O fenómeno de bloqueio atmosférico continua bem presente, e, nos últimos dias têm-se registado temperaturas muito acima do normal na Escandinávia (Finlândia, Suécia, Noruega), enquanto no Sul da Europa, como por exemplo em algumas regiões de Itália ou na Turquia, as temperaturas estão significativamente abaixo da média
No caso da Turquia é ainda mais extremo: Em alguns locais estão a ser batidos recordes mínimos para esta época do ano. Mas afinal porque razão temos estas anomalias enormes tão a Norte (já perto do círculo polar Ártico), enquanto regiões tradicionalmente mais quentes vão registando temperaturas mais baixas e até, em vários casos, alguma chuva?
A explicação é simples: Continuamos sob a influência de um bloqueio atmosférico (alta pressão) localizada em latitudes altas, o que significa que, para já, mais a Sul são as massas de ar mais frio que vão dominando o regime atmosférico. Este tipo de circulação pode ser, muitas vezes, persistente, e, para já, não estamos a prever que vá mudar significativamente – aliás como foi referido na nossa previsão mensal de Maio para Portugal. Ainda assim é provável que haja algumas alterações, com o surgimento de uma crista Atlântica (anticiclone afastado para Oeste)
Mas, afinal, o que isto significa para o nosso país? No fundo significa que o tempo de Verão irá tirar férias, e, para já, teremos um período mais ou menos prolongado de instabilidade, temperaturas dentro ou abaixo da média, e alguma precipitação (seja dias com chuvisco\chuva fraca, e outros com possibilidade de trovoadas, algo que também é normal em Maio)
Podemos verificar através das cartas de previsão do modelo Europeu ECMWF que existe uma anomalia negativa de geopotencial e pressão localizado precisamente sobre Portugal Continental, estendendo-se para Norte, em direção à Escandinávia (previsão 4 a 11 de maio). Isto significa que iremos verificar uma mudança do calor mais para leste, assim como o surgimento do anticiclone dos Açores, mas, por cá, dominarão as áreas de baixa pressão – continue a ler para mais detalhes de previsão!

BLOQUEIO ATMOSFÉRICO DÁ LUGAR A UMA CRISTA ATLÂNTICA – O QUE SIGNIFICA?
Se nestes últimos dias vínhamos a registar o já referido bloqueio (em que o anticiclone tende a centrar-se mais sobre a Escandinávia), agora devemos ter uma mudança – e, conforme imagem acima, a alta pressão pode centrar-se mais perto dos Açores, estendendo-se para Norte em direção à Gronelândia\Islândia
Isto irá forçar um movimento das massas de ar mais frio para Sul, em direção a Portugal Continental, assim como da humidade – podendo mesmo haver formação de alguma depressão dentro de alguns dias (algo a confirmar)
Seja como for, com este tipo de regime atmosférico, que agora vai sendo previsto, dominam os fluxos de Norte – junto ao mar sente-se alguma nortada, e estará bem desagradável, com o sol a não surgir, ou a surgir timidamente, e com a temperatura da água do mar, inclusivamente, a descer – definitivamente, depois de um Abril que até teve dias que lembravam Verão, para já Maio será oposto – temperaturas abaixo da média

Conforme mencionado anteriormente, o anticiclone move-se para leste na Europa – e com isso as temperaturas devem subir bem – se agora temos valores acima da média no Norte da Europa, e abaixo no Sul, isso vai inverter – com anomalias mais marcadas no Sudeste (Balcãs)
Contudo, em Portugal Continental, a anomalia negativa é bem visível na previsão CFSv2, precisamente devido ao vento Norte, com massas de ar de origem polar a serem previstas – com valores de temperatura máxima que não devem ser superiores a 20ºC na maioria do território em grande parte dos dias. Em alguns dos dias não devem mesmo ultrapassar 12 a 15ºC – significativamente abaixo da média para Maio
Teremos um cenário, assim, de tempo fresco, e até por vezes chuvoso (já houve modelos que simularam precipitação bem acima da média no Norte do país, essencialmente)

O QUE PODERÁ SURGIR NO VERÃO?

Obviamente que muita gente já pergunta: como vai ser o Verão em Portugal? E a nossa resposta tem sido sempre a mesma: é demasiado cedo para essa previsão, até porque vivemos num “cantinho” da Europa, muito suscetível a pequenas mudanças de previsão, mas que afetam IMENSO a forma como o tempo se apresenta
Se por um lado temos o aquecimento global, cada vez mais evidente, por outro lado isso não se reflete em todo o planeta – daí ser referido que o aquecimento é global, e não regional. Há mesmo, por vezes, tendência para extremos opostos (locais em que o frio persiste mais que o habitual)
Será assim este Verão? Possivelmente não, mas é algo que não podemos excluir – ocasionalmente surgem Verões muito amenos no nosso país. Seria até bem-vindo após o desastroso Verão de 2025 (excessivamente quente e com a pior área ardida florestal dos últimos anos)
Apesar de não podermos dizer com confiança, temos de olhar a uma das melhores ferramentas – os modelos de previsão. E, realmente, esses mostram que poderá ser um Verão menos quente, mais húmido… A nossa opinião? Terá as duas partes – inicialmente até pode começar fresco e com instabilidade, mas mais para a frente o calor, inevitavelmente, virá com toda a força
De ano para ano a probabilidade de extremos é maior, e, por isso, se viermos a aproximar-nos dos 50ºC em algum dia, mesmo que no geral até haja muitos dias frescos, não irá surpreender – é a tal situação de 8 ou 80 que temos verificado ao longo de todo este ano 2026 até agora

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