Depois de alguns dias marcados por tempo mais fresco e até chuva, prepara-se uma nova onda de calor, severa e prolongada, no continente Europeu. A depressão que permaneceu praticamente estacionária a oeste do Continente durante vários dias começa finalmente a deslocar-se para leste, permitindo uma reorganização completa da circulação atmosférica sobre o Atlântico Norte e a Europa
Em Portugal, essa depressão será responsável pela chuva prevista para sexta-feira, sobretudo nas regiões do Norte e Centro, bem como por um reforço temporário do vento de Norte\Noroeste no fim-de-semana. Ao mesmo tempo, este sistema depressionário será responsável por episódios de tempo severo em vários países do sul da Europa, com trovoadas fortes, granizo e precipitação intensa – ainda a confirmar, para domingo, principalmente
Contudo, esta mudança será relativamente breve. À medida que a depressão se afasta para o centro da Europa, o anticiclone voltará rapidamente a reforçar-se sobre o Atlântico, restabelecendo as condições favoráveis ao regresso do tempo seco e ao aumento gradual das temperaturas em grande parte da Europa Ocidental já no domingo, e com um pico de calor em Portugal na segunda-feira (com 40ºC possíveis em várias regiões!)

Os modelos meteorológicos sugerem uma evolução sinótica interessante para o final de julho, com várias simulações (quase consensual!) a apontarem para o desenvolvimento de um bloqueio atmosférico sobre a Gronelândia, o que inevitavelmente irá favorecer o surgimento de novas depressões no Atlântico Norte, que terão dificuldade em progredir – ficando estagnadas entre as altas pressões a Oeste (Gronelândia) e a Leste (Centro Europe)
Como resposta a esse bloqueio, as massas de ar muito quente tenderão a expandir-se sobre praticamente todo o “Velho Continente”. Para já, as previsões apontam para um cenário em que o calor volta a intensificar-se desde a Península Ibérica até à Europa Central e de Leste, podendo novamente aproximar-se de valores recorde em países como Espanha, França, Alemanha, Polónia, entre vários outros, incluindo alguns menos incomuns a Norte, como Países Baixos ou Escandinávia, e outros a Sudeste (Hungria, Roménia…)
Embora ainda sejam previsões a vários dias de distância, o consenso entre os principais modelos meteorológicos tem vindo a aumentar nas últimas atualizações. Se esta tendência se confirmar, o final de julho e o início de agosto poderão voltar a ficar marcados por uma onda de calor muito significativa em grande parte da Europa, prolongando um verão que já entrou para a história pelos sucessivos extremos meteorológicos observados

O QUE ESPERAR EM PORTUGAL DESTA NOVA ONDA DE CALOR SEVERO?
Antes do regresso do tempo quente, Portugal ainda atravessará um breve período de transição. Entre sexta-feira e sábado espera-se alguma chuva fraca ou chuvisco, sobretudo nas regiões situadas a norte do sistema montanhoso Montejunto-Estrela, acompanhada por vento moderado de Noroeste. Durante o fim de semana, esse vento deverá rodar gradualmente para Norte, promovendo também um ligeiro arrefecimento da água do mar ao longo da Costa Ocidental
Depois disso, há incerteza: os regimes de bloqueio são dos padrões mais difíceis de prever pelos modelos meteorológicos, uma vez que pequenas alterações na posição das altas e baixas pressões podem traduzir-se em diferenças muito significativas nas temperaturas previstas. Ainda assim, para já, tudo indica que Portugal continuará relativamente protegido do mais extremo desta nova onda de calor na Europa, apesar de voltar a registar localmente temperaturas próximas dos 40ºC em alguns dias, principalmente no Interior
Importa, no entanto, acompanhar atentamente a evolução para os primeiros 10 a 15 dias de agosto, período que climatologicamente corresponde ao pico do Verão em Portugal, e que é historicamente mais favorável ao desenvolvimento de ondas de calor intensas. Caso o bloqueio previsto se mantenha (muito provável) aumentará a probabilidade de massas de ar africano alcançarem de forma mais persistente a Península Ibérica – basta para isso alguma depressão ficar mais a Oeste…
Outro aspeto que começa a merecer atenção é o sinal crescente para alguma instabilidade ocasional que já surge nos modelos. O oceano está muito quente entre o sul dos Açores e a Costa Portuguesa, e não descartamos algum risco de desenvolvimento subtropical no final do Verão. Mais do que isso, contudo, acreditamos que poderá aumentar significativamente o potencial para episódios de chuva intensa durante o próximo outono e inverno – como já referimos, aliás
Depois de um ligeiro arrefecimento provocado pela nortada durante o fim de semana, a temperatura da água do mar na Costa Ocidental deverá voltar a subir na próxima semana. A diminuição do vento de norte permitirá novamente o aquecimento das águas junto à costa, mantendo valores acima do habitual para esta época do ano

TEMPESTADE SEGUIDA DE RECORDES DE CALOR (NOVAMENTE) NA EUROPA!
O Verão de 2026 continua a destacar-se como um dos mais extremos de que há registo na Europa. Depois do episódio de instabilidade previsto para este fim de semana em várias regiões do Continente, o calor voltará rapidamente a intensificar-se. Este ano não registamos a normalidade – ou é o 8 ou 80 – alternando entre tempestades severas e ondas de calor extremo
Logo no início da próxima semana, França deverá entrar novamente numa situação de calor extremo, com temperaturas superiores aos 40ºC em diversas regiões. No Reino Unido, os termómetros poderão voltar a atingir ou ultrapassar os 30ºC, enquanto Espanha e Itália praticamente não chegam a abandonar a onda de calor nas regiões mais a Sul, esperando-se inclusivamente um novo reforço das temperaturas também nas zonas mais a Norte destes países
À medida que nos aproximamos do início de Agosto, aumenta igualmente a probabilidade de calor muito intenso em latitudes progressivamente mais elevadas: Países Baixos, Alemanha, Dinamarca, sul da Escandinávia e até regiões da Polónia surgem repetidamente nas previsões dos modelos com anomalias de temperatura impressionantes, mostrando que o ar quente se deve expandir para grande parte da Europa.
É pouco habitual observar um consenso tão significativo entre diferentes modelos meteorológicos, aumentando assim a confiança num novo episódio de calor excecional logo no início do próximo mês. As consequências deste calor persistente vão muito além do desconforto sentido pela população, com diversos estudos científicos e económicos a apontarem para impactos relevantes na agricultura europeia, com perdas significativas de produção devido ao stress térmico e hídrico das culturas, situação que poderá traduzir-se em aumentos generalizados dos preços dos alimentos nos próximos meses
Ao mesmo tempo, o Mar Mediterrâneo continua a apresentar temperaturas muito acima da média e poderá aquecer ainda mais durante as próximas semanas. Esta enorme energia acumulada irá aumentar o potencial para fenómenos meteorológicos extremos no final do verão e início do outono, favorecendo o desenvolvimento de tempestades muito intensas sempre que massas de ar mais frio consigam interagir com estas águas excecionalmente quente…

Artigo escrito e revisto por Fábio Félix | Luso Meteo às 7:41H de 23 de julho 2026
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