RESUMO DO TEMPO ESTA SEMANA (2–8 DE FEVEREIRO)
• Semana com precipitação muito acima da média, podendo em alguns locais ultrapassar o normal de todo o mês em apenas 7 dias
• Risco elevado a extremo de cheias, sobretudo no Norte e Centro, com especial atenção às bacias do Douro, Vouga, Mondego e Tejo
• Solos totalmente saturados, barragens com níveis elevados e degelo em curso agravam significativamente o risco
• Períodos de vento forte e agitação marítima significativa, sobretudo entre domingo–segunda e quarta–quinta, com risco de alguns danos
• Situação potencialmente muito complicada, exigindo extrema precaução
AÇORES: precipitação ocasionalmente persistente, dentro do padrão normal para a época, mas com vento forte ao longo da semana
MADEIRA: semana com precipitações ocasionais, em especial na segunda-feira e novamente na quinta, podendo estender-se ao fim de semana

A previsão do tempo esta semana, 2 a 8 de fevereiro, traz-nos más notícias – depois de longos períodos de precipitação, por vezes intensa, de muita neve, que agora vai começando a derreter, e de uma forte tempestade que afetou o país, temos a caminho, provavelmente, aquela que será a semana mais chuvosa do Inverno – com previsão de precipitações muito acima da média
Ao longo destes 6\7 dias pode chover mais do que seria normal em todo o mês de fevereiro, em alguns locais até 2 vezes mais, pelo menos – o que agravará de forma drástica o risco de cheias, que podem ser, infelizmente, catastróficas em algumas bacias hidrográficas, principalmente no Norte e Centro do território (Douro, Vouga, Mondego e Tejo provavelmente são as que apresentam mais risco)
A acompanhar a precipitação, e na sequência de uma série de perturbações Atlânticas, teremos também risco de alguns períodos de vento intenso, e, embora de momento nada seja comparável com o fenómeno Kristin, irão trazer algum perigo de estragos, e agravar a crise nas regiões mais afetadas pelo temporal – razão pela qual pedimos que não se desprezem os ventos mais “normais” previstos – mesmo esses podem fazer estragos no contexto atual
Estes períodos de vento mais intenso, para já, parecem ser a madrugada de domingo para segunda, quarta para quinta-feira, e talvez no final da semana – sábado, talvez – segundo previsões de variados modelos, com especial ênfase pelo modelo ECMWF, que está a prever de facto muita “agitação” esta semana (incluindo forte agitação marítima)
É sem dúvida uma semana que, com as previsões atuais, promete água em excesso, e que, dependendo da evolução exata, que esperemos que seja o melhor possível, pode vir a ser realmente extremamente complicada. Aguardamos o melhor, claro, mas temos de ter presente que as previsões atuais não têm mudado, e a probabilidade de algo mais extremo é já extremamente elevada (por exemplo o modelo Europeu IFS-ECMWF mostra valores superiores a 300l\m2 em apenas 7 dias em vários locais do Norte e Centro)

RISCO EXTREMO ESTA SEMANA – CONTEXTUALIZAÇÃO DA SITUAÇÃO
Já tivemos semanas muita chuvosas este outono\inverno, incluindo a depressão Cláudia, em novembro, que nos trouxe precipitações intensas durante vários dias (e grandes inundações), mas, infelizmente, esta semana promete rivalizar com essa, se não superar, em termos de precipitação – obviamente com a grande diferença do estado de saturação atual dos solos
É relativamente raro vermos cartas deste género, mas, efetivamente, temos os solos totalmente saturados em todo o território, sem capacidade de absorver mais água, o que aumenta a escorrência para os cursos de água. Além disto tudo, e apesar da semana começar um pouco mais fria, e voltar a nevar em terras altas, depois as temperaturas tendem a subir, e é provável que o degelo acelere – há ainda muita neve para derreter no Maciço Ibérico

