O tempo esta semana, de 12 a 18 de outubro, ficará marcado por um novo episódio de calor anormal para esta altura do ano, com temperaturas que poderão atingir 31 a 33ºC em várias regiões de Portugal Continental, sobretudo no Interior, numa altura em que já deveríamos começar a sentir condições mais típicas do Outono. Contudo, e apesar de começarmos a semana com muito sol e temperaturas elevadas, as previsões apontam para um arrefecimento progressivo mais perto do fim-de-semana, acompanhado por um aumento da possibilidade de instabilidade e até novas trovoadas
O anticiclone continuará a ser o principal responsável por esta situação, mantendo-se muito próximo da Península Ibérica e favorecendo a presença de uma massa de ar bastante quente para outubro. A circulação em altitude deverá continuar a apresentar uma crista anticiclónica muito significativa, com valores de geopotencial anormalmente elevados, dificultando a aproximação das depressões atlânticas e permitindo vários dias secos, com temperaturas que mais lembram o Verão do que propriamente o Outono
No entanto, e como já temos vindo a referir, as noites são bastante mais longas nesta altura do ano, pelo que as temperaturas mínimas podem ser um pouco mais baixas em algumas regiões interiores, especialmente nos vales, enquanto durante as tardes o tempo volta a aquecer rapidamente, com a ausência de nebulosidade. O pico do calor provavelmente entre terça e quinta-feira, dependendo da região e da evolução da massa de ar, sendo provável que nas noites seguintes também as mínimas subam (devido a maior nebulosidade e menos inversão térmica)
A partir da segunda metade da semana, contudo, as previsões começam a apresentar sinais de mudança. O anticiclone poderá perder alguma influência sobre o território, evoluindo mais para Norte, em direção às Ilhas Britânicas, e permitindo a aproximação de ar mais frio em altitude, existindo mesmo a possibilidade de formação de uma depressão isolada, ou cut-off, nas proximidades da Península Ibérica. Caso este cenário se confirme, poderemos voltar a ter condições favoráveis ao desenvolvimento de aguaceiros e trovoadas, especialmente mais perto do fim-de-semana, embora ainda exista bastante incerteza quanto à localização e intensidade da instabilidade
Esta poderá ser, assim, mais uma semana de grandes contrastes, começando com condições praticamente de Verão e terminando com temperaturas mais baixas e eventualmente alguma precipitação e/ou trovoadas. Mas será desta que o Outono se instala definitivamente? Para já ainda não parece provável, uma vez que continuamos sem sinais suficientemente consistentes de uma mudança na circulação Atlântica, embora as previsões continuem a apresentar possibilidade de mudança mais significativa para o final de outubro

TEMPO ESTA SEMANA – ONDA DE CALOR COM TEMPERATURAS ATÉ 33ºC, ANTES DE NOVA MUDANÇA
A primeira metade desta semana deverá ser dominada, então, pelo efeito do anticiclone, com céu geralmente pouco nublado ou limpo e temperaturas bastante elevadas para outubro. Poderão surgir algumas nuvens baixas e nevoeiros durante as madrugadas e manhãs, especialmente no litoral Norte e Centro e em alguns vales, mas a tendência será para o predomínio de sol na maior parte do território
Entre terça e quinta-feira esperamos os valores mais elevados de temperatura, com máximas que pode atingir 27 a 33ºC nas zonas interiores. O Alentejo, o vale do Tejo e alguns locais dos vales do Douro e Mondego poderão destacar-se, especialmente onde o vento e a exposição solar forem mais favoráveis
Este episódio de calor deverá ser suficientemente significativo para que algumas regiões atinjam critério de onda de calor. Importa recordar que uma onda de calor nesta altura do ano não significa necessariamente calor extremo – uma vez que as médias climatológicas são muito mais baixas, bastam 6 dias com temperaturas entre 23 a 28ºC, dependendo da região para que tal se confirme. Apesar de não ser calor extremo, é calor invulgar para a época (pode conhecer AQUI as médias climáticas da sua localidade)
Em altitude continuaremos a ter uma massa de ar bastante quente, com temperaturas aos 850 hPa que poderão atingir cerca de 16 a 18ºC, valores pouco habituais para meados de outubro. Ao mesmo tempo, o geopotencial aos 500 hPa continuará muito elevado, refletindo uma crista anticiclónica particularmente forte. Como temos vindo a referir, parece realmente muito difícil afastar este anticiclone da nossa região (embora nesta altura do ano tudo mude rapidamente…)
A partir de quinta ou sexta-feira as previsões começam a apresentar uma evolução diferente: uma possível alteração na circulação em altitude poderá permitir a entrada de ar mais fresco, reduzindo progressivamente as temperaturas máximas e aumentando a nebulosidade em algumas regiões. Não será necessariamente uma mudança brusca em todo o território, mas poderá marcar o início de uma fase mais variável e instável

TEMPO ESTA SEMANA – 12 A 18 DE OUTUBRO – ANÁLISE E RESUMO SEMANAL
No Continente teremos uma semana dividida em duas fases distintas, começando com muito sol, tempo seco e calor anormal, e terminando com uma maior probabilidade de descida das temperaturas e de alguma instabilidade, sobretudo se a depressão isolada prevista por alguns cenários conseguir aproximar-se suficientemente do território
Segunda e terça-feira deverão apresentar condições bastante estáveis, com céu pouco nublado na maioria das regiões, embora possam surgir nuvens baixas no litoral durante a manhã. As temperaturas deverão continuar a subir em vários locais, especialmente no Interior, com máximas acima dos 25ºC e pontualmente já próximas ou superiores aos 30ºC. No litoral estará “fresco”, por volta de 20 a 22ºC, pois o vento soprará de Norte
Quarta e quinta-feira poderão ser os dias mais quentes da semana, com máximas de 30 a 33ºC nos locais habitualmente mais quentes. No litoral as temperaturas deverão ser mais moderadas, devido à influência do vento marítimo, mas mesmo aí poderemos ter tardes bastante agradáveis e valores acima da média para esta época do ano
O vento deverá soprar geralmente fraco a moderado durante boa parte da primeira metade da semana. Poderão ocorrer períodos de vento de Leste ou Nordeste em algumas regiões do Interior, favorecendo temperaturas mínimas mais elevadas em zonas expostas, enquanto no litoral o vento deva apresentar uma componente marítima, especialmente durante as tardes

