Análise Climática

Análise Climática – ENSO, Degelo e o Outono\Inverno 2022\2023

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Depois do Verão bem quente de 2022 e com seca extrema, a pior que já vivemos, tivemos sempre a ameaça de que não houvesse recuperação no Outono\Inverno, e os modelos foram apontando isso com alguma insistência, mas felizmente, por fim, a tendência inverteu, e a chuva chegou – e o Outono e início de Inverno trouxeram muita chuva

Neste artigo iremos falar de vários temas, entre os quais analisar o clima ao longo do Outono e Inverno, como foi e os eventos mais relevantes, falar sobre do degelo no Ártico que está em níveis recorde, e também sobre a evolução do ENSO (Oscilação El Niño)

Antes começamos por ver, para o período Dezembro\Janeiro\Fevereiro a anomalia de temperaturas a nível global – vamos analisar como foi o Inverno pelo hemisfério Norte e o Verão pelo hemisfério Sul

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DEZEMBRO

Análise Climática - ENSO, Degelo e o OutonoInverno 20222023

Podemos ver com base na carta acima (produto do ECMWF\Météo-France) que o mês de Dezembro foi quente em Portugal Continental e Madeira – bem quente – em relação ao normal

Também no Norte de África o foi, assim como no Nordeste dos E.U.A.

Obviamente também temos de destacar as temperaturas elevadas nas latitudes mais a Norte, na generalidade do Ártico, Sibéria, Gronelândia…

No hemisfério Sul apesar de haver algumas anomalias positivas, foi menos relevante, variável

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Temos a destacar mais frio que o normal no Noroeste dos E.U.A. e Canadá, e também na Ásia, em pontos como o Médio Oriente, com frio intenso e neve acima da média a terem sido registados, assim como um início de Verão menos quente na Austrália


JANEIRO

Análise Climática - ENSO, Degelo e o OutonoInverno 20222023

Em poucas palavras: Continuou a falta de Inverno na Europa e nos Estados Unidos da América, enquanto na Ásia o frio era intenso em muitos períodos

Novamente a variabilidade no Hemisfério Sul, e novamente a Austrália com um Verão atipicamente fresco, mas estava prestes a mudar

Em Portugal Continental tivemos um mês ligeiramente mais quente que a média, no entanto foi variável e já mais próximo do normal

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Nas ilhas foi mais próximo do normal

Mantiveram-se as temperaturas acima do normal no Ártico


FEVEREIRO

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Sem querer parecer um disco riscado Fevereiro continuou a mesma tendência, embora alterando um pouco, localmente, mas o Inverno não queria nada com a Europa e com os E.U.A.

Em Portugal Continental foi um mês normal, noites frias, dias amenos

Nas ilhas também próximo do normal

Deve ser destacado então neste mês tanto o Ártico como a Antártida muito quentes, e com maior degelo – mais informação mais para a frente no artigo

A Austrália começou a ter mais calor, e até recordes localmente – mês muito quente de Verão, assim como o Sul da América do Sul

No Médio Oriente e outros locais da Ásia que haviam tido muito frio nos meses anteriores a temperatura subiu bastante

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RESUMINDO…

Tivemos um Inverno muito mais quente que a média, com muito menos frio e neve que o normal nos Estados Unidos da América e Europa – até mesmo com falta de neve em altitudes mais elevadas como os Alpes

Apesar da quebra do vórtice polar no meio do mês de Fevereiro à data de escrita deste artigo, 12 de Março, os efeitos não foram muito sentidos, pelo que a Primavera no geral continua relativamente amena, no entanto na Costa Ocidental dos E.U.A. a notícia tem sido a neve na Califórnia – com intensidade como não era vista há muito, muito tempo, como podemos constatar na foto abaixo da autoria de Justin Sullivan, na Serra Nevada, Califórnia. Uma foto registada no início de Março, mas a neve continua a cair

Análise Climática - ENSO, Degelo e o OutonoInverno 20222023


De uma forma geral no entanto o Inverno mais uma vez foi mais quente que o normal na maioria dos locais, enquanto o Verão no hemisfério Sul foi mais variável, embora por vezes com períodos bem quentes, principalmente na segunda metade do mesmo


E em relação a PRECIPITAÇÃO?

Análise Climática - ENSO, Degelo e o OutonoInverno 20222023

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Para analisar este parâmetro vamos olhar a uma carta global com a média dos 3 meses, Dezembro a Fevereiro

Podemos ver que em Portugal temos a cor verde que indica normal a acima do normal – pelas nossas contas, e ainda antes do relatório IPMA ser divulgado o Inverno teve praticamente 100% da precipitação normal – mas foi muito variável

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Começou com um Dezembro incrivelmente chuvoso, e um início de Janeiro com um período chuvoso, e o resto do Inverno foi bem seco – com poucos dias de chuva

A neve foi aparecendo, normalmente nos locais do costume, mas também esta foi inferior ao normal, no geral

