Previsão de Longo Prazo

Análise para o final de Inverno\Primavera – Incerteza nas previsões

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Análise para o final de InvernoPrimavera - Incerteza nas previsões

Este é um artigo mais longo do que o habitual na Luso Meteo, mas que acho importante partilhar, e que leiam, para perceberem mais um pouco sobre como funciona a nossa atmosfera, e o porquê de estarmos a entrar num período extremamente difícil de prever – além de dar algumas ideias sobre como poderá ser o tempo daqui para a frente

Hoje, dia 17 de Fevereiro, acordamos com mais um dia de sol em Portugal Continental, no entanto há possibilidade de aguaceiros para o final do dia\madrugada mais a Sul… e talvez cheguem aos pontos montanhosos do Centro amanhã, apesar do tempo mais quente que o normal… Ora, as previsões estão EXTREMAMENTE difíceis devido a vários fatores, e a palavra chave é mesmo “talvez”

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Talvez chova no dia de Carnaval de forma significativa – talvez não – até mesmo a 3\4 dias de distância temos algumas dúvidas – especialmente em alguns parâmetros mais dependentes da movimentação das massas de ar e que podem mudar imenso a previsão mesmo com diferenças de 50\100km nesse posicionamento

Mesmo para as próximas 24 horas há incerteza, mas, acima de 72\96h essa incerteza é simplesmente gigante. Neste momento estamos a aproximar-nos da Primavera, e a radiação solar começa a aumentar de forma rápida, o que provoca maior aquecimento, e esta altura é sempre complexa e algo imprevisível

Além disso este ano temos variados fatores em jogo, ao mesmo tempo, e isso está a tornar tudo muito incerto – primeiro teremos, com a passagem pelas fases 7\8 da MJO (Madden-Julian Oscillation) tendência para enfraquecimento do anticiclone dos Açores e mais pressão a Norte – NAO negativo – algo que é também reforçado pelo enfraquecimento do vórtice polar e alguns efeitos no jet-stream já sentidos dentro de alguns dias

Vejamos a diferença na previsão a 120h entre o modelo IFS\ECMWF e o modelo UM\UKMO, normalmente visto como os dois mais fiáveis, ou dos mais fiáveis – é impressionante a diferença a 5 dias!

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O vórtice polar irá continuar fraco pelo menos até ao fim da primeira semana de Março. Depois de um (possível) breve regresso dos ventos “normais” na estratosfera por volta de dia 22, deve voltar a haver um novo aquecimento e nova entrada num período de ventos inversos pelo menos durante mais 6\7 dias, mas sem sinais que haja propagação para a superfície, isto por volta do final do mês de Fevereiro e início de Março

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Para o resto do mês algumas previsões indicam que o vórtice possa recuperar, outras indicam que não – teremos de acompanhar

Assim, e conforme adiantámos ainda antes do mês começar esta segunda quinzena e particularmente a passagem da segunda para a terceira semana seria muito difícil de prever – e assim será, e também adiantámos que poderia haver migração do anticiclone para latitudes mais a Norte – e também tudo indica que assim será

Se não leu a nossa previsão mensal de Fevereiro ainda vai a tempo, clicando AQUI

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Apesar desta migração para Norte, os efeitos ainda não são certos – na nossa previsão mensal mencionámos que em 2018, por exemplo, pela mesma altura deu-se uma quebra do vórtice polar e tivemos 5\6 semanas de chuva quase seguida, com frio – mas logo dissemos que algo assim seria improvável, é apenas um exemplo do que pode acontecer com estes fenómenos – que apesar de serem dos fenómenos mais extremos que acontecem na nossa atmosfera, são comuns – cerca de 6 em cada 10 Invernos

Em 2018 tivemos algo que não teremos, tudo indica, em 2023 – a divisão do vórtice polar em 2 “vórtices irmãos” e a propagação dos efeitos para as camadas baixas da troposfera, e isso foi decisivo na evolução – este ano, com uma situação diferente, com um vórtice alongado, mas não dividido, e com pouca propagação para a troposfera teremos mais complexidade na atmosfera, um jet-stream menos previsível e mais ondulado, mas um cenário como 2018 parece altamente improvável

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Assim vamos olhar a alguns dados importante para percebermos a evolução desta situação – e a sua incerteza

A previsão de pressão no Reino Unido mostra-nos que deverá subir no final do mês – um primeiro sinal de subida do anticiclone mais para Norte – sendo que poderá descer um pouco depois – mostrando que poderá ser um anticiclone algo móvel

