O primeiro fim-de-semana de outubro poderá ficar marcado por trovoadas, com uma situação de instabilidade significativa em Portugal Continental. Os modelos meteorológicos continuam a prever a presença de uma depressão isolada em altitude a Oeste do território, com ar mais frio nas camadas superiores da atmosfera e condições favoráveis ao desenvolvimento de nuvens convectivas e células localizadas bem ativas
A evolução desta depressão continua, no entanto, bastante incerta. Modelos como o UKMO e o AIFS têm mostrado cenários em que esta perturbação progride relativamente depressa para Leste, enquanto outras simulações do GFS e IFS permitem que fique praticamente “preso” a Oeste da Península durante mais tempo. Esta diferença pode baralhar bastante as previsões, sobretudo para aquilo que acontecerá depois do fim-de-semana
Como acontece praticamente sempre quando falamos de convecção, é EXTREMAMENTE difícil prever com vários dias de antecedência onde se irão formar as trovoadas mais fortes. É igualmente difícil determinar quais serão acompanhadas por fenómenos mais intensos. Neste caso, contudo, os nossos modelos de análise convectiva mostram suporte para chuva intensa num curto espaço de tempo, rajadas fortes e granizo, incluindo a possibilidade de saraiva
Será, por isso, uma situação que iremos acompanhar atentamente. Caso a depressão isolada fique numa posição favorável, relativamente próxima do território e aproximando-se de Sudoeste, poderá transportar humidade e ar mais frio em altitude sobre uma massa de ar relativamente quente junto à superfície. Essa combinação aumentaria a instabilidade e poderia criar condições para células localmente mais fortes
Uma DINA é uma Depressão Isolada em Níveis Altos, também frequentemente designada por cut-off low. Forma-se quando uma bolsa de ar frio em altitude se separa da circulação principal do jato. O seu movimento pode tornar-se lento e difícil de prever, razão pela qual pequenas diferenças na sua posição podem alterar bastante a localização e intensidade das trovoadas

TROVOADAS – ONDE SERÃO MAIS PROVÁVEIS?
É precisamente a incerteza na trajetória desta depressão que impede, nesta fase, uma previsão mais localizada, e mais fiável. Atualmente, os modelos apontam para maior probabilidade de trovoadas no Interior na sexta-feira, dia 2, enquanto no sábado e domingo o potencial poderá estender-se mais ao Centro e Sul. Existem também modelos que mostram a instabilidade a progredir novamente para Norte durante o domingo
Tudo dependerá da posição e do movimento da depressão, uma vez que uma deslocação de apenas algumas centenas de quilómetros pode modificar significativamente a quantidade de humidade disponível, a temperatura em altitude e a energia potencial para convecção
A eventual presença de poeiras também poderá interferir no desenvolvimento das células, pelo que ainda existem vários elementos por definir – para já, segundo a maioria das previsões, há poeiras presentes, mas em quantidades moderadas – são facilmente identificáveis no modelo CAMS, disponibilizado também no nosso site

O mais importante, para já, é reter que existe um risco real de trovoadas entre os dias 2 e 4 de outubro, dando-nos um início de mês potencialmente bastante “elétrico”. Há também alguma evidência de que algumas células poderão alcançar pontos do litoral, talvez com maior probabilidade durante o sábado. Em termos probabilísticos, contudo, o Interior continua neste momento a apresentar o sinal mais consistente
Como é habitual nestas situações as zonas montanhosas merecem particular atenção. A orografia pode favorecer o levantamento do ar e ajudar a iniciar a convecção quando estão reunidas as restantes condições necessárias. Por esse motivo consideramos plausível que algumas das células mais intensas surjam precisamente junto às regiões montanhosas do Interior

GRANIZO, CHUVA E RAJADAS – QUAL O POTENCIAL CONVECTIVO?
Segundo o nosso algoritmo convectivo, e tendo em conta também valores previstos de MUCAPE que poderão rondar aproximadamente 1000 a 2000 J/kg dependendo da região e do momento, existe potencial suficiente para algumas trovoadas produzirem granizo. Nas células mais intensas poderá mesmo surgir granizo com alguma dimensão, embora este tipo de previsão tenha naturalmente uma incerteza elevada a vários dias de distância
Neste momento o algoritmo da Luso Meteo aponta, nas células mais fortes, para granizo próximo dos 2 cm. Lembramos também que este é um algoritmo recente e que foi construído inicialmente de forma relativamente conservadora para permitir a sua validação. Por esse motivo, caso todas as condições coincidam de forma favorável, granizo próximo ou acima dos 3 cm não pode ser descartado

Também existe potencial para precipitação bastante intensa num curto espaço de tempo. As estimativas atuais apontam para picos horários na ordem dos 20 a 30 l/m² nas células mais ativas. Isto não significa que estes acumulados ocorram de forma generalizada. Pelo contrário, serão fenómenos muito localizados e só mais perto da data será possível perceber quais as regiões onde existe maior probabilidade de ocorrer chuva desta intensidade
As rajadas convectivas serão outro elemento a acompanhar. Nas células mais intensas, o nosso algoritmo mostra potencial para rajadas na ordem dos 80 a 90 km/h. Temos, assim, ingredientes para um episódio convectivo com algum significado. A menor disponibilidade de calor comparativamente ao pico do Verão poderá limitar parcialmente a intensidade, mas não elimina o risco de fenómenos localmente fortes
Os valores brutos de instabilidade mostram potencial para situações que poderão justificar avisos meteorológicos em algumas regiões, pelo menos de nível amarelo, pelo que será importante acompanhar as próximas atualizações. Pode consultar os avisos meteorológicos ativos do sistema experimental da Luso Meteo AQUI, lembrando que não substituem os avisos oficiais IPMA

Análise elaborada por Fábio Félix | Luso Meteo às 08:37H de 28 de setembro de 2026. Consulte a previsão completa para a sua localidade na nossa previsão local a 7 dias
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