Olhando mais globalmente claramente houve locais com mais precipitação, como a América do Sul com mais chuva que o normal (por lá Verão) – e episódios extremos como o que ocorreu no Brasil, com dezenas de vítimas mortais, infelizmente, e também alguns pontos de África – em que destacamos por exemplo Moçambique, que ao longo destes meses foi tendo episódios extremos de cheias

Na Europa foi variável – desde chuva normal em Portugal\Espanha, até chuva muito abaixo do normal no Reino Unido e França, e muitos extremos no resto da Europa – Norte de Itália com seca extrema, Turquia também – é o “8 ou 80” ou chove muito, ou não chove nada, e assim foi o Inverno em muitos locais, de facto, na Europa

Nos E.U.A. também choveu no geral mais que o normal – com menos neve devido às temperaturas mais elevadas

Na Ásia, no geral, foi tudo mais normal – embora com extremos pontuais a serem registados, a nível de precipitação, sendo que o Sueste Asiático se destaca de facto, com muito mais chuva – os trópicos tiveram de facto um trimestre bem chuvoso

RESUMINDO… Portugal Continental foi “salvo” da seca pelo Dezembro extremamente chuvoso, mas a partir daí a chuva tem sido muito mais pontual

A chuva tem sido extrema nos climas tropicais e sul de África, em alguns pontos, mas também se deve destacar a seca extrema noutros pontos do mesmo Continente – os padrões atmosféricos estão mais “estagnados” pelo que tanto secas extremas como chuvas extremas persistem mais tempo nos mesmos locais


ENSO

A Oscilação do Sul do El Niño é um padrão climático relacionado com os ventos e temperatura do mar no pacífico equatorial leste

Durante estes 3 meses continuamos com La Niña – isto é temperaturas por baixo do normal no mar na região anteriormente referida

No entanto ao longo do período começou a haver uma clara tendência para um padrão mais neutro, e agora com o avançar de Março é de esperar que entremos em território neutro – isto é temperaturas próximas do normal no mar do pacífico leste equatorial, e depois mesmo a previsão aponta para que El Niño se torne o padrão dominante

Mas o que tudo isto significa?

No geral El Niño leva-nos, normalmente, a temperaturas mais elevadas a nível global, e La Niña o oposto

Apesar do fenómeno La Niña presente nos últimos 3 anos, continuamos com temperatura média global muito elevada – e agora com a previsão de El Niño essa tendência pode reforçar

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Análise Climática - ENSO, Degelo e o OutonoInverno 20222023


DEGELO NA ANTÁRTIDA, E GELO ABAIXO DO NORMAL NO ÁRTICO

Sem dúvida um fenómeno marcante ao longo dos últimos meses tem sido a concentração de gelo nos pólos

Na Antártida o Verão trouxe a menor concentração de gelo que há registo – ver imagem

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Já no Ártico o Inverno não trouxe o mesmo nível de recongelamento habitual, e também estamos com gelo com concentração e extensão muito abaixo do esperado

A temperatura persistentemente acima do normal contribui em muito para isso

A diminuição do gelo nos pólos leva-nos a um aumento ainda mais rápido da temperatura global – e todo este processo ocorre cada vez mais rápido devido ao “feedback”, uma vez que menos gelo significa mais superfície para absorver radiação solar, enquanto mais gelo reflete mais a radiação solar – portanto quanto menos gelo houver mais aquecerá, o que por sua vez levará a mais degelo – um ciclo que só poderá ter um resultado, e é inevitável com as atuais condições – o total degelo e um aumento do nível dos mares e drásticas alterações climáticas, já discutidas noutros artigos no site – como AQUI


PORTUGAL MAIS AO DETALHE…

Este Inverno, em Portugal foi marcado por 2 períodos – Dezembro e até meio de Janeiro e o restante período – portanto 2 períodos de cerca de 45 dias

No primeiro a chuva foi muita, muito frequente, o tempo foi muito húmido, e houve inundações. As barragens encheram. A neve foi escassa, pois as temperaturas foram elevadas

Por outro lado no segundo período de cerca de 45 dias a precipitação foi escassa, a neve ocorria quase sempre que ocorria precipitação, mas em geral pouca e em locais altos, as temperaturas eram baixas de noite, mas amenas de dia, e não se registaram valores anormais

Em todo o período do Inverno felizmente não houve nenhuma situação extrema de vento, embora por vezes tenha soprado mais intenso um ou outro dia com algumas depressões

Houve muito mais nebulosidade que o normal no referido primeiro período de 45 dias, sendo que depois podemos dizer que a nebulosidade variou – houve bons períodos de sol

No final do Inverno as poeiras marcaram presença e o céu tornou-se amarelo\castanho – é um fenómeno cada vez mais recorrente, até mesmo no Inverno

A temperatura mais baixa do Inverno ocorreu no final de Fevereiro e rondou os -7 a -8ºC nos pontos mais frios

Nos Açores e Madeira a chuva tem sido muito recorrente, sendo que enquanto nos Açores o Inverno foi relativamente ameno, na Madeira houve mais frio em alguns períodos, especialmente em Fevereiro, e até alguns nevões nos pontos mais altos


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