Esta neve, obviamente, transforma-se em milhões e milhões de litros de água que serão despejados nas principais bacias hidrográficas, que se encontram já em elevado stress – impossibilitadas de fazer grandes descargas, pois isso implicaria a subida descontrolada de vários rios, mas também com incapacidade para reter mais água
Existem outros riscos como deslizamentos de terra em grande escala, derrocadas, que podem conduzir a danos em edifícios, em infraestruturas, e levar a fortes perturbações do dia-a-dia. Nas zonas afetadas pelo recente temporal, infelizmente levarão a maior dificuldade na recuperação da normalidade, e criarão condições muito difíceis para quem ainda luta para conseguir ter as casas habitáveis, depois de verem os telhados arrancados (ou outros danos)
A carta de extremos do ECMWF é bem clara – a chuva vai cair em quantidades muito acima da média, e mesmo perto de recordes para 7 dias. É assim, neste sentido, que apelamos a EXTREMA precaução perante o cenário previsto – o contexto é complicado, com barragens cheias, rios com forte caudal, solos saturados, árvores e estruturas fragilizadas, e uma situação de calamidade em vários locais depois da passagem de uma recente tempestade – e, face a tudo isto, a situação prevista é ainda mais extrema

Ao olharmos para a carta acima fica claro que, também nos Açores, a precipitação tende a ser muito acima do normal, com valores bem significativos, alinhando com aquilo que já dissemos sobre este mês – pode vir a ser muito chuvoso no arquipélago – ocasionalmente com episódios de vento significativos, alguns dos quais já esta semana
Na Madeira, contudo, o cenário é algo diferente – esta semana traz chuva, mas perfeitamente dentro do que é normal para esta altura do ano. Prevemos também temperaturas perto das médias climáticas, e vento sem exageros – o Inverno normal da Madeira
De referir que algumas situações pontuais mais extremas podem surgir no arquipélago dos Açores, razão pela qual iremos acompanhar com atenção – continue a ler se quiser saber em mais detalhe como estará cada dia!

PREVISÃO DO TEMPO ESTA SEMANA – 2 A 8 DE FEVEREIRO DE 2026
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PORTUGAL CONTINENTAL
- Nesta SEGUNDA-FEIRA prevemos uma situação complicada pela madrugada, com muito vento e precipitação intensa, seguindo-se um dia de aguaceiros frequentes, algumas trovoadas ocasionais, e neve nas terras mais altas – acima de 1000m. Mar muito agitado, temperaturas em descida
- Na TERÇA-FEIRA esta situação meteorológica mantém-se, com aguaceiros e risco de trovoadas, com algum vento, mas perfeitamente normal, com neve nas terras mais altas – e com agravamento para o final do dia, com mais precipitação, mais vento, e subida das temperaturas
- Este padrão mantém-se na QUARTA-FEIRA, com vento moderado a forte de sudoeste, com muita humidade, nevoeiros, chuva persistente em várias regiões, e com subida das temperaturas – algo que se mantém para QUINTA-FEIRA potencialmente com uma madrugada mais agitada a nível de vento. Entre quarta e quinta temos, novamente, um período de agravamento da agitação marítima, com ondas superiores a 6 metros, novamente
- SEXTA-FEIRA não irá trazer mudanças significativas, com a manutenção do vento forte, temperaturas por cima da média, e com mar MUITO agitado. A chuva, infelizmente, não deve parar

No FIM-DE-SEMANA a previsão é um pouco mais incerta, com substancial diferença entre modelos como GFS e ECMWF, com o primeiro a prever algo mais seco (ainda que possa chover, de qualquer forma) e o segundo a prever a continuação da precipitação intensa
Tendo em conta que modelos como ICON e UKMO se inclinam mais na direção do Europeu, é provável que venha a ser (mais um) fim-de-semana chuvoso, e, provavelmente, com rajadas significativas, além de forte agitação marítima
Ao fim destes 7 dias, como referido, podemos registar mais de 300\400mm de precipitação em alguns locais – e, por essa razão, apelamos, novamente, a que se tomem TODAS as medidas preventivas possíveis para minimizar o risco extremo que existe

