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Início»Análise Climática»Fenómeno El Niño forte parece (quase) certo – mais extremos no clima – qual o impacto global, e as primeiras ideias para a época de furacões de 2026
Análise Climática

Fenómeno El Niño forte parece (quase) certo – mais extremos no clima – qual o impacto global, e as primeiras ideias para a época de furacões de 2026

Luso MeteoPor Luso Meteo5 de Março de 2026Sem comentários6 min de leitura133 Visualizações
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Fenómeno El Niño forte parece (quase) certo - mais extremos no clima - qual o impacto global, e as primeiras ideias para a época de furacões de 2026
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Conteúdos

  • 1. EL NIÑO FORTE – QUAIS AS ÚLTIMAS PREVISÕES?
  • 2. PRIMEIRAS IDEIAS SOBRE A ÉPOCA DE FURACÕES 2026

EL NIÑO FORTE – QUAIS AS ÚLTIMAS PREVISÕES?

Ainda não é oficial, mas a NOAA deverá declarar o fim de La Niña este mês (na próxima quinta-feira), ou no próximo – efetivamente a anomalia registada no Pacífico Equatorial Leste já não é compatível com a classificação de La Niña – tendo descido abaixo de -0.5ºC na zona 3-4 ENSO

As últimas previsões não só mantêm a probabilidade de El Niño no Verão, como as reforçam, e até mostram uma tendência cada vez mais forte para um fenómeno forte – o que poderá vir a ser uma transição brusca, e com efeitos na circulação atmosférica, nas temperaturas globais, e, claro, na época de furacões – sendo este um dos fatores mais importantes para essa previsão

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Mas começando pela circulação a nível global – o que é que El Niño poderá trazer? Os efeitos variam conforme a região: Na costa oeste da América do Sul tende a haver chuvas intensas e cheias, enquanto a Austrália, Indonésia e partes do Sudeste Asiático e Oceânia tendem a ter mais secas e incêndios. Nos Estados Unidos, na região Sul há maior tendência para mais variabilidade\extremos, por vezes com risco acrescido de tornados, podendo haver uma “amenização” do clima a Norte

Globalmente, anos de El Niño costumam estar entre os mais quentes registados – e tendo em conta a tendência atual, em que mesmo com La Niña temos anos com temperaturas muito elevadas, não é difícil de perceber que, quase certamente, os próximos 2 anos, com El Niño provável, devem ser os mais quentes já registados na Terra – e há mesmo risco de vermos quebrado, ainda que temporariamente (para já) o limite de 2ºC definido no acordo de Paris

Em Portugal? Os efeitos não são bem definidos, e o tempo varia mais conforme outros padrões atmosféricos, pelo que não vale a pena falarmos muito sobre isso – há uma tendência para invernos um pouco mais secos e amenos, mas com tanta variável – o melhor é esperar para ver (falamos obviamente do inverno 2026\27)

Anomalia ENSO entre 1 a 2ºC - El Niño forte parece uma probabilidade cada vez maior a partir do Verão
Anomalia ENSO entre 1 a 2ºC – El Niño forte parece uma probabilidade cada vez maior a partir do Verão

O fenómeno El Niño é cíclico, e não há nada de anormal em regressar – pode-se dizer, sim, que não é muito comum regressar tão intenso (a confirmar), nem tão rápido após um fenómeno La Niña – mas não é inédito, tendo ocorrido algumas vezes nas últimas décadas, sem que tenha havido um padrão estatístico relevante na previsão para Portugal

Infelizmente, como já temos um aquecimento global “natural” tão significativo, com El Niño os efeitos podem ser amplificados, para extremos muito mais relevantes – os já referidos 2ºC de anomalia global, e outros extremos – quer de chuva, frio, tempestades – alterações climáticas não são apenas aquecimento, são alterações globais, mas que afetam cada região de forma diferente

Assim, de uma forma geral, prevemos mais extremos nos próximos anos – quer sejam secas, chuvas extremas, frio extremo – no fundo o que já temos vindo a verificar, e para o qual fomos avisados há muito pelos cientistas, mas com maior amplificação devido a este ciclo ENSO – que poderá ser, efetivamente, um “abre olhos” para o que aí vem no futuro do clima na Terra

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O modelo ECMWF prevê, para o Verão, um padrão consistente com El Niño - mais quente nos trópicos
O modelo ECMWF prevê, para o Verão, um padrão consistente com El Niño – mais quente nos trópicos

PRIMEIRAS IDEIAS SOBRE A ÉPOCA DE FURACÕES 2026

Agora que temos (quase) confirmação de que este fenómeno vai efetivamente voltar, e, até mesmo com probabilidade consistente de vir a ser um fenómeno forte (Super El Niño), elaboramos a primeira “previsão” de como poderá ser a época de furacões no Atlântico

Antes de mais é importante mencionar que a oscilação ENSO é muito importante nesta previsão, sendo uma das mais importantes teleconexões que nos ajuda a prever uma temporada de furacões, mas é importante dizer já: está LONGE de ser o único fator, pois se a ciência nos diz que anos El Niño trazem menos furacões no Atlântico, a história recente já mostrou o contrário

Mas, vamos a factos: De facto tende a criar condições para menor frequência de formação de ciclones tropicais, devido ao aumento do cisalhamento do vento – variação da velocidade do vento entre as diversas camadas da troposfera. Com maior cisalhamento a convecção que os ciclones precisam para crescerem pode ser inibida – levando a dificuldades na formação dos mesmos, com o corte da circulação dos ventos

Imagem: First Coast News
Imagem: First Coast News

Mas a localização deste cisalhamento, juntamente com um eventual aquecimento do Oceano, assim como regime global de circulação, pode fazer com que o El Niño se torne irrelevante. E, assim, com base em todos os fatores de que dispomos, e as limitações dos mesmos a esta distãncia, prevemos o seguinte

  • Mais furacões do que a média entre Junho e Novembro, mas com maior probabilidade de formações mais a Norte e no Golfo, e menos probabilidade de furacões do tipo “Cabo Verde”
  • Maior risco para o Sul da América, com formações no Golfo a serem mais frequentes, com anomalia de temperatura positiva da água do mar, e muita energia oceânica, e formação rápida e explosiva de ciclones muito intensos
  • Maior risco para Portugal, especialmente entre Setembro e Outubro, com tendência para a formação de ciclones mais a Norte que o normal, e o jato polar um pouco mais a Sul – podendo levar a que se desloquem rapidamente para o Continente e\ou Ilhas
  • Apesar de El Niño esperamos que, globalmente, seja uma época de furacões bem mais ativa do que a média – com mais de 20 tempestades nomeadas, provavelmente

Nota, novamente, para a incerteza em previsões a longo prazo, e que, para já, trata-se apenas de uma análise baseada em teleconexões a longo prazo, que são falíveis. No entanto iremos atualizando a informação quando necessário – apenas deixamos o alerta de que El Niño não significa época de furacões menos ativa, apesar de, estatisticamente, ser assim. O que promove, certamente, é mais calor global nos próximos anos – com recordes de temperatura

Supressão da precipitação no Atlântico tropical, típica de El Niño - previsão ECMWF SEAS5
Supressão da precipitação no Atlântico tropical, típica de El Niño – previsão ECMWF SEAS5

Preocupa-o o futuro do clima na Terra? Ou acha que são apenas alterações temporárias? Conte-nos a sua opinião nos comentários abaixo!

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