teleobjetiva de 100mm para captar a coroa solar na totalidade
Por fim, tenha sempre um “plano B” se realmente deseja ver este fenómeno. Se a previsão no próprio dia mostrar nebulosidade junto ao local inicialmente escolhido, uma deslocação de alguns quilómetros poderá fazer toda a diferença. Para quem procura a totalidade, o planeamento deve ser ainda mais rigoroso, porque a faixa é muito estreita. No resto de Portugal, mesmo um eclipse de 90-95% será um fenómeno impressionante, mas continuará a ser um eclipse parcial – não espere total escuridão

Para já, as condições meteorológicas parecem relativamente favoráveis, mas a previsão ainda terá de ser acompanhada até ao dia 12. Atualizaremos este artigo à medida que os modelos forem ganhando confiança
Artigo escrito e revisto por Fábio Félix | Luso Meteo às 16H de 7 de agosto de 2026
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