Mais um dia de calor excecional para outubro a caminho, com quarta-feira, 14 de outubro, a poder registar temperaturas máximas próximas ou acima dos 35ºC em alguns locais do Interior, tipicamente mais quentes, valores muito elevados para esta altura do ano e que mostram bem a persistência de um padrão atmosférico mais típico do Verão
O anticiclone continua a dominar a circulação, impedindo a aproximação de frentes atlânticas e permitindo a manutenção de uma massa de ar muito quente sobre a Península Ibérica. O calor deverá prolongar-se até sexta-feira, pelo menos, com máximas frequentemente superiores a 30ºC nas regiões mais quentes, antes de uma descida mais significativa das temperaturas durante o fim-de-semana (mais sentida no Interior)
Essa descida vem acompanhada por uma preocupação adicional, que em outubro não deveria existir, mas aqui estamos, mais um ano na mesma “história”. O vento de Leste/Nordeste deverá intensificar-se durante o fim-de-semana, com rajadas que poderão ultrapassar os 60km/h, e até mesmo os 100 km/h nas terras mais altas, especialmente nas regiões montanhosas mais expostas. O risco de incêndio irá, assim, tornar-se muito elevado a máxima
A combinação de vento forte, humidade relativa muito baixa e vegetação seca poderá originar perigo de incêndio excecional em várias regiões, mesmo sem temperaturas muito elevadas, exigindo particular atenção. Poderá ainda surgir alguma instabilidade ocasional, mas sem sinais de precipitação generalizada ou suficientemente persistente para alterar significativamente a situação

ONDE ESTÁ O OUTONO? PORTUGAL CONTINUA “PRESO” AO VERÃO…
Desde o início do Outono climatológico, a 1 de setembro, Portugal tem vivido condições extraordinariamente quentes e secas. Setembro foi o mais quente desde que existem registos no Continente, enquanto a precipitação ficou muito abaixo da média, e outubro continua a apresentar temperaturas pouco habituais e uma enorme persistência das altas pressões
Na prática, o Outono em Portugal parece, de ano para ano, estar a transformar-se numa extensão do Verão, com semanas consecutivas de calor, pouca chuva e ausência de uma circulação Atlântica ativa, ou temperaturas mais baixas. É uma situação que levanta questões importantes sobre a evolução do nosso clima e sobre a tendência para estações de transição cada vez mais marcadas por características invulgares
Sim, as mínimas estão mais baixas, mas isso deve-se apenas e só ao facto de termos noites mais longas – que nada tem a ver com meteorologia ou clima, mas sim com o efeito da translação da Terra em redor do sol, e a inclinação do eixo – que é igual, obviamente, todos os anos
Não podemos afirmar que o Outono esteja literalmente a desaparecer, mas a persistência de temperaturas elevadas durante setembro e outubro, num contexto de aquecimento climático, torna cada vez mais evidente o prolongamento das condições típicas do Verão, na maior parte dos anos. E, quando realmente chega a precipitação, tem sido repentina e muito intensa. Temos notado a passagem do “8 ao 80” de forma cada vez mais brusca

AÇORES COM INSTABILIDADE, MADEIRA COM MAIS VENTO
Nos Açores, o cenário deverá ser diferente do Continente, com maior variabilidade atmosférica e passagem de algumas frentes durante a semana, provocando períodos de chuva, aguaceiros e vento ocasionalmente mais intenso – à medida que o anticiclone se desloca para Nordeste
Na Madeira, o tempo deverá continuar relativamente seco durante boa parte da semana, mas prevê-se uma intensificação do vento mais perto do fim-de-semana, especialmente nas zonas montanhosas e vertentes mais expostas – com rajadas significativas no fim-de-semana
Para o final de outubro, e principalmente durante novembro, continuam a existir alguns sinais de mudança nas previsões de médio e longo prazo, com possibilidade de enfraquecimento do anticiclone e estabelecimento de uma circulação atlântica mais zonal, em latitudes mais baixas, permitindo a chegada de depressões e frentes a Portugal.
No entanto estes sinais continuam a apresentar elevada dispersão entre modelos, e sobretudo um sinal de “adiamento” que muitas vezes significa que pode nem se concretizar. A possibilidade de uma mudança mais significativa mantém-se, mas a confiança no seu momento e intensidade continua reduzida, especialmente depois de sucessivos adiamentos nas previsões anteriores, como referido
Para já, o cenário mais provável continua a ser de tempo predominantemente seco, interrompido por alguma instabilidade ocasional e oscilações de temperatura. O verdadeiro Outono chuvoso continua sem data confirmada para chegar, embora a evolução da circulação atmosférica nas próximas semanas o possa favorecer
E embora muitos gostemos do Verão, e de tempo quentinho e com sol, a verdade é que já faz muita falta – Portugal passou das cheias à seca em poucos meses, fruto do tempo persistentemente quente e falta de qualquer precipitação, com evapotranspiração acima da média. Precisamos de chuva, mas que venha com calma…

Artigo elaborado por Fábio Félix | Luso Meteo às 9H de 13 de outubro de 2026
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