A partir de sexta-feira esperamos uma tendência para descida progressiva das temperaturas, ainda que a não seja ainda fácil de prever, pois depende muito da evolução da circulação atmosférica. Poderemos notar uma diferença mais significativa nas máximas do que nas mínimas, sobretudo se a nebulosidade aumentar, reduzindo o aquecimento durante as tardes (e, no sentido oposto, deixando as noites mais amenas)
No fim-de-semana, dias 17 e 18, a previsão torna-se bastante mais incerta. Alguns dos modelos mostram a formação de uma depressão isolada, como já referido, o que pode favorecer um aumento da instabilidade, com formação de aguaceiros e trovoadas, enquanto outros mantêm o anticiclone suficientemente próximo para limitar a precipitação. Assim, não é possível definir ainda as regiões mais afetadas nem garantir que teremos chuva significativa, sendo necessário acompanhar as próximas atualizações
Em termos de precipitação, a maior parte da semana deverá continuar praticamente seca, com a possibilidade de chuva a aumentar apenas no fim-de-semana. Caso ocorram trovoadas, a distribuição dos acumulados de precipitação, poderá ser bastante irregular, como vimos no início de outubro, com locais a receber chuva significativa em pouco tempo e outros praticamente sem qualquer precipitação

MAIS TROVOADAS NO FIM-DE-SEMANA? UMA NOVA CUT-OFF PODE FORMAR-SE
Trovoadas são sempre um desafio de previsão meteorológica, e desta vez não deve ser exceção. A evolução em altitude de bolsas de ar frio, assim como o posicionamento exato do anticiclone e a dinâmica que permite a probabilidade de uma perturbação em altitude se separar da circulação principal, originando uma nova depressão isolada, também conhecida como cut-off ou DINA, é muito difícil de prever, pois depende de condições termodinâmicas que os modelos têm sempre dificuldade em prever, por vezes mesmo a curto prazo
Estas depressões formam-se quando uma bolsa de ar relativamente frio em altitude fica isolada da corrente de jato, podendo deslocar-se lentamente ou permanecer durante vários dias nas proximidades de uma determinada região. Quando encontram ar relativamente quente e húmido nos níveis mais baixos da atmosfera, podem favorecer o aumento da energia potencial convectiva, e, potencialmente, a formação de instabilidade convectiva e, consequentemente, aguaceiros e trovoadas
A esta distância temporal não conseguimos dizer onde é mais provável a ocorrência destas (possíveis) trovoadas, mas não podemos descartar células localmente mais intensas, eventualmente acompanhadas por chuva forte em pouco tempo, rajadas e até granizo. Não existe, porém, confiança suficiente para antecipar fenómenos severos, e muito menos para indicar localidades concretas onde poderão ocorrer, uma vez que a posição final da perturbação ainda poderá sofrer alterações importantes
Assim, consideramos possível, e até provável, um regresso das trovoadas entre sexta-feira e domingo, mas ainda não está confirmado. Será necessário verificar a evolução dos modelos, para confirmarmos se teremos apenas uma descida de temperatura ou uma mudança bastante mais significativa no estado do tempo – pode acompanhar para a sua localidade AQUI

AÇORES E MADEIRA – TEMPO AMENO, COM ALGUMA VARIABILIDADE
AÇORES: No arquipélago esperamos uma semana variável, com influência anticiclónica, que deverão permitir abertas e alguns períodos mais secos. Ainda assim, outubro é um mês em que a atividade atlântica já começa a aumentar, pelo que prevemos a passagem de algumas perturbações e a ocorrência de períodos de chuva ou aguaceiros, especialmente nos grupos Ocidental e Central
As temperaturas deverão continuar acima da média, com oscilações relativamente pequenas ao longo da semana e sem sinal para variações significativas. O vento deverá variar em intensidade e direção consoante a aproximação de eventuais perturbações, podendo aumentar temporariamente nos períodos mais instáveis (geralmente de Sudoeste). Não existe, para já, indicação suficientemente consistente para antecipar uma situação generalizada de mau tempo no arquipélago
MADEIRA: Na Madeira o cenário mais provável continua a favorecer condições predominantemente secas e temperaturas agradáveis, com períodos de sol, especialmente nas vertentes Sul. Poderão surgir períodos de maior nebulosidade e alguma precipitação ocasional nas vertentes Norte e regiões montanhosas, como é habitual sob influência da circulação anticiclónica
Contudo, também aqui será importante acompanhar a possível formação da depressão isolada nas proximidades da Península Ibérica. Caso esta se desloque suficientemente para Sul ou Sudoeste, poderá alterar a circulação sobre a Madeira e aumentar a possibilidade de instabilidade, sobretudo na parte final da semana. Para já este cenário permanece bastante incerto, tendo para já probabilidade inferior a 25%

Previsão elaborada por Fábio Félix | Luso Meteo – 11 de outubro de 2026
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