AÇORES
- SEGUNDA-FEIRA com bastante vento, fluxo de Oeste e Sudoeste, e precipitação a aumentar, gradualmente – mar agitado
- TERÇA-FEIRA segue este mesmo regime – o vento mantém-se forte de Sudoeste, a chuva aumenta em todo o arquipélago, e as temperaturas podem subir ligeiramente – muita humidade, com nevoeiros. Mar muito agitado
- Na QUARTA-FEIRA é possível um cenário mais “agressivo” em termos de vento, com rajadas superiores a 110km/h, geralmente de Oeste, com uma nova depressão a afetar o arquipélago. O mar também se torna muito mais agitado, mas a precipitação resume-se, em princípio, a alguns aguaceiros, nada de muito significativo. Pequena descida das temperaturas
- Na QUINTA-FEIRA teremos a continuação deste fluxo de Noroeste, com aguaceiros fracos a moderados e forte agitação marítima
- SEXTA-FEIRA trará a rotação do vento para Sudoeste, novamente, o que também fará com que a precipitação aumente, as temperaturas subam, e a humidade volte a aumentar – sendo que no FIM-DE-SEMANA se prevê que esta situação se mantenha sem alterações significativas

MADEIRA
- No arquipélago da Madeira prevemos uma SEGUNDA-FEIRA com vento forte e precipitações fracas – com um fluxo de Noroeste significativo, mar agitado e pequena descida das temperaturas máximas
- Na TERÇA-FEIRA o vento roda para Oeste, moderado a forte, com ocorrência de alguns aguaceiros fracos, muitas nuvens e humidade (nevoeiros prováveis)
- QUARTA-FEIRA com vento moderado a forte, de Sudoeste, muitas nuvens e possibilidade de ocorrência de aguaceiros fracos, em especial nas zonas montanhosas
- Na QUINTA-FEIRA a passagem de uma superfície frontal deve trazer precipitações na madrugada, com vento intenso de Oeste – nevoeiros, novamente, em especial nas zonas montanhosas, com tempo bastante húmido. Manutenção do mar algo agitado
- Entre SEXTA e o FIM-DE-SEMANA a previsão torna-se mais complicada, pois há incerteza se o anticiclone surgirá, ou não, na região – alguns modelos indicam que sim, mas o modelo Europeu indica que a chuva deve continuar, com fluxos de Oeste, mantendo também o vento algo intenso – a confirmar!

CONTINUAÇÃO DE CHUVA NA SEMANA SEGUINTE?
A incerteza mantém-se, e, apesar de haver agora alguns modelos que vão mostrando a redução da precipitação, há ainda modelos a preverem a continuação da chuva significativa – o que, neste momento, é tudo o que NÃO precisamos
Já aqui discutimos a probabilidade de um aquecimento súbito da estratosfera, e já mencionámos que os padrões atmosféricos sugerem a possibilidade de um bloqueio em breve – sendo incerto de que forma se poderá estabelecer (ou se irá estabelecer)
O modelo Europeu vai mostrando durante as últimas atualizações que teríamos alta pressão significativa em latitudes altas, com o anticiclone centrado sobre a Gronelândia, mas nos últimos 2 dias tem vindo a recuar ligeiramente, mostrando alta pressão a tentar surgir no Atlântico e\ou na Europa Ocidental – algo que o modelo GFS tem vindo a mostrar, ocasionalmente
Enfim, esta batalha entre regimes atmosféricos marcará o período 10-15 de fevereiro, sendo que pode definir, também, o resto do mês – em anos anteriores estaríamos a pedir que a precipitação continuasse, este ano é o total oposto – todos desejamos que a chuva pare, e que a estabilidade regresse
Conte-nos: Como tem estado por aí? Preocupa-o esta situação? Considera que a Proteção Civil está a fazer um bom trabalho para prevenir os riscos? Participe nos comentários!

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2 comentários
Já sigo há algum tempo esta página. Parabéns pelo trabalho, é mesmo de outro nível. Nem o IPMA tem uma análise tão exaustiva e completa. Obrigado pelo trabalho incansável de análise, provavelmente não remunerado, mas altamente valorizado.
Extraordinário o trabalho que desenvolvem. Além das previsões fiáveis, dão as explicações necessárias para a compreensão e aumento do conhecimento sobre meteorologia. Assim, informam e formam.