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Para a Escandinâvia vemos que temos exatamente a mesma previsão, mostrando a evolução para Norte do anticiclone, mas sem que essa pressão seja persistente – descendo, pelo menos na média das previsões, logo a seguir, no início de Março

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Por fim a mesma carta para a Gronelândia mostra-nos subidas e descidas de pressão sendo que ao contrário do Reino Unido e Escandinávia temos, de facto, a manutenção da alta pressão em média, na previsão – mas reparem nas linhas de pressão previstas pelos 30 membros do GEFS, ou seja 30 possibilidades que o modelo de previsão vê – é impressionante de facto a incerteza, desde 1050+hPA para menos de 980hPa, todas as possibilidades existem

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A pressão alta na Gronelândia está relacionada com um jet-stream amplificado e muitas vezes significa tempo mais frio e\ou chuvoso na Europa Ocidental, incluindo Portugal Continental e também Ilhas, especialmente quando está presente em conjunto com pressão alta na Escandinávia – não é o caso na maioria das previsões, no entanto. Esse jet-stream amplificado pode também levar a temperaturas mais elevadas no Ártico e maior degelo, que já está em níveis recorde – ver imagem abaixo – o que também pode ter impactos mais para a frente – algo que será falado mais para o final deste artigo

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PORQUE É QUE ALTA PRESSÃO NA GRONELÂNDIA E ESCANDINÁVIA PROVOCAM CHUVA EM PORTUGAL?

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Deve-se ao facto de, havendo uma pressão alta na Gronelândia, as depressões de origem polar serem forçadas a mergulhar para latitudes mais a Sul. Quando ao mesmo tempo está presente um anticiclone na Escandinávia essas depressões são depois impedidas de seguirem o curso natural para Norte e têm de circular em latitudes mais baixas, forçando a corrente de jato a descer e o anticiclone dos Açores a enfraquecer. A imagem abaixo é um bom exemplo disto – previsão do modelo JMA para o final do mês – no entanto dado o cavamento de depressões sobre o Canadá, tudo indica que mesmo que ocorra será temporário, pois o anticiclone da Escandinávia não deve conseguir resistir às incursões Atlânticas

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Com a previsão atual de alta pressão na Gronelândia, mas pressão mais baixa na Escandinávia, em conjunto com um possível fortalecimento do vórtice polar (ver imagem abaixo, previsão do modelo CFS) para Março a previsão mais provável, de momento, aponta para que as depressões desçam em latitude, de facto, mas visto não serem totalmente bloqueadas consigam depois subir novamente para o Norte da Europa – num padrão semelhante ao que tivemos em Fevereiro, mas o mais provável é que provoque um pouco mais de instabilidade, com possibilidade de algumas entradas um pouco mais frias, mais depressões isoladas – cenário que é reforçado pelo facto de estarmos quase a começar a Primavera – sendo também provável mais fluxo\vento de Norte

Não temos para já (fortes) sinais que nos indiquem que teremos chuvas muito acima do normal ou frio muito abaixo do normal – na realidade este padrão costuma trazer variabilidade ao estado do tempo quando está presente na Primavera, que é algo que ainda não tivemos este Outono\Inverno – ora está a chover persistentemente (Novembro\Dezembro) ora está sol persistentemente (meio de Janeiro\Fevereiro) – com este padrão que se começa a desenhar podemos ter um pouco mais de variabilidade, algo que também é normal na Primavera

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Tudo isto é extremamente difícil de prever, e há, obviamente, incertezas… Existe também a possibilidade do vórtice polar se recompor e a pressão alta na Gronelândia não existir – nesse caso o cenário mais provável é de tempo a continuar seco para a Primavera, com menos instabilidade (depressões isoladas) pois o anticiclone conseguiria absorver a maioria – e já com calor a aparecer por vezes

Por outro lado, num cenário pouco provável de momento, existe a probabilidade de haver uma alteração mais significativa e a alta pressão estabelecer-se de forma mais robusta a Norte, com possibilidade de chuvas fortes e frio de forma mais persistente ao longo de Março\Abril – neste momento não é superior a 20% esta probabilidade

Assim sendo, à luz dos dados que temos disponíveis de momento podemos evidenciar o seguinte como cenários mais prováveis

* Portugal Continental com variabilidade ao longo da Primavera, com alguns dias de precipitação, e mais frio\trovoadas, mas também bastante sol. Um cenário de chuvas persistentes e fluxo Atlântico muito marcado para já não é o mais provável

* Açores com tendência para alguns períodos de frio e chuva mais significativos, até mesmo com possibilidade de alguma tempestade surgir até meio\final do mês de Março, sendo menos provável depois, com o provável enfraquecimento das depressões à medida que a Primavera avança

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* Madeira com fluxos frequentes de Norte, e com mais humidade e vento que o normal – e fresco

De notar que estas previsões são algumas ideias iniciais de como poderá ser a Primavera, num período de grande incerteza, e por isso devem ser interpretadas com cenários mais prováveis, havendo obviamente possibilidade de surgirem alterações

Previsão de anomalia de geopotencial por parte do modelo ECMWF, a 3 meses, para a Primavera, a mostrar como possível o cenário de chuvas acima da média, em especial a Sul (cenário descrito acima de depressões isoladas) – mas outros modelos não seguem a mesma tendência. Fica a média de vários modelos (Copernicus) com precipitação um pouco abaixo da média na Primavera – mas com um sinal fraco, evidenciando também a incerteza, mostrando um sinal de mais chuva a Sul também – seria benéfico, pois é a zona do país que mais precisa de água

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Seguiremos acompanhando como é óbvio para informar atempadamente

E, para terminar este artigo, resta ainda falar de outros fenómenos de larga escala, estes que poderão vir a ter impacto mais para a frente… No VERÃO

Depois de mais de 3 anos de La Niña, ou seja com águas mais frias no Pacífico Equatorial, estamos agora a entrar num período em que El Niño, o seu oposto, ou seja águas mais quentes, começa a ser o mais provável nas previsões, começando em Maio\Junho. Os principais modelos variam, alguns com ligeira anomalia positiva de temperatura (entre 0 a 0,5º) o que é considerado “ENSO neutro) ou seja não pode sequer ser considerado El Niño, até alguns modelos que prevêem anomalias superiores a 1,5º, naquilo que seria um El Niño moderado a forte. A média das previsões no entanto mostra um El Niño fraco a moderado para o Verão (+0,5\1º)

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Tendencialmente El Niño provoca temperaturas mais elevadas – podendo elevar a média da temperatura global mais de 1º

No entanto é difícil de fazer uma ligação direta entre El Niño e as temperaturas num determinado local – embora os dados nos mostrem que há de facto ligação entre anos de El Niño e Verões mais quentes em Portugal

Felizmente segundo dados históricos o fenómeno El Niño não tem tanta influência no Ártico, o que poderia causar um degelo ainda maior – no entanto visto estarmos com degelo recorde já neste momento, com tudo o que isso implica (menos superfície refletora da radiação, alterações das correntes, entre outros) não podemos afirmar o que poderá acontecer, e podem ambos criar um “evento em cadeia” em que um amplifica o outro, e leva a alterações mais profundas das correntes de jato e correntes marítimas, algo que vem sendo previsto pelos cientistas há bastante tempo, e que pode levar a maiores consequências – subida do nível médio do mar, alterações que podem ter também consequências nos ecossistemas marinhos, e por sua vez em todos os ecossistemas, pois tudo está interligado no nosso planeta

Infelizmente o contínuo aumento da concentração de gases com efeito de estufa na atmosfera é um fator determinante nestas alterações mais profundas – sendo que além de não estar a abrandar, o aumento da concentração de gases como dióxido de carbono (CO2) ou Metano (CH4) parece estar a acelerar e é algo que devia ser uma prioridade, talvez mesmo a nossa maior prioridade – combater o aumento da concentração destes gases, antes que seja tarde demais

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Seguiremos atentamente a evolução acompanhando dia a dia e assim que tivermos mais certezas iremos informar da evolução do estado do tempo para a Primavera e Verão. Para já há mais dúvidas que certezas por isso continue a acompanhar-nos nas nossas redes sociais e em www.lusometeo.com

A equipa Luso Meteo agradece a sua leitura deste artigo de previsão, esperando que lhe seja útil!

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Luso Meteo

A Luso Meteo é um serviço de informação e previsão meteorológica, focado essencialmente em Portugal, mas também com um olhar atento ao mundo, ao clima, e a tudo o que se vai passando, para lhe trazer todas as informações, sempre atualizadas e relevantes, para que possa planear os seus dias e as suas atividades.

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